Rota pelo centro histórico de Lisboa propõe mostrar moradores antigos da cidade aos turistas

ACTUALIDADE
Sofia Cristino

Texto

VIDA NA CIDADE

Santa Maria Maior

12 Julho, 2018


“Quem era a mulher da fava-rica e o homem da Pandiola? O que se vendia no antigo mercado da Praça da Figueira? Como era o mercado de Natal no Martim Moniz?”. Estas são algumas das perguntas que vão ser respondidas ao longo da rota turística solidária “(re)Viver Lisboa”, que será apresentada no sábado, 14 de Julho, às 16h30, na Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no Martim Moniz. A ideia partiu da Associação Mais Proximidade Melhor Vida (AMPMV) que, em parceria com a operadora Fora da Rota, criou este percurso para mostrar os testemunhos vivos da história recente da cidade. “Numa cidade em profunda transformação, ainda há portugueses a morarem no centro histórico e a quererem partilhar curiosidades de uma Lisboa que já só existe na memória. Queremos desconstruir preconceitos e visões mais idílicas de quem visita a capital”, explica Ana Gago, da associação.

“Pretendemos mostrar aos turistas as dificuldades de solidão dos idosos e chamar a atenção para o que está a acontecer. Há pessoas que já são as últimas moradoras num prédio transformado em hostel. Estavam habituadas a ter vizinhos e, agora, sentem-se isoladas ao verem pessoas novas todas as semanas, com quem não falam, até pela questão do idioma”, diz Ana Gago. A lidar de perto com esta realidade no Grupo de Encontros e nas Conversas à Mesa, actividades da associação solidária nas quais é incentivada a partilha de experiências de moradores antigos da cidade, a responsável percebeu que, muitas vezes, os turistas não têm percepção do que se passa nos edifícios onde entram e saem todos os dias. “Esta realidade sai dos holofotes dos turistas porque, quando visitam a cidade, não têm um contacto com o que realmente se passa. Vamos contextualizá-los para que haja um bom convívio entre eles e os moradores”, explica.

O trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos pela associação de cariz solidário resultou numa “súmula de memórias e curiosidades” partilhadas pelos cerca de quarenta idosos, com uma média de idades de 83 anos, acompanhados pela Associação Mais Proximidade Melhor Vida. Estas histórias serão apresentadas na visita guiada pelo centro histórico da cidade através de imagens e fotografias, sendo ainda recordados lugares e ofícios das décadas de 50, 60 e 70. Pelo caminho, haverá uma paragem no lavadouro público, vai-se contar a história dos saloios e das aguadeiras de Caneças, da inauguração das primeiras escadas rolantes, nos Armazéns Grandela, e de antigas mercearias e tascas. “Há sítios que só estão na memória e queremos recuperá-los. Sentimos, também, que só desta forma a história de vida das pessoas pode ser valorizada e preservada”, diz a responsável pela rota.

ocorvo12072018tour2

Uma rota para mostrar que o centro histórico não é apenas cenário turístico

Ao longo do percurso, serão feitas paragens para conversar com os comerciantes e os moradores dos bairros e, no final da visita, poderá haver ainda um momento de partilha entre os moradores e os participantes desta rota inaugural, numa “reflexão sobre as principais mudanças e o futuro de Lisboa”, explica Isabel Bernardo, da Fora da Rota. “Queremos mostrar o que era a cidade antes e o que é agora. Apesar de ainda estarmos a testar a rota, já começamos a pensar divulgá-la junto das escolas, porque tem um pendor muito educativo”, avança ainda. A participação nesta primeira edição da rota solidária é gratuita e a inscrição deve ser feita até sexta-feira, 13 de Julho, para o e-mail geral.foradarotatours@gmail.com. Até agora, já há dezasseis pessoas inscritas. Nas seguintes edições da “(re)Viver Lisboa“, o valor por pessoa será de 25 euros, mas nos grupos superiores a dez pessoas cobrar-se-á 15 euros.

MAIS ACTUALIDADE

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend