Vereador reconhece “efeito perverso do turismo no mercado de arrendamento”

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Samuel Alemão

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URBANISMO

Cidade de Lisboa

30 Janeiro, 2015

Manuel Salgado, o vereador com o pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML), admite que o “boom turístico” sentido, nos últimos anos, na capital, apesar de “ser um fenómeno um pouco incontornável”, está a trazer alguns constrangimentos à qualidade de vida na cidade. Nomeadamente ao nível do mercado de arrendamento e no comércio. Salgado fala, por isso, na necessidade de serem “tomadas medidas” para corrigir efeitos perversos, como a concentração excessiva de visitantes numa área muito circunscrita do centro de Lisboa.

Falando na sessão de abertura dos III Encontros de Urbanismo, promovidos pelo Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), em Picoas, no final da tarde desta quinta-feira (29 de Janeiro), o autarca reconheceu que a recente vaga turística provocou “uma alteração do modo de vida, à qual nos temos que habituar”. Ainda assim, Manuel Salgado – que tem sido alvo de muitas críticas pelo facto de os serviços por si tutelados estarem a dar luz verde à construção de dezenas de unidades hoteleiras no coração de Lisboa – confessou “preocupação com este modelo”.

“Os alojamentos low-cost e os fenómenos como os do Airbnb têm um efeito muito perverso no mercado de arrendamento. Da mesma forma que também acabam por ter um grande impacto no comércio”, afirmou Salgado, que tentava, de alguma forma, responder às fortes críticas à “turistificação da Baixa da cidade” feitas por um dos oradores no encontro, Jorge Figueira, docente da Universidade de Coimbra e também residente na baixa pombalina. Salientando não ser contra o turismo, Figueira foi especialmente corrosivo com o que considerou ser o processo em curso de “instalação de uma cultura low-cost” numa área da cidade a sofrer de “um processo de despoetização radical”.

Ensaiando uma réplica a tais reparos aos excessos do turismo – que não foram seguidos pelos restantes oradores, entre os quais estava o arquitecto Manuel Aires Mateus -, Manuel Salgado considerou que “este é um fenómeno um pouco incontornável”. Mas que terá que ver corrigidos alguns aspectos, consentiu. “Por ano, recebemos 3,5 milhões de turistas e, só no ano passado, o Castelo de São Jorge teve 1,2 milhões de visitas. O drama é que isto está tudo concentrado numa área muito definida da cidade, no centro. É uma tendência que é difícil contrariar, mas há que tomar medidas para as pessoas passarem também a frequentar outras áreas da Lisboa”, afirmou.

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COMENTÁRIOS

  • Alexandra Christiansen
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    Pois, os turistas poderiam frequentar Estoril e Cascais, mas cortaram na frequência dos comboios bem como nos horários manhã/noite deles.

    O Português é mantido fora da cidade, pois já não lá pode circular (de carro) nem consumir (falta de €s).

    Apesar disso, Portugal já não tem mais nada para vender e oferecer aos mercados a não ser sua área de turismo.

    Tinham-se lamentado antes.

  • João Tabarra
    Responder

    Continuem com este turismo massivo e descontrolado…continuem a autorizar demolições dos interiores e ficarmos cidade fachada continuem a tuktukizar a cidade continuem a deixar fechar tasquinhas transformar mercados em merdas design continuem… continuem a especulação de preços que fecha livrarias restaurantes cafés históricos…continuem a abrir pasteis de nata shop’s…que o turista vai voltar…para ver o que jà tem là em casa….

  • Miguel Monteiro Pereira
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    Já disse e volto a dizer, a solução para tudo é o dormir obrigatório dias de semana 2h da manha e fim de semana e feriados até às 3 horas e depois da 1 da manha não se pode sair para o exterior. se resulta nos bares resulta com o turismo, assim eles não passam cá férias. e ficamos todos a dormir bem para trabalharmos bem.

  • c t castro
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    Este senhor é claramente pelos grandes “hotéis” e não compreende que o turismo pode e deve ser feito a diferentes escalas. O “problema” que Lisboa está a viver é vivido por muitas cidades a nível mundial, consequência dos vôos low cost. Cidades com muita energia, bem definidas aguentam o aumento do turismo, Lisboa revela as suas fragilidades, que todos nós que aqui vivemos já conhecemos… Por outro lado, o turismo obriga a cidade a se “reinventar” um processo já vivido também por outras cidades desde os anos 80… Vejam Itália, França… Essa reinvenção tem os seus lados positivos, valoriza o que é nosso, leva a redescobrir, redefinir o que nos diferencia. Quando é exagerado, cheira a isso mesmo. Tudo coisas vistas lá fora, nas cidades veteranas do turismo. Uma cidade tem de ter estratégias, não necessariamente para se defender do turismo, mas para alcançar todo o seu potencial e Lisboa, está longe disso. Os turistas procuram o centro, pois claro, é onde a cidade é mais definida, mais compreensível. Todo o crescimento urbano descontrolado das últimas décadas descaracterizou o subúrbio que se torna assim pouco interessante para um turista “normal”. Mesmo assim, pontualmente, há pequenos pontos que, outra vez, tem se redefinido, seja para o turista internacional, nacional ou mesmo local.

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