As questões da mobilidade e do arvoredo foram os temas centrais do primeiro debate público sobre o Projeto de Requalificação da Zona da Frente Ribeirinha entre o Cais do Sodré e o Corpo Santo.

 

Texto: Mário de Carvalho

 

O debate, que decorreu sexta-feira no Instituto Superior de Ciências da Administração, começou logo com Manuel Salgado, vice-presidente da autarquia de Lisboa, a afirmar que “gostaria de colocar em cima da mesa” o abate de árvores. Recordando o recente corte ocorrido na Ribeira das Naus, prometeu que tal não irá repetir-se: “neste caso não temos uma situação idêntica”.

 

Na sala do instituto não estavam mais de 40 pessoas, na sua maioria ligados a processos urbanísticos, alunos e funcionários da câmara, frente aos quais Salgado admitiu a sua quota de responsabilidade “pela forma deficiente de esclarecimento público” no abate de árvores na Ribeira das Naus.

 

Se a circulação dos transportes públicos, o estacionamento dos residente na zona – nomeadamente no Corpo Santo –, a localização da nova praça de táxis – que muda de sítio mas continua junta à estação do Cais do Sodré –, tiveram respostas prontas do autor do projeto, o arquiteto Bruno Soares, e também do vereador da Mobilidade e Infraestruturas Viárias, Francisco Nunes da Silva, não provocando contestação.

 

O plano apresentado sexta-feira mostrou, entre tipuanas, jaracandás, magnólias e plátanos, que árvores devem ser abatidas e quais permanecerão embelezando esta zona lisboeta.

 

A memória do abate 18 árvores de grande porte na Ribeira das Naus esteve sempre presente no debate, com o vice-presidente da CML a garantir que não violou as regras dum despacho emitido em Julho de 2012 pelo presidente de câmara, que determinava um informação prévia ao público. “O abate da estava previsto antes do despacho”, argumentou.

 

Bruno Soares disse que é necessário cortar pelo menos três plátanos junto ao Cais do Sodré por estarem em rota de colisão com a nova linha do eléctrico.

 

“Estamos a falar de uma intervenção de 36 mil metros quadrados no espaço público”, referiu Bruno Soares, que valorizou a recuperação da Praça do Cais do Sodré/Jardim Roque Gameiro, tendo chamado a atenção que o projeto está condicionado pela grande carga dos transportes públicos na zona (barcos, comboios, Metropolitano, autocarros, eléctricos) a que se junta a circulação de viaturas privadas. Tudo está concentrado no Cais do Sodré tornando esta zona no principal interface de transporte de passageiros da cidade.

 

Um dos moradores da zona lembrou que se o plano respeita a arquitetura dos edifícios, não estando prevista a demolição de nenhum, o mesmo conceito de defesa do património urbanístico deveria existir relativamente às árvores na área de intervenção. A riqueza do arvoredo é expressiva e Bruno Soares destacou que o projeto visa aumentar a sua presença de forma compatível com a requalificação, prevendo o transplante de árvores para outras zonas entre o Cais do Sodré e Corpo Santo. Na zona de intervenção existem 19 árvores de grande porte (três serão cortadas) . Serão plantadas mais de meia centena, com especial destaque no Cais do Sodré.

 

O autor do projeto de requalificação da zona ribeirinha referiu ainda que ele se integra na opção de criar um passeio pedonal junto ao Tejo, entre o Terreiro do Paço e a nova ribeira, em Santos.

    Relativamente ao espaço ocupado pelo trânsito rodoviário, há a intenção de reduzir de 72% para 40% a circulação no Cais do Sodré, dando prioridade aos transportes públicos, assim como passar os espaços para peões de 28% para 60%.

 

Na sessão de esclarecimento, onde das questões sobre qualidade de vida foram predominantes, questionou-se a falta de avaliação de impacte ambiental da qualidade do ar perante a intensidade do tráfego na zona. Nunes da Silva respondeu que a “monitorização do ar em Lisboa é muito deficiente”, referindo alguns locais onde são feitas as avaliações: Restauradores, Av. da Liberdade e Rua da Escola Politécnica. Relativamente a uma eventual avaliação da qualidade do ar na Rua do Arsenal e Cais do Sodré, Nunes da Silva não descartou a possibilidade, mas frisou haver falta de meios.

 

No final do encontro Manuel Salgado deixou a promessa de que tudo irá fazer para evitar um abate dos plátanos.
O projeto de requalificação do Cais do Sodré e Corpo Santo foi aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa a 24 de Abril, com os votos contra os CDS-PP e a abstenção do PSD.

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