A autora do texto avisou logo que não queria ofender ninguém, mas ainda não tinha acabado de o ler e já se via que a coisa não ficaria por ali. Logo lhe responderam acusações de ultraje. Mas não convenceram a maioria.

 

Texto: Francisco Neves

 

Na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa desta semana, no dia 16, Maria Luísa Aldim, do CDS, apresentou uma moção no sentido de o PCP ser responsabilizado pelos danos de uma série de pinturas suas em entradas do Metropolitano de Lisboa. A deputada municipal sublinhou que a iniciativa não pretendia atacar o PCP, mas condenar actos de “vandalismo” que talvez nem fossem caucionados pela direcção do partido.

As frases a tinta vermelha, escritas em Agosto e ainda visíveis, atacavam o bombardeamento da faixa de Gaza pelo exército israelita com expressões como “Fim ao genocídio” e “Palestina Livre”. Na moção falava-se apenas de “um conflito que não envolve Portugal”.

Luísa Aldim comentou que o partido não precisava de usar propriedade de terceiros para as pinturas “tanto mais que possui por toda a capital um conjunto variado de painéis que lhe permitem propagandear livremente as suas ideias”. E invocava a lei (nº97/88) para pedir ao colectivo que: “Censure todas as práticas de propaganda que impliquem a vandalização da cidade; Envie esta recomendação ao Metropolitano de Lisboa para que os custos de remoção e reparação sejam imputados legalmente à entidade prevaricadora.”

Assim que teve a palavra, o comunista Modesto Navarro, atirou-se à moção centrista dizendo tratar-se de um texto de cariz “repressivo” e “silencioso sobre o essencial” – “a morte de 2000 crianças, homens e mulheres na Faixa de Gaza” – e “contra a liberdade de expressão em Lisboa”. E recordou que, após o 25 de Abril, já o antigo presidente da CML Nuno Krus Abecasis tutelara “as primeiras iniciativas contra a livre expressão em Lisboa”, mandando retirar cartazes da via pública.

A eleita centrista repetiu não querer impedir a liberdade de expressão ou as pinturas mencionadas. “Há locais para o fazer, não é nos muros. Aí, sim senhor, devem fazê-lo e merecem todo o respeito, mas nos muros não”, justificou.

Navarro, já em declaração de voto, insistiu que o texto de Luísa Aldim “apenas aponta para a repressão, para o pagamento de indemnizações, como se a expressão pública da vontade política fosse um crime”.

A assembleia acabou por aprovar a “Moção 5/40 – Contra a vandalização do património público”, com os votos contra do PCP, PEV, BE e Independentes, as abstenções do PAN e de um eleito do PS e as expressões favoráveis do PS, PSD e, CDS.

  • Maria de Morais
    Responder

    vandalismo

  • Luís Leite
    Responder

    Os fins não justificam todos os meios.
    Escrever (ou riscar) em paredes, sem autorização do proprietário, é uma javardice.

  • Patrícia Ricardo
    Responder

    Quando não o fazem em paredes com algum peso histórico ou em azulejos, por exemplo, é livre expressão. Se o povo não é ouvido pela palavra dita, porque não ser lido?

  • Luís Leite
    Responder

    Mais que vandalismo, javardice impune! Portugal no seu melhor!

  • Caty
    Responder

    Como não são os nossos filhos que morreram no conflito, diz-se que o conflito não é nosso! O sítio pode não ser o melhor mas em alturas de genocídio como o que aconteceu em Gaza há poucas semanas há que acordar as consciências. A vida vale mais que uma pintura que pode ser apagada quando já não fizer falta.

  • José
    Responder

    vandalismo. E É CRIME.

  • Leonor Tomahawk
    Responder

    quais são os sítios ditos adequados para o fazer? sem ter que gastar balúrdios de dinheiro de preferência..

  • João Camacho
    Responder

    Há poucas paredes escritas com motivos políticos. Contem comigo para espalhar a boa palavra e já agora contrariar os fascistazinhos de algibeira.

  • Célia Cruz
    Responder

    Temo pelo estado em que ficará a cidade no dia em que, por exemplo, o PCP descobrir que o regime da Coreia do Norte mata o seu povo à fome.

  • LGF Lizard
    Responder

    Desde quando a guerra em Gaza se tornou um “genocídio”?
    Ah, e o autor esqueceu-se de completar a frase “Palestina livre”.
    A frase seria “Palestina livre… de judeus”, mas ainda não é cool para a malta da extrema-esquerda se assumirem como anti-semitas.

  • Aqui Mora Gente
    Responder

    Esta “liberdade de expressão” também ocorre nas paredes dos prédios privados e concerteza que os senhores deputados não gostariam de ter as paredes das suas casas com slogans grafitados.

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