A construção de um grande canal subterrâneo, com uma extensão de cerca de cinco quilómetros, entre Monsanto e Santa Apolónia, será a peça central da nova versão do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL), que assim tentará minimizar o efeito das cheias recorrentes na capital. “Trata-se do projecto mais importante e mais estruturante, das próximas décadas, para a cidade de Lisboa”, assegurou Fernando Medina, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), durante a apresentação pública do plano, ocorrida na manhã desta segunda-feira (13 de Julho), no salão nobre dos Paços do Concelho. A execução do programa implicará um investimento total de cerca de 170 milhões de euros.

 

A actualização do PGDL, cuja implementação ocorrerá entre 2016 e 2030, entrará em consulta pública nesta quarta-feira (15 de Julho), após a sua aprovação na próxima reunião de câmara, num processo de auscultação que terminará em finais de Setembro próximo. Exactamente um ano após a ocorrência da primeira de um conjunto de três grandes inundações, que marcaram o início do Outono de 2014 e puseram em evidência a, há muito reconhecida, falta de preparação da maior cidade portuguesa para suportar grandes níveis de pluviosidade. “Este novo plano não elimina a ocorrência de cheias, mas visa uma redução fortíssima do número de eventos e as suas consequências”, diz Fernando Medina.

 

O novo sistema, que foi redesenhado pela mesma equipa que elaborou o plano em vigor desde 2006, aposta agora – e face às dificuldades sentidas no último ano – na construção de um grande anel subterrâneo, ligando Monsanto, Rua de Santa Marta e Santa Apolónia, cuja função primordial será a de evitar que as águas de aluvião se concentrem nas partes baixas da cidade. Em momentos de grande pluviosidade, os caudais provenientes dos vários subsistemas hídricos serão captados por esse novo túnel circular e enviados directamente para o Rio Tejo. Tal estrutura funcionará em articulação com a rede de outros canais de escoamento já existentes, bem como com os outros a construir. A ideia-base da nova versão do PGDL é de permitir a “intercepção dos caudais a meia-encosta”.

 

“Trata-se de uma resposta de fundo a um problema estrutural”, que tem sido frequente, em “consequência do desenvolvimento de Lisboa e dos concelhos vizinhos, mas também das alterações climáticas”, afirmou Fernando Medina. O autarca, que admitiu que a frequência e intensidade de tais fenómenos tem aumentado nos anos mais recentes, assegura que o projecto agora apresentado “se trata de uma solução mais eficiente, face a outras do passado”. E essa eficiência será sentida a diversos níveis, garante o presidente da CML. Não apenas permitirá “reduzir significativamente o risco de cheias, como será também mais eficiente em termos de custos, como da obtenção mais rápida de resultados”.

 

A cidade poderá começar a sentir os primeiros benefícios da entrada em execução deste ambicioso plano “daqui a quatro anos”, assegura Fernando Medina, embora tenha reiterado o facto de, tal como já fizera o seu antecessor António Costa, “não ser possível eliminar a ocorrência de cheias” – “tal está dependente de um conjunto de factores não totalmente controláveis”, até porque a cidade de Lisboa está na confluência de várias bacias hidrográficas. Ainda assim, estima, serão evidentes as melhorias decorrentes da construção “desta grande barreira, que desviará as águas da Baixa de Lisboa”. As obras desta infraestrutura deverão começar em meados de 2016 e durar cerca de três anos.

 

A construção deste canal subterrâneo terá início junto à estação de comboios de Campolide, ponto de entrada no conhecido caneiro de Alcântara, e será realizada com recurso a uma grande máquina tuneladora – em tudo semelhante às utilizadas para a construção dos canais por onde passa o metropolitano. Tal evitará a realização de obras de grande vulto à superfície, poupando os incómodos causados a pessoas e danos em património. Do custo total de 170 milhões de euros, uma centena de milhões será despendida já nos próximos cinco anos, sobretudo na realização dessa barreira subterrânea agora apresentada.

 

Um investimento que, explicou o presidente da autarquia, se irá realizar com recurso não apenas aos capitais próprios da edilidade, mas também a linhas de financiamento comunitário – as quais ainda terão, porém, de ser garantidas. Medina sublinhou o facto de uma parte substancial do orçamento das obras que agora se anunciam vir a ser suportada pela CML com recurso a verbas conseguidas através do muito criticado aumento de taxas de saneamento, realizado em 2015.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Tuga News
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    [O Corvo] Túnel de cinco quilómetros será construído para reduzir cheias em Lisboa http://t.co/bQs7OajH6k

  • São Lopes
    Responder

    Vão tentar “encanar” os rios que subterraram? Não me parece boa ideia, mas nem sou engenheira, nem nada….

  • Vítor Carvalho
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    Excelente, esperemos que resolva o problema.

  • Carlos Carvalho
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    Se fosse em Évora cheirava-me a esturro………

  • Carlos d'Olissipo
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    Há tanta coisa que melhorava na cidade com 170 milhões… por outro lado será esta a altura ideal de aumentar a dívida da cidade?

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