O assunto tem dado que falar e tão cedo não deixará de ocupar o topo dos temas mais debatidos em Lisboa. Porque mexe com a vida das pessoas. O conflito entre, por um lado, a necessidade de proceder à regeneração do muito património imobiliário degradado ainda existente na capital portuguesa e, por outro, a importância de criar condições que permitam à classe média continuar a viver no centro da cidade a preços condizentes com os seus rendimentos vai alimentando um intenso debate. Isto porque o enorme crescimento da actividade turística tem, com muita frequência, sido apontado como o maior facilitador do processo de renovação do edificado da capital, mas também como um forte responsável pelo aumento das rendas.

 

Este será, por certo, um dos assuntos incontornáveis da III Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, que começa nesta segunda-feira (4 de abril) e cuja sessão de abertura (14h30) contará com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. Até ao dia 10 (domingo), haverá lugar para conferências, exposições, tertúlias, prémios, workshops, uma hasta pública de património do Estado – dentro do qual se inclui a venda do antigo Hospital da Marinha -, dia 8, pelas 19h, e até à apresentação pública pelo Governo do Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado, no dia 6 (quarta-feira), pelas 17h.

 

O papel aparentemente incontornável do turismo como grande dinamizador desse processo de reabilitação de Lisboa será, pois, um dos temas centrais da semana temática – organizada pelo Vida Imobiliária e pela Promevi, com o apoio da CML. Associado à actualização das rendas, o sector tem sido responsável por investimentos que têm tido um enorme impacto na recuperação do decrépito edificado da cidade, num papel que está longe de ser pacífico. Isto porque há cada vez mais gente a queixar-se de uma excessiva preponderância da actividade turística sobre as tradicionais funções residenciais, do comércio local e até dos serviços, sobretudo nos bairros históricos.

 

Para muitos proprietários, esta tem sido a forma mais eficaz de rentabilizarem os seus imóveis. Um assunto que será, precisamente, tema de uma das diversas conferências organizadas durante esta semana: “Alojamento Local e Turismo – Uma Oportunidade para os Proprietários”, a decorrer nesta terça-feira (5 de abril), a partir das 14h30, na Sociedade de Geografia de Lisboa, e organizada pela Associação Lisbonense de Proprietários. “O turismo é em Lisboa (…) alavanca da reabilitação urbana, dinamizando a recuperação de edifícios de habitação e contribuindo para a revolução de um comércio cada vez mais atrativo!”, diz o texto de apresentação da conferência, que tentará ajudar os donos dos edifícios a aproveitarem a grande dinâmica turística.

 

“As formas de alojar o turismo tem-se diversificado em formatos e ofertas para todos, desde hotéis, hotéis e alojamento local! Como é que os proprietários podem tirar partido desta nova realidade? Quais as parcerias que tem disponíveis e como podem rentabilizar os seus ativos neste novo contexto?”, complementa a descrição da conferência – que tem Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, como convidada a presidir a sessão de abertura. “A nova realidade do Alojamento Local no contexto de Lisboa”, “Aspectos jurídicos e fiscais do Alojamento Local” e “O licenciamento do Alojamento Local e a visão da cidade” são alguns dos assuntos que merecerão comunicações e debate no âmbito desta conferência.

 

A importância da valorização turística da capital é ainda destacada na apresentação de outra das conferências, “Lisboa para investir, Lisboa para Viver”, que acontece a partir das 14h30 de 8 de Abril (sexta-feira). “Lisboa é cada vez mais um palco de investimento. Destaca-se como um espaço de rentabilização de ativos. Um refúgio de captação e proteção de poupanças. Nessa medida, Lisboa é sem dúvida um ‘ativo’. O seu apelo decorre da dinâmica da procura turística e internacional, mas beneficia também do contexto de incerteza que afeta outras alternativas de investimento, designadamente os mercados de capitais e de dívida”, enuncia-se, antes de se questionar: “Qual o desempenho observado? Quais os riscos e potencial que enfrenta?”

 

“Em paralelo, Lisboa é de quem lá vive ou trabalha. Como conciliar todas as dinâmicas observadas, umas vezes colaborantes, outras conflituantes? Quais a mudanças a inserir nas cidades para que sejam abertas aos que têm nela um ‘ativo’ e aos que nelas ‘fazem a sua vida’?”, interrogar-se-á nesta conferência, onde serão abordadas questões tão diversas como “Sistema estatístico da reabilitação urbana – Valorização e preços”, “Investimento imobiliário – Risco e rendibilidade” ou a “Intervenção no Espaço Público em Lisboa”.

 

Mais informação: www.semanadareabilitacao.com

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Leonor Gomes
    Responder

    mas que reabilitação urbana? – a de recuperação de fachadas??? tudo limpinho e arrumadinho para turista ver? e o resto? o principal? AS PESSOAS!

  • Vera Marreiros
    Responder

    As pessoas só contam se tiverem um grande rendimento e possam pagar rendas chorudas.

    • Vasco
      Responder

      Vá ao centro histórico das outras capitais europeias e veja o valor das rendas.

  • João Almeida
    Responder

    . https://t.co/qtyu4yVyWs Será o turismo a única via para conseguir a desejada reabilitação urbana de Lisboa? | O Corvo | sítio de Lisboa

  • AIPEX XPS Portugal
    Responder

    O turismo dinamiza a recuperação de edifícios e contribui para a revolução de um comércio mais atrativo #SRU #Lisboa https://t.co/Kb3zhfguFx

  • Isabel Braga
    Responder

    Na zona do Príncipe Real, as pessoas que moram em casas alugadas estão a ser empurradas para sair, com a ajuda de alguns trocos, que, no caso dos mais velhos, resultam sempre, pois a pressão é exercida sobre os seus familiare, muitos com difculdades financeiras. Uma vergonha mesmo.

    • Vasco
      Responder

      Há muita casa barata para alugar nos arredores, com elevador e tudo.

  • Joao Villalobos
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Será o turismo a única via para conseguir a desejada reabilitação urbana de Lisboa? – https://t.co/5gefa8as5P

  • Alexandre Reigada
    Responder

    De Lisboa, navegando, já não partem as naus.

    A Lisboa chegam, voando, bandos de lacraus,

    hordas de bêbados e hienas no cio

    embarcados nos fundos da Europa,

    inundando as nossas ruas de vazio.

    Maldita tropa!

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