Vítima de vandalismo, silo automóvel da Calçada do Combro aguarda reabilitação

REPORTAGEM
Samuel Alemão

Texto

VIDA NA CIDADE

Misericórdia

18 Janeiro, 2018

Paredes grafitadas e ‘tagadas’ em profusão, portas e restantes peças de equipamento danificadas, poças de urina, sujidade avulsa e infiltrações de água perfazem um cenário a que os muitos frequentadores do Parque de Estacionamento da Calçada do Combro se terão acostumado, nos anos mais recentes. A tal quadro, visível sobretudo na escadaria do acesso comum aos diferentes pisos do silo gerido pela Empresa Municipal de Estacionamento e Mobilidade de Lisboa (EMEL), soma-se uma crónica sensação de insegurança dos usuários da infraestrutura – muito por culpa das frequentes avarias dos elevadores e da iluminação -, mas também de impunidade para com o parqueamento abusivo em lugares supostamente destinados aos moradores da freguesia da Misericórdia. Tudo agravado por uma alegada falta de vigilância.

A situação, que está longe de ser nova, motivou mesmo, há cerca de um ano, uma recomendação da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), aprovada por unanimidade, de tomada urgente de medidas para estancar a degradação e a insalubridade no edifício, no topo do qual funciona um espaço de diversão nocturna – e com cujos clientes os utilizadores do parque de estacionamento partilham os referidos acessos. A Junta de Freguesia da Misericórdia diz já ter alertado, por diversas vezes, quer a concessionária do espaço quer a Câmara Municipal de Lisboa (CML) para a necessidade de reverter o persistente ambiente de decadência, mas não deixa de apontar o dedo à falta de civismo dos que frequentam o espaço. São eles, assegura, “os principais causadores do estado de sujidade em que o mesmo se encontra”. Algo que deverá mudar em breve, promete a EMEL, acenando com um plano para lidar com o problema.



Na recomendação da assembleia municipal, apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 21 de fevereiro de 2017 e aprovada por unanimidade, diagnosticava-se a degradação e má utilização do parque, começando nos constrangimentos causados por problemas estruturais e acabando na aparente falta de vigilância. Antes de mais, o texto refere o facto de o parque ser “desprovido de telhado ou outra cobertura, terminando num terraço, onde funciona um bar com esplanada e que comunica amplamente com a zona de parqueamento, até para acesso dos clientes do bar”, levando a que, associado ao “facto de a fachada do parque conter aberturas não isoladas para a via pública”, em dias de chuva, que a água circule no pavimento, formando poças e circuitos que escorrem pelas escadas e se acumulam nos patamares. Situação apontada como “factor adicional de degradação das instalações”.

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Acusando a EMEL de “incúria da EMEL na manutenção e gestão” do equipamento público, a recomendação votada pela AML no ano passado denunciava atrasos na reposição de equipamentos, como as portas corta-fogo e os elevadores, que muitas vezes estão avariados por tempo prolongado ou são alvo de actos de vandalismo. Algo favorecido pela falta de vigilância do espaço, atitude com consequências também na própria gestão da utilização do estacionamento. “A fiscalização do estacionamento no interior do parque não é suficiente, ocorrendo com frequência fenómenos como um automóvel ocupar dois lugares, utilização de motos para guardar lugares para os carros, ocupação de lugares destinados a deficientes e grávidas”, denunciava o texto merecedor de consenso entre deputados municipais, e que pedia à CML que pressionasse a EMEL para resolver todas estas situações.

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Mas, passado quase um ano, nada mudou. Também a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira (PS), se confessa decepcionada com o actual cenário de degradação naquele que qualifica como um dos principais parques de estacionamento da sua circunscrição administrativa. Em depoimento escrito a O Corvo, a autarca denuncia os efeitos do vandalismo, “principalmente causados pelos seus utilizadores nocturnos, que destroem, grafitam, sujam, urinam, entre outras acções menos próprias no local”. “Tenho igualmente conhecimento que os elevadores estão avariados com alguma frequência, sendo uma constante os tags e a sujidade dos mesmos”, descreve.

Carla Madeira sublinha ter também ela já denunciado tais factos na assembleia municipal, pedindo um maior esforço de manutenção e vigilância por parte da empresa municipal de estacionamento e mobilidade. “No entanto, não podemos colocar todo o ónus da questão na EMEL ou na CML. Existe uma grande falta de civismo por parte dos utilizadores do parque, que são os principais causadores do estado de sujidade em que o mesmo se encontra”, lastima a presidente da junta, desejando que se procure ter “uma sociedade que se preocupe mais com o que é de todos e não apenas com aquilo que é só seu”. A autarca assevera ainda que pediu à EMEL maior fiscalização ao estacionamento abusivo, nomeadamente nos lugares reservados a moradores.

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O Corvo questionou, a 5 de janeiro, a EMEL sobre este assunto – nomeadamente, as razões de nada ter sido feito para resolver a situação, durante o ano passado, e se existe algum plano de reabilitação da infraestrutura -, mas não obteve resposta até à data da publicação deste artigo.

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COMENTÁRIOS

Comentários
  • Maria Eugénia Duarte de Almeida
    Responder

    Dentro do referido parque também danificam os carros e roubam peças. Até hoje não tenho conhecimento que haja lugares reservados para moradores,apenas entrada do parque para moradores.

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