Desorientação é o que sente qualquer cidadão que pretenda tratar de um assunto na Segurança Social, sobretudo quando precisa de recorrer ao atendimento. A informação escasseia, o que transforma uma operação que se realiza em escassos segundos numa manhã a calcorrear a cidade.
O site da Segurança Social directa é bom e até funciona para algumas situações, mas não permite realizar todos as operações, além de não esclarecer algumas dúvidas, entre elas onde deve dirigir-se uma pessoa para tratar pessoalmente de questões pendentes, como é o caso do pagamento de dívidas ou de devoluções a fazer ao Estado.
Isso implica regra geral recorrer a um balcão de atendimento, mais concretamente a uma tesouraria. Após a reorganização dos serviços que tem vindo a ser operada desde 2011, foram encerradas muitas dependências da Segurança Social que funcionavam em Lisboa, o que causa constrangimentos vários a quem se dirija aos serviços que actualmente operam na capital.

 

Como não houve aviso prévio devidamente publicitado, muitas pessoas ainda se dirigem às dependências onde anteriormente tratavam dos seus problemas.
O caso acompanhado pelo Corvo é paradigmático. Um beneficiário recebe uma carta-ofício da Segurança Social alertando-o para a necessidade de devolver um montante que lhe fora indevidamente pago. Na carta lê-se que, para o fazer, deve dirigir-se “a qualquer tesouraria da Segurança Social”.
Na dependência da Avenida Estados Unidos da América, onde anteriormente se tratavam esses assuntos, as portas estão fechadas. Nas vidraças do prédio há cartazes que informam que o atendimento sem marcação prévia só funciona nas Lojas do Cidadão dos Restauradores, das Laranjeiras ou da Bela Vista.
No Areeiro, onde funciona a sede da Segurança Social, é necessária a marcação prévia que implica uma demora de cerca de 15 dias até à sua concretização – um prazo demasiado longo para o próprio Estado, que regra geral confere ao cidadão 10 dias úteis para regularizar situações.

 

O beneficiário decide então dirigir-se a uma das lojas do Cidadão, no caso em apreço à Loja dos Restauradores. Mas como já chega lá pelas 10h30 da manhã, o que temia aconteceu: já não há senhas para o atendimento no balcão da Segurança Social.
Que fazer? interroga-se este cidadão exemplar, que voluntariamente quer devolver dinheiro ao Estado mas que se vê em apuros para o fazer. A desorientação apodera-se de qualquer um nesta situação.
Um senhor de idade que aguarda a sua vez na longa fila, um verdadeiro “felizardo” pois tem na mão uma senha, compadece-se e diz-lhe: “Senhas já não há, pois claro, se há pessoas que vêm aqui buscá-las às dezenas e depois as vendem à porta…Espreite lá fora, porque anda aí um tipo que as tem. Ele quis-me vender uma mas não aceitei porque os números que tinha eram mais altos do que a minha”.
Comprar uma senha para a Segurança Social estava fora de questão. Isso é que não, pensa o dito beneficiário. Já a caminho da saída, num acto de desespero, decide perguntar ao segurança da Loja: Que fazer?”. E acaba por ser ele a dar-lhe a informação objectiva. “Pagamentos são na tesouraria. E a única que funciona é no Areeiro”.
Rumo ao Areeiro, o beneficiário vai ainda temeroso. Se lhe pedem para fazer uma marcação prévia, esgota-se o prazo que a Segurança Social lhe confere para o dito pagamento. Mas não. Na tesouraria não há filas e, maravilha das maravilhas, até há senhas! Tira uma e, segundos depois, é atendido por um funcionário, com a eficácia pretendida.
Assunto resolvido em  escassos segundos, ao cabo de quatro horas a calcorrear a cidade.

 

Texto e fotografia: Fernanda Ribeiro

 

 

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