Há peças do puzzle difíceis de encaixar na renovação do Cais do Sodré. E há outras que faltam, deixando aquela zona ao sabor da maré alta do turismo, a pisar uma linha instável, que é arriscada. A movida nocturna não casa com a vida dos moradores e está a criar insegurança. O recente assassinato de um jovem arquitecto, esfaqueado à porta de um bar, veio tornar a questão urgente. E há quem reclame uma intervenção da câmara. “Não se pode querer ganhar tudo hoje”, diz um empresário.

 

Texto e fotografias: Fernanda Ribeiro

 

Carlos Ornelas Monteiro foi o primeiro gestor hoteleiro a apostar na renovação do Cais do Sodré quando, há quatro anos, abriu o LX Boutique Hotel, na Rua do Alecrim e diz ter beneficiado bastante com o facto de aquela zona ter passado a constar nos roteiros turísticos. Mas não está tranquilo em relação ao processo que levou a movida para o Cais do Sodré.

Não é a concorrência que o preocupa, com a abertura de diversos novos hotéis e hostels, mas antes o risco de que esta renovação dê para o torto, com a insegurança a crescer – algo que nos últimos meses se agudizou e cuja face mais trágica foi o esfaqueamento de um jovem arquitecto, que viria a morrer, vítima do ataque sofrido na Rua dos Remolares, à porta de um bar, quando tentava ajudar uma amiga.

 

À espera de seis mil pessoas

 

“A zona do Cais do Sodré está na moda e tem muito potencial. A sede da EDP vai trazer para aqui seis mil pessoas e há já coisas boas, como a transformação do Largo de S. Paulo, com a abertura de novos estabelecimentos, a renovação do Mercado da Ribeira com a ‘Time Out’ e o arranjo do Jardim da Ribeira das Naus. Mas o que foi já alcançado de positivo, pode, de um momento para o outro, perder-se, se não houver regulamentação por parte da câmara”, disse ao Corvo o proprietário do LX Boutique Hotel.

 

“O problema é que não se pode querer ganhar tudo hoje. Há condicionantes a respeitar. E pensar que se vai ganhar tudo num só momento é muito arriscado. Vivemos em cima de uma linha ténue, em que casos como o do jovem que foi morto podem deitar por terra tudo o que de bom foi já conseguido para transformar o Cais do Sodré num bairro alternativo”, adianta Carlos Ornelas.

 

O problema da insegurança surge agora à cabeça, embora venha de trás, recorda o empresário, sobretudo desde que os bares do Bairro Alto passaram a fechar mais cedo e, a partir das três da manhã, começam a “despejar milhares de pessoas” para o Cais do Sodré, onde a movida dura toda a noite. “Já antes houve tiros de caçadeira à porta do Copenhaga e outros distúrbios”, conta Carlos Ornelas.

 

Cais do Sodré 1 _ Lx Boutique Hotel

O LX Boutique Hotel tem sorte: os clientes não são dos que mais se incomodam com o ruído

 

Outra questão difícil de resolver é a de conciliar o ruído nocturno com a vida quotidiana dos moradores, fartos de se queixar à câmara sem que vejam a situação minimamente resolvida, ou sequer atenuada.

 

“Os meus hóspedes já sabem que aqui há barulho, mas como gostam da movida não deixam de vir para cá. Sou é obrigado a ter vidros duplos nas janelas. Mas há casos gritantes de estabelecimentos de portas abertas, com as colunas a debitar música altíssima cá para fora, sem que haja fiscalização”, diz Carlos Ornelas, insistindo na necessidade de haver “regulamentação” das actividades.

 

A tentativa feita pela câmara no anterior mandato, com a criação de um grupo de trabalho que incluiu moradores, donos de bares e representantes da autarquia, de pouco serviu para pôr cobro ao ruído excessivo.

 

Carlos Ornelas destaca um facto positivo: “A proibição dos ‘after hours’ melhorou a situação, porque antes a actividade nocturna ia até ao meio-dia do dia seguinte”. Reconhece que ainda há muito a fazer. “Mas é difícil porque há muitos interesses aqui”, diz, sem referir explicitamente a associação da câmara aos empresários da noite que têm sido apoiados, desde que em 2011 a autarquia deu o tiro de arranque para acelerar a movida.

