A Marisa ainda lhe custa acreditar. Como se já não bastassem as dificuldades quotidianas, de cada vez que pretende deslocar-se, o agravo, desta feita, chegou pela internet. A empresa promete averiguar.

 

Texto e fotografia: Samuel Alemão

 
Uma utente da CP que se desloca em cadeira de rodas foi insultada por um revisor, no dia 19 de Outubro, através de uma mensagem privada na sua conta de Facebook. “Aconselho-te vivamente a procurares um psicólogo porque tens um problema mental. Despeço-me atenciosamente. Revisor Pernes Mendes”, termina assim a mensagem, na qual o funcionário da empresa ferroviária critica a passageira, aparentemente, por esta ter apresentado uma reclamação relativa ao serviço prestado a pessoas com mobilidade reduzida. A passageira formalizou, no início desta semana, queixa contra o revisor. A CP, que desconhecia o caso, diz que o vai investigar. E, caso se justifique, retirar “as devidas consequências”.

 
Marisa Lino, 29 anos, é portadora de uma deficiência que a obriga a mover-se em cadeira de rodas eléctrica. Reside em Alverca e, de cada vez que pretende vir a Lisboa, de comboio, tem que se submeter a uma das condições básicas do Serviço Integrado de Mobilidade (SIM) da CP: fazer a marcação da viagem com 48 horas de antecedência. O agendamento é efectuado por e-mail, apenas nos dias úteis. As viagens são, posteriormente, confirmadas pela transportadora. Mas os clientes nas condições de Marisa têm de se conformar com a imposição de não poderem viajar após as 20h30 – horário de encerramento da maioria das bilheteiras nas estações de caminhos-de-ferro. Por causa dessa imposição e de duas falhas relativas ao SIM, consigo ocorridas, Marisa decidiu apresentar reclamações.

 
Uma da reclamações dizia respeito ao facto de, numa das viagens, em vez de sair em Entrecampos, ter ficado na estação de Benfica, devido ao esquecimento de um revisor. Na altura, a situação foi resolvida pelos funcionários, mas Marisa entendeu que, ainda assim, deveria apresentar reclamação. Noutra situação idêntica, a passageira viu-se quase a fazer o percurso de volta do comboio, na direcção Alverca-Sintra, porque ninguém se lembrou de a fazer sair em Alverca, quando chegou de Lisboa. A sua sorte foi ter sido vista por um rapaz que estava no cais, e que, ao aperceber-se da sua expressão de impotência, avisou os funcionários. E lá foi retirada da composição. Quer para subir, quer para descer, é necessário que alguém coloque uma rampa entre a carruagem e o cais.

 
Mas, para além destes incidentes particulares, o que motiva o descontentamento de Marisa – e de outras pessoas na sua condição – é a espécie de recolher obrigatório imposto pelos horários. Depois das 20h30, é impossível viajar. Com todas as consequência que tal acarreta a nível social. A título de exemplo, esta cliente pretendia participar em aulas de dança adaptada a cadeira de rodas, na zona de Alvalade – para as quais havia sido convidada por uma amiga –, mas não o pôde fazer porque eram das 18h às 19h30. Tarde de mais para poder apanhar um autocarro para Entrecampos e, depois, tomar o último comboio disponível de acordo com o previsto no SIM.

 

 

Esta situação, associada à antecedência com que tem de sinalizar o comboio em que pretende viajar, leva-a a sentir-se altamente constrangida e manietada nos seus direitos de cidadania. “Estou fechada em casa, gostava de fazer coisas, de participar, ocupar a minha mente. Nem a manifestações posso ir, para defender os meus direitos”, lamenta Marisa, actualmente desempregada. A imposição horária, de resto, impede-a de poder sequer sonhar com trabalho num horário nocturno ou com acções de formação em horário pós-laboral. Tem perdido oportunidades. Mas não só: “A minha vida social está muito limitada, não posso ir jantar com amigos ou ir a um bar”, lamenta. Por isso, apresentou também uma reclamação junto da CP, apelando a uma maior flexibilização dos horários e da operacionalidade do serviço especializado para clientes com necessidades especiais. É uma luta que pretende continuar a travar. E que a tem levado também a escrever sobre o assunto no Facebook.

