Vendedores do Mercado da Ribeira dizem que estão a perder clientes

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Francisco Neves

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Misericórdia

30 Julho, 2014


Os vendedores tradicionais do Mercado da Ribeira perderam clientes desde que aquele espaço foi reformulado para exploração pela empresa da revista Time Out, em Maio passado. Foi a queixa apresentada, terça-feira (dia 29 de Julho), perante a Assembleia Municipal de Lisboa, por um vendedor de flores ali instalado desde 1989, durante a última sessão daquele órgão antes das férias estivais. E isto apesar de o referido comerciante até reconhecer que o local está “incomparavelmente mais bonito”.

Com a recente reconversão, salientou o vendedor António Alves Miguel, o Mercado da Ribeira tornou-se “uma coisa diferente”. “Por coincidência ou não, estamos a vender cada vez menos. Os clientes que temos deixaram de ir, muitas pessoas deixaram de ir, porque o mercado já não é o mercado para onde fomos em 1989”, queixou-se.

António Miguel criticou também a Polícia Municipal (PM) por, alegadamente, estar a ser mansa com o estacionamento irregular, quando dantes seria dura. “Durante anos, era raro o dia em que um operador daquele mercado não era multado por ter o carro mal estacionado. Neste preciso momento, ninguém é multado, desde que os senhores da Time Out foram para lá”, disse.

O cidadão criticou também a organização do estacionamento para os operadores do mercado, dizendo que não há uma separação clara das zonas dos vendedores e dos concessionários do restaurado equipamento da Praça de Dom Luís I.

CML tem luz verde para primeiro pacote de alienação de património

Também na sessão de ontem da assembleia, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, teve que se esforçar, fazendo várias intervenções, para defender o primeiro pacote de uma série de 17 propostas de alienação de património camarário, num total de 24 prédios.

Com uma agenda financeira apertada, o município quer assim amortizar 59 milhões de euros do total de 65 milhões a pagar este ano. Nesta “bóia de salvação do executivo”, como lhe chamou o deputado municipal Sobreda Antunes, dos Partido Os Verdes (PEV) , incluem-se, por exemplo, os palácios Marquês de Tancos e Monte Real e o muito polémico quartel do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB), à beira do Hospital da Luz (grupo BES), que para lá se quer expandir.

Chegou a dizer-se que o executivo estava a montar uma hasta pública à medida do hospital privado. Mas António Costa insistiu em dizer que o quartel, o mais recente erguido em Lisboa, em 2004, já tinha o destino traçado no âmbito do programa de restruturação da estrutura operacional do RSB, aprovado no ano passado.

Costa acrescentou que o seu e executivo teve o cuidado de alterar o Plano de Pormenor do Eixo Urbano Luz-Benfica de forma a alterar o uso do terreno, para permitir que lá se construa também habitação. Isso fez subir a avaliação do lote dos 11 para os 15 milhões de euros. A proposta de alteração do plano de pormenor acabou por ser aprovada com os votos da maioria socialista, o voto contra do BE, PEV e PAN e a abstenção do PSD, PCP, CDS e MPT.

A Comissão de Finanças, Património e Recursos Humanos da AML, que se pronunciou sobre todas as propostas votadas – aprovadas pela maioria, com a abstenção do PSD e PAN, voto contra do BE e diferentes posições de PCP, PEV e MPT, conforme as circunstâncias – , alertou que as transacções devem ser transparentes e avisou que as vai acompanhar.

* Texto corrigido às 22h1o de 30 de Julho. Corrige “Hospital de Santa Cruz” por “Hospital da Luz”

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