 

Grupo de trabalho “não serviu para nada”

 

Mais radical é Luis Galvão, da Associação Aqui Mora Gente, que representou os moradores no grupo de trabalho presidido pelo vereador Sá Fernandes.

 

“O grupo e o relatório produzido, elencando várias medidas, não serviram de nada”. E este “nada” deve-se à “incúria da Câmara Municipal de Lisboa”, no entender de Luís Galvão.

 

“Defendo a renovação daquela zona da cidade, que não podia continuar como estava e registo que tem havido uma evolução em todo aquele eixo – que não se limita ao Cais do Sodré e ao Mercado da Ribeira vai até à Boavista e estende-se à zona ribeirinha. Isso é positivo”, afirma.

 

Mas “não é sustentável manter o nível de actividade nocturna ali existente com a vida quotidiana. É muito difícil a habitação coexistir com tanto ruído e com tanto distúrbio e lixo, porque isto gera problemas de saúde pública e de segurança”, diz este morador.

 

Se não houver intervenção da Câmara, a tendência é para que a insegurança aumente, considera. “E não consigo perceber como é possível que, face ao caso recentemente verificado, em que uma pessoa foi morta, o presidente da câmara nem sequer se tenha pronunciado”. A zona requer mais atenção por parte da câmara, reclama.

 

Carla Madeira, presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia (PS), defende “a instalação de um sistema de videovigilância, como o colocado no Bairro Alto. Isso poderia ajudar, porque é dissuasor”, sustenta, ainda que “mais policiamento seja também necessário, porque daria mais sentimento de segurança”.

 

Acabar com “o licenciamento zero, que tem permitido a abertura de espaços onde se vendem bebidas alcoólicas para consumo na rua”, é outra medida que a presidente da junta defende.

 

A autarca diz não ter dados que confirmem um aumento de criminalidade no Cais do Sodré, ainda que os moradores disso se queixem. “Os dados que a PSP me deu não indicam um agravamento ou que se esteja perante uma onda de vandalismo. Houve agora um crime grave, com a morte do jovem, mas foi um caso pontual. A situação da criminalidade é pior em Santa Catarina”, afirma.

 

Já no que diz respeito ao ruído provocado pelo funcionamento dos bares, Carla Madeira admite que não se tem conseguido inverter a situação e melhorar a vida dos moradores.

 

Mas o Cais do Sodré tem duas faces. Durante o dia, embora pelas ruas se vejam despojos da noite, em lixos deixados nos passeios e em vãos de escada, a coexistência é mais pacífica. E o Cais do Sodré vive uma outra vida, mais serena. Nela convivem antigos estabelecimentos, alguns centenários, que a custo sobrevivem à crise, como as lojas de artigos de pesca, lado a lado com modernos cafés, restaurantes, galerias e novas lojas alternativas viradas às artes, onde se respira esperança no que há-de vir.

 

Cais do Sodré  Kapas

Na Kapas os melhores tempos passaram

 

O negócio está bom

 

O Corvo andou por velhos e novos espaços e falou com quem neles trabalha. Na letargia matinal do Largo de S. Paulo, na esquina com a Rua dos Remolares, está a Kapas, uma loja antiga, onde ainda se fazem capas para automóveis, sob medida. Quando se entra, parece estar deserta e a ser desmantelada, mas o som de uma máquina, vindo de uma divisão interior, revela que ali alguém trabalha. É José Manuel, o único funcionário, um faz-tudo, que atende os clientes, mas também corta e cose as peças de tecido impermeável que hão-de cobrir vários modelos de carros e de motos.

 

“Agora estou a tratar de uma encomenda para uma empresa, são dezenas de capas, o que já é um bocado excepcional. Mas ainda há quem compre, a nível individual”, diz José Manuel. A afirmação é de imediato corroborada pela entrada de um cliente, a encomendar uma capa para um Mitshubishi.

 

Nas estantes, vêem-se restos de um outro negócio do mesmo ramo, sinais dos tempos em que a loja vendia acessórios para automóveis. Já então José Manuel lá trabalhava. Conhece bem o Cais do Sodré, onde começou há 43 anos, como caixeiro, quando ali existia a Rodrigues & Rodrigues, uma empresa que dominava o comércio da zona. “Tinha confecção de alcatifas, de fardas, mas também sapataria, lojas de lãs, papel e artigos regionais”, conta.