 
Foi através desta rede social, contudo, que ela teve a mais inesperada – e indesejada – das reacções. A 19 de Outubro, algumas semanas após ter formalizado a última das suas reclamações junto da CP, recebeu uma mensagem privada na sua conta de Facebook. Era de alguém chamado Pernes Mendes. Pessoa que Marisa, de início, não tinha a mínima ideia quem fosse e, muito menos, fizesse parte da sua lista de “amigos” na rede social. Dizia: “E uma pena não reconheceres o trabalho dos revisores da CP que diariamente te auxiliam nas tuas deslocações , no entanto mostras-te a quem quis ver a tua falta de educação . Se queres lutar por um direito não e desta forma que o vais concretizar. Mais não te esqueças que os revisores da CP são pessoas de bem e ate a data não tiveram um comportamento lamentável como o seu. A concelho- te vivamente a procurares um psicólogo porque tens um problema mental. Despeço-me atenciosamente revisor Pernes Mendes”. Ipsis verbis.

 

Mensagem do revisor

 

A mensagem que apanhou Marisa Lino de surpresa vai ser investigada pela companhia

 

A primeira reacção foi de estupefacção. “Li aquilo várias vezes. Nem queria acreditar”, diz. “Nunca fui mal-educada com ninguém, nem sequer formalizei uma queixa contra alguém em particular”, afirma Marisa, que, após o choque inicial, relacionou o sucedido com as reclamações que apresentara umas semanas antes. “Ou ele encontrou algo que eu escrevi no Facebook ou, então, viu o meu nome nas reclamações que apresentei na CP”, afirma a passageira, que se confessa surpreendida, e apreensiva, com a possibilidade de a sua queixa ter desencadeado uma atitude persecutória por parte de um funcionário da ferroviária. O que levanta também questões sobre a privacidade das bases de dados dos clientes e da correspondência por si trocada com a empresa.

 
“De certa forma, julgo que ele me quis intimidar”, considera Marisa Lino, que, agora, vai apresentar uma queixa formal à empresa, “para que situações destas não se repitam”. A queixosa sente-se melindrada, pois, dias após ter recebido a mensagem, verificou que o dito revisor – de quem ela se veio a recordar ser, afinal, um dos funcionários em serviço na ligação por si utilizada – a havia já “marcado”, alguns dias antes. Isto porque ele optou por activar a funcionalidade do Facebook através da qual poderá seguir a conta de Marisa sem lhe ter sequer feito um pedido de amizade. Observando o perfil de Pernes Mendes na rede social, ontem, podia verificar-se que, de facto, ele estava a seguir a actividade de Marisa.

 
Questionada pelo Corvo, a CP prometeu averiguar o caso. “A CP confirma que tem nos seus quadros um operador de revisão e venda com o nome Pernes Mendes”, respondeu, ontem, por e-mail, Ana Portela, directora de Relações Institucionais e Comunicação da transportadora. “Perante a apresentação de reclamações relacionadas com a sua atividade, esta empresa procede sempre à averiguação de todas as circunstâncias que originam ou estão relacionadas com as situações em causa. Não deixará de o fazer também neste caso. Apurados os factos, caso constituam violação do dever laboral, serão retiradas as devidas consequências”, disse.

  • pedron
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Utente deficiente insultada no Facebook por revisor da CP – http://t.co/brm6NwHBiy

  • Florbela Pereira
    Responder

    É inacreditável! Já partilhei.

  • Fred Teles
    Responder

    Despedir esse tal de Pernes é que era! Utente deficiente insultada no Facebook por revisor da CP http://t.co/3D5z3xsziw via @ocorvo_noticias

  • Nuno Lino
    Responder

    Bem em guerra com razões e não sem elas ,força amiga tens direito e dever de te defenderes!Comer ou ser comido!

  • Fátima Campos
    Responder

    Utente deficiente insultada no Facebook por revisor da CP http://t.co/nuZM9WRtUV via @ocorvo_noticias

  • Fátima Campos
    Responder

    Utente deficiente insultada no Facebook por revisor da CP http://t.co/jDcgZILYoO

  • Fatima Barata
    Responder

    É mesmo inacreditável… espero que a CP encontre rápidamente o revisor que te enviou essa triste e lamentável mensagem. Força amiga! Bj

  • Diogo Martins
    Responder

    Anda uma pessoa a defender os transportes, e os comboios em particular, e depois aparecem… coisas destas -> http://t.co/tfKbAEKK6C

  • Filipe Nascimento
    Responder

    Mas estarei eu parvo, para alem do revisor? No meu entender o que aqui está mal para alem do comportamento do funcionário, é o funcionamento do serviço para auxilio a deficientes? o quê? serviço??? nem devia haver! avisar com antecedência?deve ser brincadeira… Os deficientes devem ter um serviço igual a qualquer outro cidadão, sem ter de avisar quem quer que seja. E em caso de surgir uma urgência, não tem modo de viajar? atraso de vida mascarado com um serviço com um nome especial. A CP e a REFER apenas têm de cumprir a legislação e adaptar tanto as estações como as carruagens para que cada um consiga utilizar os serviços sem ter de pedir ” Se faz favor a ninguém “. Este sim é o verdadeiro problema e o que faz despoletar toda esta situação. Acessibilidade é o nome que não existe nos serviços deles, e mascarão a situação dando nome a um serviço, com aviso antecipado de 48 horas… VERGONHOSO! em mais lado nenhum da europa isto se vê, e andam os contribuintes a pagar isto.

