A Adega dos Lombinhos, uma tasca que existe há quase 100 anos na Rua dos Douradores, vai mesmo fechar definitivamente as portas dia 31 de Outubro, para que no quarteirão onde está instalada seja construído um hotel de cinco estrelas. Mas nem todos a vão esquecer. Há quem queira lembrar a sua existência e até já lhe dedicaram um requiem e uma instalação, intitulada Lombinho 5 estrelas.
Uma mesa posta com dois pratos, talheres e duas cadeiras foram cravadas na parede do prédio. “Nem para a Maria, nem para o Manel, deite o lombinho no hotel”, lê-se também num graffiti inscrito na parede.
João Amorim, que com o irmão comprara há nove anos o trespasse da Adega dos Lombinhos, onde começou a trabalhar como empregado há mais de 30 anos, não sabe se conseguirá abrir nova espaço de refeições em Lisboa. “Ainda não sabemos o que vamos fazer”, disse ao Corvo.
O quarteirão onde há 96 anos está a Adega dos Lombinhos – entre a Rua dos Douradores, a Rua da Vitória, a Rua dos Fanqueiros e a Rua de S. Nicolau – era propriedade da Companhia de Seguros Tranquilidade, a quem os inquilinos e os lojistas pagavam a renda. Mas, em 2010, a Tramquilidade transferiu a posse para o fundo de investimento imobiliário Corpus Christi, que pretende instalar ali um hotel.
Em 2013, com a entrada em vigor da  nova Lei das Rendas, o fundo Corpus Christi viu a oportunidade para iniciar o processo de desalojamento dos arrendatários, invocando as obras profundas a realizar no imóvel, o que, de acordo com a nova lei, permite pagar aos inquilinos dos prédios indemnizações de apenas um ano de renda. Na Baixa, caro é o valor dos trespasses, sendo que as rendas eram muito baixas. Logo, as indemnizações são mínimas, deixando os lojistas sem meios para indemnizar empregados ou para se instalarem noutro local da cidade.

Texto e fotografia: Fernanda Ribeiro

  • Luís Leal Miranda
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  • Manuel Ferreira C
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    Mais um pouco da nossa identidade que se vai…

  • António Rosa de Carvalho
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    Neste caso … receio … Uma “identidade” que infelizmente já tinha sido muito alterada pelas brigadas do “Inox/ Alumínio”

  • Margarida Silva
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    Também fico triste de ver desaparecer lojas antigas, mas não se pode falar só num lado das questões. As lojas deste quarteirão, com clientes, lucro e facturação e com espaços no centro nobre de Lisboa, pagavam aos proprietários deste prédio (que foram mudando ao longo dos anos), rendas que variavam entre o 1 e os 5€. Se calhar, em vez de se aproveitarem durante anos de terem a lei do seu lado, quem explorava espaços nesta situação devia ter pensado que um dia esse desequilíbrio ia acabar, se calhar da pior maneira.

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