Manuel Salgado, vereador com os pelouros de Planeamento, Urbanismo, Reabilitação Urbana e Espaço Público da Câmara Municipal de Lisboa (CML), acha que é necessário ter cautela nas críticas que estão a ser feitas ao impacto do turismo na capital portuguesa. “É um tema que nos preocupa a todos e sobre o qual temos vindo a fazer uma reflexão. Mas temos que ter em conta a importância do turismo na base económica da cidade, tanto ao nível da criação de emprego, como na reabilitação do edificado”, disse o autarca, na tarde desta terça-feira (21 de Julho), ante a Assembleia Municipal de Lisboa, depois de interpelado sobre o assunto por Vasco Morgado (PSD),  presidente da Junta de Freguesia de Santo António, no período de perguntas à CML.

 

Reconhecendo os problemas criados pela crescente procura de Lisboa por parte dos turistas estrangeiros, o vereador alertou, todavia, para o facto de esta dinâmica ser muito importante para a cidade. Muito em particular, pelo valor acrescentado que representa. Mas negou responsabilidades da câmara municipal na proliferação desregrada de alojamentos turísticos. “Quando se discute a oferta de alojamento turístico, temos que distinguir entre a hotelaria, que é licenciada pelo município, e o ‘alojamento local’, que não é licenciado pelo município e que, nos últimos cinco anos, teve um enorme crescimento. São situações muito diferentes”, explicou o vereador.

 

Fazendo um distinção de responsabilidades, Salgado sublinhou que “há, nesta matéria, capacidades de intervenção muito diferentes entre o município e o Governo”. O autarca disse ainda que, também nos últimos cinco anos, se verificou um “crescimento exponencial do turismo, fruto do incremento dos cruzeiros e dos voos low cost”. “Se temos problemas, temo-los em áreas específicas, como Baixa-Chiado, bairros históricos, zona monumental de Belém e Parque das Nações. Temos que, de facto, fazer um reflexão profunda e tomar decisões no que diz respeito, essencialmente, à gestão do espaço público e não em relação ao licenciamento do alojamento”, afirmou.

 

Manuel Salgado deu depois, e como é costume neste género de debates, o exemplo de Barcelona para provar que não há turismo em excesso na capital portuguesa. Disse que a capital catalã tem 17,4 milhões de dormidas por ano, em contraste com os 8,4 milhões de dormidas de Lisboa. “Isto são números oficiais, a diferença é abissal. Aliás, Lisboa está no 16 lugar, abaixo de Dublin. Portanto, este números têm que ser vistos com muito cuidado. Este é um problema real, mas que temos que ver em todas as suas dimensões e não apenas no incómodo que, à primeira vista, possa criar”, afirmou Manuel Salgado.

 

O vereador considerou, por isso, que não se pode estabelecer uma relação directa entre o fenómeno da expansão turística e eventuais saídas de moradores dos bairros centrais de Lisboa para outras zonas – como havia sido sugerido pelo presidente da junta de Santo António . Manuel Salgado prometeu ainda a divulgação, até ao final do ano, do relatório sobre o impacto da actividade turística na cidade.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Zélia Sakai
    Responder

    É necessário e urgente travar o turismo de cruzeiros, porque provocam um aumento da poluição no Tejo, já tão degradado.

    Obrigada.
    Boas férias.
    ZS.

  • Zélia Sakai
    Responder

    É necessário e urgente travar os curseiros de turismo, porque estão a provocar um aumento de poluição no Tejo, já tão degradado.

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