 

“Chegámos a ser 300 trabalhadores na Rodrigues & Rodrigues, mas faliu há 22 anos. Na altura fui trabalhar para o teatro, no Villaret, onde fui carpinteiro, electricista e até contra-regra. Andei por lá 15 anos”, diz o eclético José Manuel, cuja estreia no mundo de trabalho se fez numa profissão já extinta. Era teletipista no semanário ‘Maria da Fonte’, da Póvoa do Lanhoso, de onde é natural.

 

Sobre as mudanças que se têm operado no Cais do Sodré, vê-as com algum agrado. “Agora é só restaurantes a abrir e o negócio é mais à noite. Isto está na moda e eles têm que aproveitar”, diz, antes de voltar à costura.

 

Na esquina oposta, está um dos novos restaurantes. Substituiu a antiga tasca da Adega dos Canários, que ali existia desde 1933, numa mudança operada pelas mãos de Giuseppe Brasca, um italiano de 29 anos, que veio morar para Portugal e há ano e meio decidiu investir no Cais do Sodré.

 

“O negócio está bom e, este Verão já foi muito melhor do que o do ano passado”, diz. Funciona sobretudo à noite. “Estamos fechados ao almoço e até ao final de Setembro só abrimos à noite, porque funcionamos até às quatro da manhã. A comida é sobretudo petiscos e alguns pratos italianos. Entre a clientela há muitos turistas, mas, 80 por cento são portugueses”, salienta Brasca.

 

Este italiano não tem dúvidas quanto ao futuro: “Esta zona vai ser decididamente o sítio da movida em Lisboa, Já é, mas a tendência é para aumentar”.

 

Cais do Sodré - la artigos pesca

Na J.A. Araújo: O Cais Sodré está na moda, tem que se aproveitar, dizem os dois sócios

 

Esta confiança no futuro não é partilhada por todos os comerciantes. Na Rua de S. Paulo, a velha Pastelaria Paulista, que também serve refeições e já foi famosa como a Casa dos Queques, que ali se vendiam a uma média de 500 a 600 por dia, tem, pelo contrário, perdido clientes. “Dávamos aqui 100 refeições e agora, quando servimos 60, já é muito bom” contou ao Corvo o empregado José Pastor. “Quando para aqui vim, há 16 anos, isto tinha mais movimento. Tanto que éramos nove pessoas a trabalhar e agora somos quatro. Mas desde que fecharam a Conservatória Automóvel e os CTT e muitas lojas de roupa, perdeu-se a dinâmica”.

 

Nem todos os estabelecimentos antigos se queixam. A Casa Cid, uma tasca centenária na Rua da Ribeira Nova, que abre diariamente às quatro da manhã – criada em 1933 para servir o pequeno-almoço aos que trabalhavam no Mercado da Ribeira -, está a conseguir mais clientes, apesar da concorrência dos restaurantes que se instalaram no Mercado, com a vinda da ‘Time Out’.

 

“Foi uma surpresa para nós”, contou ao Corvo Bernardo Santos, filho do dono, Alberto Santos, que há já 40 anos detém a casa de pasto onde se servem petiscos e (ao almoço) comida tradicional portuguesa.

 

“Durante as obras no mercado, vinham cá muitos trabalhadores e aumentámos a clientela. Mas o meu pai pensou que isso iria acabar e que o negócio ia piorar quando abrissem os restaurantes que vieram para o Mercado, com a ‘Time Out’. Afinal até foi bom. Claro que agora servimos mais ao pessoal que sai dos bares, mas ao almoço a casa enche quase todos os dias”, disse.

 

Outra aposta na área da restauração, mas com pretensão a ser um local aberto a várias actividades – das aulas de tango, às exposições – é o Castro Beer, um bar-restaurante na Rua da Boavista, que foi ocupar as instalações de uma antiga oficina de barcos, actividade da qual restam marcas, propositadamente mantidas, como um guindaste para erguer as embarcações.

 

Abriu há um ano, no mesmo edifício onde funcionaram os escritórios da firma Toscano & Cruz, onde, em 1920, Fernando Pessoa trabalhou, como correspondente – algo que é assinalado numa placa na parede do prédio. A Castro Beer é actualmente detida por Hélio Girão, que em Julho passado adquiriu a quota do seu antigo sócio, Renato Castro, que deu nome à casa.

