O ex-presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, acha que as juntas de freguesia da cidade de Lisboa “são corruptas” e dirigidas por “incompetentes”. A opinião foi expressa, ao princípio da noite de quarta-feira, durante o período de perguntas e respostas que se seguiu ao debate “As Cidades e o Desenvolvimento no Futuro”, decorrido num dos auditórios da Fundação Calouste Gulbenkian e com a participação dos presidentes das câmaras municipais de Lisboa e do Porto, António Costa e Rui Moreira, e do sociólogo António Barreto, encarregue da moderação.

Dirigindo-se a António Costa, disse: “O senhor acabou com a corrupção na Câmara Municipal de Lisboa, como é sabido. Mas o problema é que ela vai passar para as freguesias, porque vão lá estar os indivíduos que todos sabemos que são  incompetentes”. Por isso, concluiu, muita coisa não vai funcionar bem. Mas não fundamentou a opinião. O presidente da autarquia, quando ouviu tal coisa, deixou a sua máscara sorridente ser perturbada por um esbugalhar de olhos. E sentiu o desconforto de alguns na plateia – num debate integrado no ciclo de conferências “Olhares Cruzados sobre Portugal”, organizado pela Universidade Católica do Porto e pelo jornal PÚBLICO -, na qual se encontrava presente, pelo menos, uma presidente de junta.

António Costa teve que, quando lhe coube outra vez a palavra, sair em defesa das novas 24 juntas de freguesia que se preparam para receber competências e funcionários, no âmbito do processo de reforma administrativa em curso na cidade – “será a 1 de Março, se tudo correr bem”, promete. “Não partilho do receio de que a transferência de novos poderes para as freguesias vai trazer mais corrupção. Antes pelo contrário”, afirmou o presidente da câmara municipal, acabando por profetizar que, com as novas incumbências, e “sendo a proximidade aos cidadãos maior, a fiscalização exercida pelos mesmos será também mais eficaz”.

 

Texto: Samuel Alemão

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