Depois de décadas seguidas de hemorragia populacional, a capital do país quer reganhar população. “Lisboa pode voltar a ter, pelo menos, 700 mil habitantes”, disse Manuel Salgado, vereador com o pelouro do Urbanismo, esta quinta-feira à tarde, nos Paços do Concelho, durante a apresentação pública da Semana da Reabilitação Urbana, que decorrerá entre 19 e 26 de Março próximos. O objectivo é ambicioso. Tendo em conta que, de acordo com o último levantamento, o Censos 2011, a cidade teria registados cerca de 540 mil habitantes, atingir tal meta corresponderia a um incremento de 160 mil residentes. A receita para tal viragem passará, segundo o autarca, pela aposta inequívoca, e há tanto tempo desejada, no mercado de arrendamento e na concessão de crédito às empresas para que possam fazer obras nos prédios.

“Precisamos de um novo paradigma, assente no arrendamento e na redensificação dos centros urbanos. Esta é uma oportunidade que não podemos desperdiçar”, disse Salgado, depois de rememoriar as etapas do longo processo que levou “à falência do modelo que nos trouxe à actual situação”. E ela é, há já bastante tempo, sinónimo de deserção das pessoas dos centros urbanos das principais cidades portuguesas. A capital terá perdido cerca de 300 mil habiantes nos últimos 30 anos. Só em Lisboa, segundo o vereador, existirão cerca de 50 mil fogos desocupados, seja para arrendar, vender ou em avançado estado de degradação. Ainda de acordo com estimativas do responsável municipal pelo urbanismo, do parque habitacional da cidade, cerca de 10% estará em “mau estado” e 6% em “ruína”.

Manuel Salgado acha que, por isso, a reabilitação é “um processo inevitável”. Até porque, salienta, para além das contingências impostas pela actual conjuntura económica, estão criados os mecanismos que empurrarão a generalidade das pessoas para a opção de arrendamento e não de compra – como haviam feito até há bem pouco tempo. Entre eles está a Lei das Rendas, criada pelo actual Governo. “Só falta que se conceda o crédito às empresas. É o nó que falta desatar para alavancar o mercado do arrendamento”, disse Salgado, garantindo que a cidade ganharia mais 20 mil habitantes apenas com a ocupação dos edifícios que actualmente estão devolutos.

A Semana da Reabilitação Urbana, organizada pela revista Vida Imobiliária e a empresa Promevi, em colaboração com a autarquia lisboeta, será a forma de atrair as atenções para o que se pretende que seja uma dinâmica sempre em ascenção. Serão realizadas conferências, tertúlias, workshops, exposições e prémios, bem como haverá lugar para instalações urbanas e várias outras actividades de animação cultural, a decorrer sobretudo no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço – local onde, nessa semana de 19 a 26 de Março, funcionará o Espaço da Reabilitação Urbana. “Será uma festa aberta à cidade”, prometeu António Gil Machado, director da Vida Imobiliária, para quem a reabilitação urbana “já é uma realidade vibrante e renovadora, não uma mera promessa política, como no passado”.

 

Texto e fotografia: Samuel Alemão

Comentários
  • Aqui mora gente
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    Se a CML continuar a promover o mesmo modelo de animação nocturna que hostiliza os moradores no Centro Histórico, nem sequer conseguirá reter aqueles que já aqui vivem e reabilitaram o património edificado às suas custas.

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