 

“Sou gestor e para mim isto é mais um negócio”, afirma Hélio, entusiasmado com a nova actividade. Até ao momento está satisfeito. “Isto é um bar fora do formato. Abrimos quando a maior parte das cozinhas fecham e servimos comida de fusão, portuguesa e brasileira”, explica.

 

“Temos a pretensão de ter um menu original. Temos panquecas de carne, de bacalhau e vegetarianas, sopas de tomate e lentilhas com chouriço, bacalhau à Brasil, servido com mandioca e, em determinados dias, feijoada à brasileira”.

Quem confecciona os pratos e a doçaria é Luíza Canto, brasileira, antiga jornalista que se converteu à gastronomia e se transferiu para Portugal. “Temos muita esperança de que a renovação tenha vindo para ficar e que o Cais do Sodré não seja apenas um moda”, afirma Hélio Girão.

 

A hora dos artistas

Na área artística e com objectivos mais latos – o de alargar a sua acção à comunidade local – abriu em Março deste ano, também na Rua de S. Paulo, “O Salão”, uma oficina criada por Cláudia Gama, onde se reutilizam materiais e se criam luminárias e toda a sorte de peças de iluminação.

 

Foi pela sua mão e de amigos que se fizeram as obras de recuperação do espaço, onde existiu um stand de automóveis, fechado há uma década. “O Salão” não é propriamente uma loja, ainda que esteja de porta aberta e ali também se vendam as luminárias produzidas, “peças únicas, resultantes de um trabalho minucioso”, explica a mentora do projecto.

 

Cais do Sodré - O Salão Oficina

Cláudia Gama: “criatividade é trabalho”

 

No “Salão” realizam-se workshops – cada um tem nove horas e custa 90 euros – onde se ensina a arte da iluminação, área em que Cláudia Gama já trabalhava. “Queremos ser uma oficina de criatividade social. E a criatividade não é uma coisa romântica. O produto final até pode ser, mas a criatividade é trabalho”, sublinha.

 

“Este projecto existe porque queremos integrar pessoas em situação de exclusão. Já conseguimos incluir duas pessoas, o Mauro e a D. Lurdes, moradores da zona que estão a trabalhar aqui connosco. O objectivo é alargar essa dimensão. Mas vamos devagar. Isto é uma oficina por isso é sempre um work in progress ”, diz Cláudia.

 

Mais recente é a galeria de arte e design Giv LOWE, uma loja que Giverny Lowe abriu no Largo de S. Paulo no passado dia 10 de Julho e onde se pretende mostrar o trabalho de artistas emergentes, portugueses e estrangeiros.

 

Na galeria – que reúne uma equipa da qual fazem parte “o colombiano Daniel Padilla, a berlinense Marina Os e os portugueses Vera Bello, Rodrigo Matta e Diogo Guimarães” -todos os objectos da decoração foram feitos por artistas, dos candeeiros aos azulejos, passando pelas colunas de som.

 

Nela também há bar que é “uma espécie de recepção da Giv LOWE”, mas “a galeria não está associada à vida nocturna. Queremos ser um espaço interactivo e abranger um público cada vez maior”, sublinha Giverny.

 

Em contraste com os novos espaços estão, por perto, muitos edifícios em completa decadência. Há vários entaipados a aguardar obras, entre eles um, na Rua de S. Paulo, que ostenta uma placa da Epul, onde se lê “Vendido”. A placa está lá há meses, mas o prédio não foi ainda alvo de qualquer obra, a não ser a que lhe entaipou portas e janelas.

 

A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia desconhece quem comprou o prédio, ou o que lhe irá acontecer, Sabe no entanto que no eixo entre o Cais do Sodré e a Boavista, passando pela Praça D. Luís, há diversos edifícios que são propriedade do fundo imobiliário da Caixa Geral de Depósitos, que, diz Carla Madeira, que tem dado sinais de querer reabilitar aquele património.

 

Mas os casos de reabilitação são ainda poucos e quase todos se destinam à instalação de hotéis, ou de hostels. “Também gostaria de ver os prédios recuperados para habitação, mas isso depende dos proprietários e sempre é melhor transformá-los em hotéis do que deixá-los ao abandono”, afirma.

