Não será uma esquadra, mas contará com elementos da PSP com formação específica em casos de violência doméstica e também com psicólogos e técnicos especializados nesta área. Também não será um refúgio, mas antes um local de atendimento e encaminhamento das vítimas deste crime público. Estará de portas abertas a partir de Julho, num edifício onde antes funcionava uma dependência do BES, junto ao Hospital dos Capuchos.

 

Partiu da Junta de Freguesia de Santo António a ideia de abrir este posto, denominado Espaço Júlia, em homenagem a uma mulher que, em 2011, foi assassinada pelo marido, na Rua Luciano Cordeiro. A mesma via onde, agora, irá funcionar o atendimento por reencaminhamento das vítimas, onde quer que elas existam. Porque não será um espaço fechado e afecto à freguesia, como sublinha ao Corvo o presidente da junta de Santo António, Vasco Morgado.

 

“O Espaço Júlia não se destina apenas a pessoas que morem na freguesia, mas a todas as vítimas de violência doméstica e não só de Lisboa, a todas as que, no país, precisem de apoio”, explica.

 

“Começou por ser um projecto da junta, que dispõe de psicólogos forenses e de técnicos formados nesta área”, mas, acrescenta Vasco Morgado, “logo se lhe associou o apoio da esquadra de polícia, da I Divisão da PSP, que, em 2014, recebeu 53 queixas de situações de violência doméstica”.

 

Além do apoio dos técnicos e da Polícia de Segurança Pública, o Espaço Júlia vai dispor também de um carro descaracterizado que poderá prestar apoio para o transporte dos bens das vítimas, explicou ainda o autarca.

 

Nas instalações do edifício, que pertence ao Hospital dos Capuchos, mas que terá uma entrada independente, haverá três gabinetes destinados ao apoio às vítimas de violência doméstica. “As obras de adaptação já se iniciaram e deverão estar concluídas em finais de Junho”, esclarece ainda o autarca.

 

Mas o Espaço Júlia não será um refúgio. “Serão os técnicos e as autoridades a decidir e propor o encaminhamento da vítima, para as unidades existentes, os refúgios e casas-abrigo, se for o caso, ou para casa”.

 

Interrogado sobre qual a sua expectativa face ao funcionamento deste equipamento, Vasco Morgado responde: “A minha expectativa era a de nem sequer ter que abrir isto, mas a violência doméstica é um flagelo e, cada vez mais, é necessário apoiar as pessoas que são alvo destes crimes”.

 

Em 2014, registaram-se no país 42 vítimas mortais de violência doméstica e, em 2015, já houve 11 casos de mulheres assassinadas. O mais recente assassinato ocorreu na semana passada, dia 28 de Maio, em Faro, quando uma mulher de 31 anos foi morta a tiros de caçadeira pelo marido, de quem estava separada.

 

A violência doméstica foi declarada crime público em 2000. Segundo dados revelados pela Secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais, à TSF, também no dia 28, há actualmente “610 reclusos (detidos por estes crimes), 371 agressores com pulseira electrónica e 431 vítimas portadoras de aparelho de teleassistência”.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

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