Numa área central de Lisboa, existem oito museus que falam da arte, ciência e história da cidade, agora visitáveis através de um bilhete único, a preço reduzido e utilizável durante três dias.

 

Texto: Isabel Braga    Fotografias: João Paulo Dias

 

Oito museus de Lisboa entre as Amoreiras e o Chiado – Museu Arpad Szenes- Vieira da Silva, Museu da Água, Museu Nacional da História Natural e da Ciência, Museu Geológico, Museu Arqueológico do Carmo, Museu da Farmácia, Museu de São Roque e Museu do Chiado – proporcionam, desde Agosto, condições especiais de ingresso.

Assim, quem adquirir um bilhete a preço normal em qualquer um dos museus aderentes terá direito a descontos de vinte por cento no preço dos restantes, válidos por um período de três dias. A iniciativa, denominada “Passeios com Arte e Ciência”, tem como objectivo captar novos públicos para os museus e dar a conhecer uma grande diversidade de acervos e colecções que abrangem diferentes áreas, desde a arqueologia à história e história de arte, passando pelas Belas Artes e pela história da ciência.

Quem começar a visita pelas Amoreiras, encontrará, no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, mais de três mil obras de pintura, desenho e gravura da autoria dos dois artistas que dão o nome à instituição, e ainda de 160 artistas portugueses e estrangeiros que integravam a colecção privada do casal formado pelo artista Arpad Szenes, nascido na Hungria, e por Maria Helena Vieira da Silva, natural de Lisboa, ambos destacados representantes da Escola de Paris.

O Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, a poucos metros de distância, do outro lado do jardim com o mesmo nome, é um dos quatro núcleos do Museu da Água, formado ainda pelo Aqueduto das Águas Livres, o Reservatório da Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. Este conjunto de monumentos e edifícios construídos entre os séculos XVIII e XIX fazem parte da história do abastecimento de água à cidade de Lisboa. Componente essencial desse serviço, o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, projectado por Carlos Mardel em 1752, tem, no seu interior, a Arca de Água, com sete metros de profundidade, cuja capacidade ronda os 5.500 metros cúbicos.

 

Lisboa , Museu Arpad szenes Vieira da Silva

 

Atravessando o Largo do Rato e entrando na Rua da Escola Politécnica, chega-se ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência, situado no edifício onde funcionou, até 1985, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O museu tem como focos de principal interesse o Jardim Botânico, que é monumento nacional, o Laboratorio Chimico e várias exposições de longa duração.

Poucos metros adiante, pode visitar-se outro núcleo do Museu da Água, o Reservatório da Patriarcal, situado no subsolo do Jardim do Príncipe Real. Trata-se de uma cisterna em alvenaria, de forma octogonal, construída entre 1860 e 1864, donde partem três galerias subterrâneas.

Descendo a Rua do Século e virando na quarta rua à direita, entra-se na Rua da Academia das Ciências, onde se situa o Museu Geológico, de cujo acervo faz parte a maior colecção de fósseis portugueses.

Quem atravessar o Bairro Alto, desemboca no Largo da Misericórdia e encontra a Igreja e o Museu de São Roque, com o seu riquíssimo acervo maneirista e barroco. No interior da Igreja, destaca-se pela exuberância a Capela de São João Baptista, encomendada por D. João V a Roma. O Museu de São Roque, contíguo à Igreja, mostra uma colecção de obras de ourivesaria, paramentaria, pintura, escultura e relicários, e ainda um importante núcleo de arte oriental, representativa da presença dos portugueses e da Companhia de Jesus no Oriente.

A uma distância de menos de cinco minutos a pé fica o Largo do Carmo e, aí, estão as ruínas da Igreja do Carmo e o Museu Arqueológico do mesmo nome. A igreja começou a ser construída em 1389 por desejo e devoção religiosa do seu fundador, D. Nuno Álvares Pereira. O estilo gótico original foi recebendo acrescentos ao longo do tempo até que, em 1755, o terramoto provocou graves danos ao monumento, agravados por um violento incêndio que destruiu todo o seu recheio. A Igreja do Carmo foi reconstruída já em estilo neogótico mas, em obediência ao gosto pelas ruinas próprio da estética do romantismo, essa reconstrução foi interrompida em meados do século XIX, deixando o corpo e as naves do monumento a céu aberto.

Instalado nas ruínas fica o Museu do Carmo, fundado em 1864 por Possidónio da Silva, primeiro presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, que aí reuniu inúmeros fragmentos de arquitectura e escultura, bem como monumento funerários de grande relevo artístico, painéis de azulejo, pedras de armas e outros objectos de diferentes características.

A poucos metros de distância fica o Chiado e o Museu do mesmo nome, fundado em 1911, numa ala do antigo Convento de S. Francisco, como Museu Nacional de Arte Contemporânea. Reconstruído em 1994 segundo um projecto do arquitecto francês Jean-Michel Wilmotte, reúne pintura, escultura e desenho de artistas portugueses desde a década de 1850 até à actualidade. Obras dos artistas mais representativos das escolas romântica, naturalista, simbolista e modernista fazem parte do seu importante e interessantíssimo acervo.

 

Lisboa , Museu Nacional de Arte Contempor‚nea

 

É curto o caminho até ao Museu da Farmácia, no número um da Rua Marechal Saldanha, entre a Calçada do Combro e o miradouro de Santa Catarina. Inaugurado em 1996 e distinguido com vários prémios nacionais e internacionais, este museu reúne objectos que contam a história da profissão de  farmacêutico oriundos de civilizações antigas e exóticas, como as do Egipto e da Mesopotâmia, da Grécia e de Roma, dos Incas e dos Aztecas, do Tibete, da China e do Japão. O acervo do Museu da Farmácia conta ainda a história da farmácia europeia desde a Idade Média até 1929, quando o inglês Fleming isolou a penicilina. As farmácias portáteis usadas no vaivém espacial “Endeavour” na última viagem do milénio, em Dezembro de 2000, medicamentos da Estação Orbital MIR e amostras da comida dos astronautas russos fazem também parte da exposição.

Comentários
  • Matilde Ramalho
    Responder

    Obrigada, Isabel Braga 🙂

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