 

Um caso bem sucedido de transformação foi o do edifício onde está instalado o Lost Inn, Lisbon Hostel, no Beco dos Apóstolos, que dá para a Rua das Flores. Com cerca de 76 camas, em 15 quartos, este hostel, que abriu há um ano tem estado ocupado em permanência por turistas estrangeiros que visitam a cidade. “Temos estado quase sempre cheios”, disse ao Corvo a recepcionista, salientando que a procura tem sido cada vez maior.

 

Ambiente descontraído e com uma cozinha comunitária, este hostel, propriedade de João Ribeiro e António Fernandes, situa-se num edifício em que se combinam azulejos do século XVII com intervenções contemporâneas de adaptação às novas funções.

 

Já na área da reabilitação para habitação, pouco se vê. Na esquina do Largo de S. Paulo com a Travessa do Carvalho, perto da Igreja de S. Paulo, um prédio entrou recentemente em obras e poderá vir a ter alguns apartamentos para residentes, mas, metade dos que serão criados, destinam-se ao aluguer temporário, disse um trabalhador da obra.

 

A gentrificação do Cais do Sodré, se é que dela se pode falar, fica assim pelas pessoas que o visitam e não passa ainda pelas que escolhem ir para lá morar, uma decisão que já custou caro a alguns moradores, que não suportaram o ruído, a falta de higiene e de segurança, o que os levou a abandonar a área e optar por viver noutros bairros da cidade. E sem moradores torna-se difícil garantir qualquer processo de renovação.

 

  • João Santos
    Responder

    Renovação do Cais do Sodré “corre o risco de falhar” http://t.co/uxxJVkURhp

  • João Barreta
    Responder

    Talvez não se compreenda, ainda, na plenitude o que afinal se pretenderá da zona do Cais do Sodré. Atrair habitantes/residentes? Atrair turistas (património cultural)? Atrair jovens (diversão noturna)? Dinamizar a vocação comercial? Dinamizar a vocação turística? Dinamizar a vocação cultural-patrimonial? Pretender tudo isto por “atacado” e de forma imediata, poderá fazer com que “quem tudo quer, … tudo perde!!!”

    • Miguel de Sepúlveda Velloso
      Responder

      Bela reportagem, mas fica-se sem saber o que se pretende para aquela zona. O que se sabe é que a insegurança, a violação da Lei do Ruído, a falta de higiene e de respeito pelo património, são uma constante.

      Pena é que nunca se mencione Santos. Nos dois Largos, o de Santos e o de Vitorino Damásio são um mar de gente todos os dias. os mesmos problemas que são sentidos no Cais, são-no também aqui.

      A CML não pretende agir e o licenciamento zero é a maior cobertura para que os ditos agentes da noite encapotem situações de flagrante incumprimento da legislação.

  • Manuel Andrade
    Responder

    Moro na praça de São Paulo há cerca de 8 anos e sou dos moradores que já está saturado com o barulho, o lixo amontoado na manhã seguinte, as garrafas partidas e cheiro a urina nauseabundo e a crescente insegurança. Adoro a zona e viver aqui mas sou casado, tenho um filho bebe e outro a caminho e esta zona não da para se ter uma família. Pudera que não haja muita gente a morar aqui, ninguém quer vir para esta confusão! Conheço várias famílias já se foram embora, em especial as que arrendavam a casa, já não aguentavam..Os que investiram e compraram, vão lutando, reclamando, etc, mas parece que a CML está mais interessada em defender interesses dos bares que dos moradores. Provavelmente farei o mesmo: vou para outro bairro e arrendo a minha casa a turistas, mas estou muito revoltado, acho a situação terceiro mundista e difícil de acreditar que acontece numa capital europeia!

