Venda de palácio em leilão pela Câmara de Lisboa desaloja Centro Social da Sé

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Samuel Alemão

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URBANISMO

Santa Maria Maior

16 Fevereiro, 2015


A recente venda pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) do Palácio Monte Real, no número 19 da Rua de São Mamede ao Caldas, a uma família francesa, através de uma hasta pública, está a obrigar a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) a fazer uma intensa busca por um local que possa vir a acolher as quase sete dezenas de idosos que, até aqui, diariamente acorriam ao Centro Social da Sé ali instalado – sem contar com os 250 a receber apoio domiciliário. O Corvo sabe que a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior terá indicado à Misericórdia um edifício que poderia servir como nova localização.

O Palácio Monte Real – construção do final do século XVIII, cuja estrutura em gaiola obedece aos princípios adoptados na reconstrução da Baixa pós-terramoto, e que confina ainda com as Calçada do Correio Velho e Rua das Pedras Negras – foi vendido pela CML, através da hasta pública realizada a 8 de Outubro passado, por 3,05 milhões de euros, ultrapassando largamente a base de licitação de 1,86 milhões de euros. O imóvel foi adquirido, através de um intermediário, por uma família francesa, que nesse leilão arrematou também o Palácio do Marquês de Tancos, por 5,48 milhões de euros – cuja base de licitação estava nos 5 milhões.

Se o Palácio do Marquês de Tancos deverá ser transformado pelos compradores numa unidade hoteleira de luxo, já o Palácio Monte Real terá como destino a conversão em unidade habitacional da família compradora. O que, claro está, obriga ao desalojamento do edifício por parte do Centro Social da Sé, que ali funcionava desde 1977, na sequência de um protocolo para esse fim assinado entre a autarquia e a SCML. Nessa altura, o centro social dividia o espaço com o grupo de teatro amador “A Gota”, que ali ganhou direito de residência após, em 1974, a comissão de moradores da antiga freguesia da Sé o ter reclamado. A partir de 1990, o grupo teatral passou a ocupar apenas parte da cave.

Actualmente, o Centro Social da Sé, cuja acção se desenvolve nas freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente, apoia, de acordo com dados fornecidos na passada sexta-feira ao Corvo pela Misericórida, um total de 344 pessoas, das quais 69 beneficiam das respostas de Centro de Dia e Convívio, 25 do Apoio Comunitário (apoio a indivíduos e famílias em situação de exclusão social) e 250 da resposta de Serviço de Apoio Domiciliário.

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Ainda de acordo com a SCML, o centro tem como principais objetivos “a quebra do isolamento, a prevenção de situações de dependência, a promoção de um envelhecimento ativo e assegurar uma melhor qualidade de vida aos seus clientes”. São ali disponibilizados serviços como: refeições, transporte, apoio na medicação, apoio na higiene pessoal, acompanhamento nas saídas ao exterior e tratamento das roupas dos utentes. Além disso, são também desenvolvidas atividades sócio-recreativas, culturais, formativas e terapêuticas.

Questionada sobre qual a alternativa para o centro, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa diz que “está, neste momento, a providenciar um local para continuar a dar resposta aos atuais utentes e futuros que venham a necessitar desta resposta, assegurando assim a continuidade do acompanhamento dado neste equipamento”. Uma das hipóteses em cima da mesa será a de um edifício disponibilizado pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.

A venda do Palácio Monte Real, bem como a do Palácio do Marquês de Tancos, inserem-se no programa de vendas e arrendamentos em larga escala Cidade de Oportunidades, lançado, no ano passado, pela Câmara Municipal de Lisboa, para tentar equilibrar as contas da autarquia. A venda daqueles dois imóveis, a 8 de Outubro, juntou-se à venda de outros oito, tendo o total rendido aos cofres da edilidade 21,6 milhões de euros. O edifício da Rua de São Mamede ao Caldas tem uma placa de licenciamento dos serviços camarários afixada numa das varandas do primeiro andar, mas as informações sobre a intervenção requerida estão por preencher.

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COMENTÁRIOS

  • Alexandre Nunes
    Responder

    Questão que se impõe: onde vai ser efetivamente gasto o dinheiro desta venda, hum?

  • Jorge Parente Baptista
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    mais uma vez a completa descoordenação..

  • Maria de Morais
    Responder

    interessante saber que a venda foi feita a um pessoa de nacionalidade francesa, que fez fortuna, construindo lares para pessoas idosas… o mesmo que comprou o Palacio de Tancos, para ali realizar um lar para, ao que consta, pessoas idosas e de nacionalidade francesa

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