  • Jorgeb Paulino Moleiro
    Responder

    As empresas deveriam de mudar a postura no qual como tratam os clientes quer sejam deficiêntes ou não.

    • paulo
      Responder

      as empresas de transporte são obrigadas a ter as acessibilidades para deficientes motores por imposição da lei no entanto quem falta no mesmo cumprimento da lei é quem fiscaliza e verifica se as empresas tem ou não acessibilidades para essas mesmas pessoas, não basta ter dois ou três lugares disponíveis para grávidas e pessoas idosas para se sentarem.

  • a_luta
    Responder

    Utente deficiente insultada no Facebook por revisor da CP http://t.co/2bFUsg6FMn

  • Denise Campos
    Responder

    Gosto muito dessa citação do Carl Jung!
    Marisa, não nos conhecemos, isso pouco importa; prefiro não falar desse cidadão, tão “pobre” de espírito, q tem uma mente tão pequena e um coração, feito um “iceberg”; pq não vale a pena! Eu quero deixar aqui todo o meu apoio a você; quero que saibas que podes contar comigo; não posso fazer muito ou quase nada; mas sempre há algo que se possa fazer, não é mesmo? Deixo aqui, o meu carinho, e… Força!
    Sou brasileira, vivo e moro no Brasil. Um abraço!!! 🙂
    A MAIOR JUSTIÇA, É A JUSTIÇA “DIVINA”, E ESTA NÃO FALHA!!!

  • Nuno Rebelo
    Responder

    Portugal não é para deficientes “Utente deficiente insultada no Facebook por revisor da CP http://t.co/Z8NuERcWRt via @ocorvo_noticias”

  • Marco Costa
    Responder

    RT @RebeloNuno: Portugal não é para deficientes “Utente deficiente insultada no Facebook por revisor da CP http://t.co/Z8NuERcWRt via @ocor…

  • António Simões
    Responder

    A CP sempre foi uma merda, quer no atendimento aos passageiros (é só revisores trombudos, sem o mínimo de respeito e com maninha que são gente), quer a cumprir horários.

  • alias
    Responder

    é muito fácil contar a versão que bem lhe cabe, para parecer vítima. Honesto e verdadeiro era contar que viaja sem pagar bilhete, porque nao conta isso? Porque não conta que a antipatia é meramente tua! Porque não conta que faz pedidos de viajem e nao aparece ou então que viaja fora dos horarios que solicitou? Porque não conta que usa a sua deficiencia para viajar à borla na CP? que a mais de 2 anos que nem passe tem? que nao paga as viajens que tanto se queixa? Já não é a primeira vez que usa a net para defender-se, mas esquece-se que no seu facebook pessoal, farta-se de ofender gratuitamente os trabalhadores na CP que nunca a impediram de viajar mesmo nao tendo bilhete pago. quando um dito trabalhador, publica a sua opiniao, aí já é válido vir a um blog e denunciar algo que é mentira? Tenha santa paciência, crie vergonha na cara e no mínimo pague a viajem que faz, não reclame tanto, e durante o dia tente demostrar mais simpatia . quem a vê na rua, repara logo a tua cara fechada e de mal disposta. Cure-se desse humor negro e tenha mais respeito porque quem trabalha e pela empresa que sempre a ajudou! O que esse Revisor alega é verdade. és ingrata!

