Os tuk tuk, veículos motorizados de transporte de turistas que em pouco tempo encheram as ruas de Lisboa, deverão ver a sua circulação restrita ao centro histórico da cidade, nas zonas “com acesso condicionado e no eixo ribeirinho compreendido entre Belém e Santa Apolónia, salvo quando a sua especificidade temática justifique a circulação noutras áreas de interesse turístico”. Esta é uma das recomendações à Câmara Municipal de Lisboa feitas pela comissão da Assembleia Municipal de Lisboa (AML) que analisou o problema do aparente caos desta actividade na capital.

 

O “relatório/parecer sobre os tuk tuk em Lisboa”, redigido pela 2ª comissão permanente da AML – encarregue de assuntos de Economia, Turismo, Inovação e Internacionalização -, será discutido em plenário nesta terça-feira (23 de Fevereiro) e faz uma apreciação muito negativa do impacto da circulação desregrada dos veículos, que competem entre si para angariar clientela. Depois de auscultar diversas pessoas, a comissão conclui que existe “um problema grave na cidade, para o qual urge encontrar uma solução”. “Existe um mal-estar provocado junto dos moradores e dos outros operadores de transportes ao qual se deve dar especial atenção”, constata o parecer.

 

O documento refere que “o número de veículos tuk tuk cresceu rapidamente, nomeadamente os poluentes e ruidosos, que são a maioria, dado o preço de aquisição ser bastante mais reduzido do que os ecológicos”. “Esta situação tem gerado bastante prejuízo por parte dos moradores, nomeadamente dos bairros históricos, já fustigados com problemas de ruído, que assim se vêm ainda mais privados do direito ao descanso”, nota o relatório redigido por Carla Madeira (PS), presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, território onde se incluem Bairro Alto, Cais Sodré, Príncipe Real, Bica, Largo Camões ou Santa Catarina.

 

Por causa disto, a comissão da AML avança com um conjunto de nove medidas que deseja ver implementadas pela câmara. Para além da referida delimitação geográfica das áreas da cidade onde os tuk tuk podem operar, pede, antes mais, que se proceda à regulamentação desta actividade e também que se “identifique o número existente de veículos e definir o número desejável de veículos em circulação”. O parecer pede ainda um aumento da fiscalização da actividade e, sobretudo, da segurança dos passageiros.

 

Outras medidas consideradas essenciais no parecer são a criação de locais de estacionamento e paragens bem definidos; a criação de “condições mais favoráveis para os veículos não poluentes e não emissores de ruído”; a implementação de uma “moratória para que todos os veículos em circulação sejam eléctricos num futuro” ou que “o horário da actividade respeite o descanso dos lisboetas e esteja adequado a uma actividade turística que se pretende que seja essencialmente diurna, salvo os casos em que o impacto tanto ambiental como sonoro destes veículos possa ser minimizado”.

 

Texto: Samuel Alemão

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