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Há mais de quarenta anos que António Cabral, da Bizâncio, atende e aconselha leitores com a satisfação de fazer o que gosta. O Corvo falou com um vendedor que está na Feira do Livro desde 1974.

 

 

Texto e fotografia: Rui Lagartinho     Ilustração: Sofia Morais

 

 

É ele quem abre e fecha o pavilhão. Durante 19 dias, dois terços da vida de António Cabral, 63 anos, são passados no pavilhão da Bizâncio na Feira do Livro. Ele, que passa o ano inteiro a visitar os outros, em especial os livreiros – ossos do ofício de vendedor -, dá-se ao luxo de ser, por estes dias, quem recebe os amigos que fazem questão de o visitar todos os anos para saber novidades da Feira. Vêem ver o Toni, o nome pelo qual é conhecido no meio.

 

 

É assim há 41 anos. Desde 1974, ano que até foi de revolução para todos. António estreou-se nisto de fazer feiras, por coincidência, com a chegada da liberdade, ainda a feira se realizava na avenida com o mesmo nome. Vagueou com a Feira pela Rua Augusta e pela Praça do Comércio, antes de se fixar aqui no Parque Eduardo VII, como recorda, enquanto vende mais um livro da série compositores clássicos, desta vez Puccini, um dos best sellers da Bizâncio.

 

“A Feira arrancou bem, mas estamos sempre a falar num contexto de crise. Percebe-se que, quando chegam aqui, as pessoas já fizeram muitas contas para poder comprar alguma coisa”, conta-nos, um pouco resignado. Os tempos não estão fáceis para as pequenas editoras independentes. Mas aqui há pelo menos uma certeza, “trabalha-se por amor à camisola”.

 

E ganha-se, continua a explicar António, no “prazer com que, de ano para ano, os clientes fiéis regressam para se aconselhar para dizer que o livro que escolhemos o ano passado lhes agradou”.

 

Pela feira passam todo o tipo de clientes, o horário alargado permite a escolha do melhor momento para passar pela Feira, mas, segundo este vendedor, até às 15 horas, o movimento não justifica: “A Feira devia abrir a essa hora. Poupava a energia dos que cá trabalham.”

 

António não deixa partir O Corvo sem puxar o lustro à coqueluche deste ano da Bizâncio: “150 anos de arte moderna num piscar de olhos” de Will Gompertz. Uma viagem pelos caminhos da arte, que começa com os Impressionistas e que liga, como se de uma intrincada rede de metro se tratasse, todos os movimentos que conduzem à arte de hoje.

 

 

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