O túnel que liga a Avenida da Igreja ao Jardim do Campo Grande poderia até ser de grande utilidade, sobretudo para quem tenha crianças, já que evita atravessar uma zona de grande tráfego automóvel e tem uma saída justamente para a zona do parque infantil. Mas nas condições em que está o túnel, escuro e fétido, são as próprias crianças a pedir aos adultos que não as levem a passar por lá. “Uh, cheira mal, cheira a xixi”, dizia há poucos dias uma miúda ao passar por lá, apertando o nariz em sinal de desconforto.

A questão não é nova, nem tem a ver com a recente transferência de competências de higiene urbana para a junta de freguesia de Alvalade. Já em 2013, uma das propostas apresentadas ao Orçamento Participativo pedia, precisamente, a revitalização e limpeza deste túnel, ou seja, pedia apenas que a câmara de Lisboa cumprisse as suas responsabilidades.

“O túnel que une o Jardim do Campo Grande à Avenida da Igreja necessita de obras de limpeza e reabilitação, bem como de algum reforço da segurança. A presença de lixo, um cheiro nauseabundo e a falta de iluminação, fazem dele um espaço que não convida à circulação. A sua reabilitação não implicaria somas muito avultadas”, afirmava a proposta que foi enquadrada na área da mobilidade, mas não constou na lista das vencedoras.

 

Campo Grande 2

 

“O túnel é diariamente atravessado por um número elevado de transeuntes, que extrapola os residentes da freguesia. É demasiado frequente a acumulação de lixo, bem como um odor desagradável a urina. Será importante não só uma limpeza mais regular, como apostar numa melhor iluminação e num revestimento que torne o túnel mais claro. Muitas pessoas têm receio de o atravessar, por uma questão de segurança – talvez um policiamento mais frequente”, sugeria ainda esta proposta.

Pelo que até agora se pode apreciar, ela não surtiu qualquer efeito. Ainda que, actualmente, duas lâmpadas estejam acesas no túnel – o que continua a não ser suficiente para entusiasmar as pessoas a usá-lo com confiança, todos os restantes problemas se mantêm. Continua a ser um túnel mal-cheiroso, como dizem as crianças.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

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