O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, contradiz a Carta de Vulnerabilidade Sísmica dos Solos de Lisboa no que se refere à Colina de Santana. Em declarações feitas hoje à rádio TSF, o autarca disse que “a Colina de Santana é uma das zonas com mais resistência aos sismos da cidade de Lisboa e por isso se tem conservado ao longo dos séculos”. Mas na referida carta de vulnerabilidade, agregada ao Estudo Sectorial sobre Risco Sísmico, que é uma parte integrante do Plano Director Municipal (PDM) da cidade, essa zona é referenciada como sendo de “alta vulnerabilidade”. Isto significa, pelo contrário, que está longe de poder ser considerada como uma das que tem “mais resistência aos sismos”.

No referido documento técnico, incluído nos “estudos de caracterização” associados ao PDM – disponíveis no sítio da CML -, faz-se uso de uma carta de vulnerabilidade elaborada por “especialistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Câmara Municipal de Lisboa”. Nela, os terrenos são classificados em quatro grupos, correspondentes aos distintos níveis de vulnerabilidade sísmica. Na carta, a área referente à Colina de Santana surge na sua quase totalidade como sendo de vulnerabilidade “Alta”, correspondente, em termos geológicos, a “formações predominantemente arenosas consolidadas/solos incoerentes compactos”. Ou seja, o nível imediatamente abaixo da vulnerabilidade máxima, “Muito Alta”.

Os dados constantes deste estudo sísmico – assinado, a 5 de abril de 2005, pelo professor catedrático Carlos Sousa Oliveira e o professor auxiliar Mário Lopes, ambos do Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura do Instituto Superior Técnico –, validado pelo Departamento de Protecção Civil da autarquia, contrastam, por isso, com as declarações feitas, esta quarta-feira, pelo vereador do Urbanismo. Salgado qualificou como “puro alarmismo” as reticências ontem levantadas pela deputada municipal Margarida Saavedra (PSD), quando esta alertava para os problemas de solos da Colina de Santana – Saavedra falou mesmo no “movimento tendencial desta zona para deslizar”.

A social-democrata, ex-vereadora da CML, tentava dar assim mais um argumento para a suspensão do tão polémico projecto imobiliário da empresa Estamo previsto – e, entretanto, aparentemente congelado pela autarquia – para os terrenos dos hospitais de São José, Miguel Bombarda, Capuchos, Desterro e Santa Marta. Mas o actual vereador do Urbanismo acha que “não há nenhuma razão de segurança que impeça a apreciação daqueles processos”, apesar de Margarida Saavedra dizer que a colina em causa “é como uma cómoda à qual falta um pé”.

Manuel Salgado não acha o mesmo e disse à rádio TSF que “a Colina de Santana é uma das zonas com mais resistência aos sismos da cidade de Lisboa e, por isso, se tem conservado ao longo dos séculos e, portanto, não há qualquer motivo de segurança”.  Acrescentou ainda que os casos identificados pela deputada municipal Margarida Saavedra “são na chamada Calçada de Santana, que é uma zona mais antiga, que está degradada, mas não tem nada a ver, porque as intervenções previstas não são aí, algumas são até bem distantes desse local”.

 

Texto e fotografia: Samuel Alemão

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