Regressa o Grande Auditório

REPORTAGEM
Rui Lagartinho

Texto

Fundação Calouste Gulbenkian

Fotografia

CULTURA

Avenidas Novas

15 Fevereiro, 2014

Depois das obras no valor de 19 milhões de euros, o maior investimento da Fundação Calouste Gulbenkian desde a construção do Centro de Arte Moderna, o Grande Auditório, com 1250 lugares, abre portas, neste fim-de-semana. Com uma maratona de concertos e cinema.

Foi uma assumida revolução tranquila em “contraciclo com o momento de menos abundância de meios para grandes obras”. Artur Santos Silva assume que a instituição que dirige deve dar um exemplo e que este é um estímulo: “Às empresas portuguesas envolvidas na obra, em primeiro lugar. Mas também no ânimo, incomensurável em números, que uma obra destas representa. Desde a sua abertura, em 1969, que a sala principal de concertos da Fundação Gulbenkian, o Grande Auditório – um projecto de Alberto Pessoa, Pedro Cid e Rui Athoughia, integrado num edifício que é um símbolo da arquitectura moderna portuguesa -, não sofria obras.

Durante sete meses, os melómanos lisboetas ficaram privados da sua sala preferida, a orquestra e o coro da casa andaram pela cidade. Mas, agora, é tempo de regressar a casa e ao conforto das escuras madeiras nobre e do mar de cadeiras em amarelo torrado, que substitui o laranja do forro. A festa de portas abertas – mas dependente da apresentação de bilhete – começa hoje, pelas 14h.

As obras tiveram em conta o facto de estarmos perante um edifício elevado à classificação de Monumento Nacional. A grande diferença à vista desarmada, a estrela desta renovação, foi a substituição da canópia – uma enorme estrutura de madeira que paira sobre os músicos em qualquer sala de concerto – e que é o segredo de uma boa acústica. A original deu lugar a uma mais leve e melhor.

Regressa o Grande Auditório

A intervenção realizada no Grande Auditório da Gulbenkian foi profunda.

O resto, o público nunca viu e vai continuar a não ver. Mas é essencial. O fosso do palco, com uma altura de um prédio de seis andares, foi agilizado nos seus mecanismos. Também foram criadas as condições para que seja possível o streaming, a transmissão pela Internet de eventos em tempo real – selo identitário de que um auditório está efectivamente no século XXI.

O coro e a orquestra Gulbenkian ganharam novas salas de ensaio, um factor essencial para que o Grande Auditório possa ser mais vezes usado em conferências ou mesmo em propostas externas – desde que se enquadrem, segundo as palavras do presidente da Fundação Gulbenkian, Artur Santos Silva, “nos objectivos da instituição”.

É por isso que, neste fim-de-semana de portas abertas e de entrada livre, a obra de Richard Strauss “Assim falou Zaratustra” será escutada duas vezes: a primeira pela Orquestra Gulbenkian, num concerto dirigido por Joana Carneiro, e outra como banda sonora do filme de Stanley Kubrick “2001 Odisseia no espaço”. Um sinal de que as noites de Grande Ecrã no Grande Auditório, uma memória mítica da sala, vão regressar.

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