  • Aqui mora gente
    Responder

    Infelizmente, a criminalidade aumentou 49% na zona envolvente do Cais do Sodré, em 2013, segundo os dados da PSP.Muitas famílias estâo a sair da zona entre o “corredor” nocturno Bairro Alto, Chiado, Cais do Sodré, por causa do desconcerto reinante, do vandalismo e consumo desenfreado de álcool.http://www.sol.pt/noticia/114605

  • Aqui mora gente
    Responder

    As soluções “pontuais”, como a instalaçâo de sanitários públicos de nada servem, acabam por se tornar em focos de maior insalubridade e vandalismo.São necessárias regras de gestão e ocupaçâo do espaço público – horários de funcionamento, lotação dos estabelecimentos e esplanadas, consumo de álcooo na via pública.Os ecopontos foram retirados desta zona, porque constituiam um risco acrescido – foram incendiados e vandalizados diversas vezes, para além de não resolverem o problema da higiena urbana, porque se tornavam pontos de acumulaçâo de enormes lixeiras junto aos contentores.

  • Aqui Mora Gente
    Responder

    Infelizmente, a criminalidade aumentou 49% na zona envolvente do Cais do Sodré, em 2013, segundo os dados da PSP.Muitas famílias estão a sair da zona entre o “corredor” nocturno Bairro Alto, Chiado, Cais do Sodré, Santos, por causa do desconcerto reinante, do vandalismo e consumo desenfreado de álcool pela noite fora.http://www.sol.pt/noticia/114605

  • Maria Monteiro
    Responder

    O artigo é muito soft e até leva a pensar que os moradores são uns chatos. A situação está incontrolável, a própria câmara e polícia o reconhecem, mas assobiam para o lado. O presidente anda entretido com outros voos e os técnicos da câmara não têm meios nem autoridade para fazer alguma coisa. Nem a morte de um jovem os sacudiu. No entanto, eles estavam bem avisados dos problemas graves que o bar em questão andava a causar há mais denum ano. É muito triste, e muito muito grave. Porque a câmara se demitiu das suas responsabilidades.
    Em relação ao hostel Lost Inn de que fala o artigo, as coisas podem estar a correr bem para os donos, mas estão a correr muito mal para os moradores vizinhos. Os turistas vêm beber e fumar para as varandas, com a música a tocar fazendo imenso barulho ao ponto de não deixar os moradores (incluindo crianças) dormir. Todos os dias colocam sacos e sacos de lixo na rua, sem preocupações cívicas. Tomaram conta da rua, e não pensam no que vieram transtornar a vida dos moradores. E este egoísmo e falta de civismo é lamentável.

  • Aqui Mora Gente
    Responder

    Existiam queixas de moradores sobre as rixas e desordem à porta do Bar “Black Tiger”onde foi esfaqueado o jovem arquitecto, que ocorriam depois das 2h da manhã, quando centenas de frequentadores se concentram nas imediações, consumindo álcool massivamente.Os senhores autarcas continuam em não querer ver as “doenças” óbvias deste modelo de desenvolvimento turístico e acham que este “tipo de oferta” tem de existir, para atrair quem?

  • Aqui Mora Gente
    Responder

    E o mais espantoso é que o dito Bar continua a funcionar “ruidosamente” com a mesma desordem até às 04hoo da manhã… impunemente!Entretanto as famílias que se queixaram nas reuniões descentralizadas, falaram com o Senhor Presidente da CML, estão a preparar a saída e a abandonar as suas casas.

  • Aqui Mora Gente
    Responder

    A Casa Cid que servia tradicionalmente os vendedores/utentes do mercado quando chegavam às 4h da manhã, passou “a aviar” centenas de frequentadores que chegam já embriagados ao Cais e se amontoam pelas ruas e travessas pela madrugada, basta ver o mar de copos e garrafas partidas durante a manhã na Rua e Travessa da Ribeira Nova.O muro do Centro de saúde em frente tornou-se um urinol colectivo, com vários “utentes” em simultâneo.O “Castro Bear” debita um volume de som, com concertos de DJ`s que se ouve durante a noite, em toda a Rua de S.Paulo, mais as Galerias que também funcionam como os bares e a música dos DJs e toda a gente nas ruas a beber…

  • João
    Responder

    Lixeiras públicas de nojo, imundice e indigência , o que se passa nesses locais não tem interesse nenhum , nem cultural nem recreativo nem coisissima nenhuma. Não passam de zona de exploração parôla de turistas e da simples e imbecil bebedeira de “crianças” e venda de estupefacientes em frente de toda a gente com a maior das impunidades. Infelizmente é assim e é o que vejo todas as noites infelizmente em direcção a casa depois do trabalho…

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