    • André Sebastião
      Responder

      “alias” tem provas que a Marisa ofendeu os trabalhadores da cp na sua pagina do facebook? Mostre. Tem provas que ela anda nos comboios sem bilhete? Mostre. Eu conheço-a de vista e sempre que a encontro na estaçao vejo-a tirar bilhete e sempre que a via durante a semana, penso que para ir trabalhar, praticamente todos os meses a via a carregar o passe. Mas se duvida peça-lhe quando a vir (acho que ela nao se vai importar). Se tiver coragem de dar a cara, claro, ja que nem teve para dar o nome. Mostre tudo o que afirma ser verdade tal como ela mostrou a mensagem que esse revisor mandou. Porque nao diz o seu nome verdadeiro? Tem medo. Rico homem voce é. Lol. Voce e daqueles que trata os deficientes como coitadinhos? Que acham que por os ajudarem que têm de ficar eternamente gratos e por isso, como ja têm mt têm que se calar? Ignorante. Completamente ignorante. Acha que os deficientes precisam de solidariedade? Não, precisam é que os tratem como pessoas. Precisam que lhes dêm todas as condiçoes para poderem viver com dignidade. Se são pessoas fechadas, se nao mostram o que são quando vão na rua, isso faz-lhe tanta comixao porque? Voce e maluquinho? Anda na rua sempre a rir? Lol. Eles nao, têm postura. Tanta postura temos que lutam com provas e nao falam apenas por falar. Dizem “obrigado” sempre que os ajudam e chega. Pois é. Nao sera o senhor um grande deficiente? Aceita um desafio? Sente-se numa cadeira de rodas durante uma semana. Sente-se e viva nas condiçoes de um deles. Talvez assim perceba e deixe de falar tanto. Agora digo lhe eu, oiça as duas versoes e nao apenas aquela que lhe convem. Eu tenho um irmão tb deficiente e vou lutar por ele e pelos outros doa a quem doer. E so um àparte, aqui ha dias, quando precisei viajar com a minha irma de comboio disseram me quee ela nao precisava tirar bilhete. Entao como e? Peçam mais informaçao e formaçao. Ou voces so servem para pedir o bilhete as pessoas e andarem no comboio como se de um passeio se tratasse? É que sempre que ando de comboio, felizmente nao sao muitas as vezes, nao vos vejo a fazer nada. Vejo-vos agarrados aos telemoveis a falar e a mandar mensagens ou entao a falarem com amigos. Depois, de vez em qd e q la se lembram q têm de validar bilhetes. Entao e estes podres, nao fala poeque? Ah ta bem. Defendem-se todos uns aos outros mas e serem verdadeiros? Quando e que os deficientes vao poder andar de comboio a noite nos comboios da cp?

  • LOL xD
    Responder

    LOOOL perda de tempo e alguém sem nada para fazer.

  • Carlos Alves
    Responder

    Após uma leitura atenta a toda esta situação, verifico que o Sr. Pernes Mendes, Revisor da CP. é uma pessoa de carácter, pois emitiu a sua opinião e assinou com o seu nome, coisa que 99,9% de todos os que aqui opinam, não o fazem refugiando-se debaixo de nomes ficticios, toda esta situação surgiu exactamento porque, não foi o Zé das Iscas ou o Francisco da Viola que disse ou escreveu foi sim o Sr. Pernes Mendes Revisor da CP.
    Quanto ao Sr. jornalista certamente não fez a sua função antes de divulgar toda a história, pois fez o mais facil, agarrou numa versão da história, e sem se quer procurar ouvir o outro lado, a outra parte interveniente, não a grande CP, mas a pequena CP, como por exêmplo os Revisores e funcionários da bilheteiras que lidam com a Srª Marisa Lino, publicando uma noticia tendenciosa.
    Acabo por dizer que a origem da indignação do Sr. Pernes Mendes e de todos os funcionários da CP, não tem a ver com reclamações apresentadas por esta senhora, mas sim pelas opiniões que a mesma escreveu no seu facebook, sobre os seus funcionários e o serviço prestado pela mesma.

  • Leonor
    Responder

    Não conheço a jovem em questão mas isso também pouco importa. Só quero dizer que é uma tristeza o que se passa em portugal. Eu moro na holanda e aqui os deficientes são tratados como pessoas e não como gente de segunda categoria, aqui podem andar de comboio às horas que querem e bem lhes apetece. É triste as palavras desse “alias” e do senhor Carlos Alves, estão literalmente a desculpar-se dos próprios erros com os erros da jovem. E mesmo muito triste. Ainda falam de maneira que por outras palavras dizem:” muita sorte já têm em poder andar andar de comboio”. Por amor de deus, haja respeito. O erro maior é vosso. Se ela andou sem bilhete, azar o vosso, pedissem-lhe. Não pediram agora querem o que? Tenham paciencia. Não venham para aqui lavar roupa suja já que se julgam tão sensatos. Uma coisa é ela ter andado sem bilhete, outra é o facto de os deficientes nao poderem andar de comboio a partir das 20h30m, nao misturem as coisas por favor…. Uma vergonha para portugal.

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