É impossível olhar para a iniciativa e nela não ver uma ponta de ironia. No mesmo dia (quinta-feira, 19 de maio) em que António Costa, primeiro-ministro e ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), anunciava ao país que 2017 será “o primeiro ano do papel zero na administração pública”, no âmbito do programa Simplex +2016, o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) decidiu avançar com um requerimento na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) através do qual deseja“saber por que razão a CML ainda não utiliza papel reciclado”.

 

“O Estado, nos seus vários níveis e serviços, tem grandes responsabilidades na aplicação das boas práticas ambientais e no desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade e cidadania, aferíveis não só pela prática mas também pelo exemplo que é dado”, diz o PEV no requerimento, através do qual solicita que seja apurada “por que razão a CML ainda não utiliza papel reciclado nos seus vários serviços e quando prevê que o venha a utilizar”. “Tem a CML promovido campanhas de informação e sensibilização juntos dos serviços sobre os benefícios da utilização de papel reciclado?”, questiona ainda o partido ecologista.

 

O requerimento lembra que “os órgãos do Município de Lisboa diariamente consomem uma elevada quantidade de papel no funcionamento dos seus múltiplos serviços”. E acrescenta que “tendo presentes os impactos ambientais resultantes do processo de fabrico de papel (consumo de matérias primas, em particular, árvores, de energia e água) possíveis de evitar e/ou reduzir através da generalização da utilização de papel reciclado e da utilização do frente e verso, seria de esperar que a utilização de papel reciclado fosse uma prática generalizada nestes serviços”.

 

Aludindo também à “evolução que se tem registado de forma significativa nos últimos anos ao nível dos meios técnicos (fotocopiadoras e impressoras) e ao nível da própria qualidade do papel reciclado” – o que “que permitiu remover algumas barreiras quanto à utilização de papel reciclado” – , Os Verdes lembram que “que a AML tem aprovado sistematicamente, ao longo de vários mandatos, e por proposta de Os Verdes, recomendações no sentido de os vários serviços do município fotocopiarem os documentos, sempre que possível, em frente e verso, o que poderia representar uma redução de desperdício de papel na ordem dos 40%, e no sentido da promoção da crescente utilização do papel reciclado”.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Tuga News
    Responder

    [O Corvo] Verdes querem saber o porquê da Câmara de Lisboa “ainda não usar papel reciclado” https://t.co/7sRp4YMKSk #lisboa

  • Emília Paula Cardoso
    Responder

    Seria bom também que os recibos de vencimento fossem enviados via email em vez de papel. O ambiente também agradecia

  • Cristina Borges
    Responder

    Tem razão. Mas para isso seria necessário que todos o assistentes operacionais tivessem email, conhecimento basico de informatica e acesso a computador…e não é essa a realidade da cml

  • Zé Miguel
    Responder

    E os tuc-tuc com motor de explosão. Os turistas podem e nós parece que não. Ao que parece estamos mais interessados no conforto e prazer dos turistas do que em nós próprios.

    E as vias para os ciclistas? Devem estar cheias… de ar. Que com este calor. Nós somos tão ridículos. É isso que os turistas devem pensar. Que isto é outro mundo. E é. 🙂

  • Filipa Ceia
    Responder

    Eu gostava era de saber porque é que ainda usam papel.

  • Vasconcelos Maria Rita
    Responder

    têm lá muito do outro, milhões de quilos dele

  • Paulo Fonseca
    Responder

    Os Verdes são ignorantes! O papel reciclado é pior para o ambiente pois consome mais água para ser feito, para além de continuarem os problemas com impressoras e fotocopiadoras nos dias de hoje. De lembrar que a maior parte do equipamento deste tipo da CML não é recente.
    De resto, definir o frente e verso como default pode ser facilmente feito e é mais eficiente na poupança de papel. Definirem um standard para o tipo e tamanho de letra também pode ajudar no consumo quer de tinteiros quer de papel.

  • José
    Responder

    A empresa que trabalho, usava papel reciclado e deixou de usar, PORQUE É MAIS CARO.

  • António
    Responder

    E já agora reciclar tambem os funcionários publicos????
    Alguns não tem nenhuma formação e a formação que a camara oferece, não entra nas cabecinhas (cantoneiros aprender inglês).

Deixe um comentário.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com