Uma votação esmagadora para uma vitória à medida. O grande vencedor do Orçamento Participativo de Lisboa 2013 foi o projecto para “Proteger , Valorizar e Promover o Jardim Botânico de Lisboa”. A proposta apresentada por Ana Ribeiro Santos, Nuno Carvalho e José Pedro Sousa Dias foi a mais votada pelos cerca de 36 mil cidadãos que participaram na eleição, com 7553 votos. “Sabíamos qua a campanha tinha corrido bem, mas não esperávamos uma votação tão massiva. Ainda estou em choque”, confessava, no final da cerimónia, decorrida esta tarde (6 de Novembro), no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho, José Pedro Sousa Dias, director do Museu Nacional de História Natural e de Ciência da Universidade de Lisboa. Na sua mão, ostentava uma reprodução em ponto grande do cheque de meio milhão de euros que a instituição por si tutelada vai receber para realizar as tão aguardadas obras de preservação do espaço verde.

 

A recuperação do jardim, que na próxima segunda-feira celebra 135 anos, motivou uma enorme campanha de cidadãos em torno da causa, com o intuito de ser contemplada com um dos dois cheques de 500 mil euros da edição deste ano do Orçamento Participativo (OP). Uma luta antiga dos responsáveis daquele espaço e que, na edição do ano passado do OP, foi derrotada por três centenas de votos. “Até que enfim, há mais de 15 anos que esperávamos por isto”, dizia alguém, no momento em que se soube da vitória. E o “isto” vai permitir realizar obras de vulto no jardim, sobretudo recuperando os muito degradados caminhos e o tradicional sistema de rega. “O objectivo é preservar o jardim e, ao mesmo tempo, torná-lo mais visitável pelos lisboetas e pelos turistas, sem destruir o que existe”, explica José Pedro Sousa Dias.

 

Além disso, serão criados novos espaços de lazer e aberto o portão que dá acesso pela Praça da Alegria – possibilidade há muitos anos reclamada por muita gente e que, assegura o director do museu, deverá ser a primeira medida a ser posta em prática. Mas o grande investimento, sempre tutelado pelos serviços técnicos da Câmara Municipal de Lisboa, será mesmo na reabilitação dos caminhos e do sistema de rega. Este deverá passar a depender parcialmente de uma captação subterrânea de água, como sucedia originalmente. Depois de realizados os trabalhos, o objectivo passa por chamar mais visitantes, com as visitas a continuarem a ser pagas – visando assim assegurar as receitas necessárias à manutenção deste espaço, até aqui tão esquecido. “Por uma questão de princípio, acho que as entradas devem ser sempre pagas”.

 

A vitória retumbante na votação deste ano do OP e as obras que ela permitirá serão suficientes para deixar descansados os que temiam pelo futuro do centenário jardim. Pelo menos no que se refere à manutenção da sustentabilidade e da biodiversidade do espaço verde. “Mas a pressão urbanística nunca está afastada”, reconhece o próprio director do museu e do jardim. José Pedro Sousa Dias diz que há ainda problemas por resolver relacionados com a ocupação de logradouros dos prédios em redor e também de impermeabilização de solos. “E, paradoxalmente, a presença do jardim naquele sítio torna a área à volta muito mais apetecível e valorizada em termos imobiliários”, admite.

 

O outro projecto a receber uma verba que pode ir até 500 mil euros é o intitulado “Mobilidade para todos em Benfica”, com 1375 votos. Apresentado por André Valentim, corresponderá ao investimento da autarquia em “infra-estruturas viárias, trânsito e mobilidade” naquela freguesia. Foram ainda anunciados os 14 vencedores na categoria de projectos inferiores a 150 mil euros, com propostas tão díspares como workshops de arte urbana para a população idosa, “wifi de acesso público na cidade”, uma campaha para a promoção da adopção de animais, parques infantis ou, imagine-se, a colocação de duas estátuas, em locais ainda a definir. Uma será em honra de Dom Nuno Álvares Pereira e outra em homenagem ao antigo jogador e treinador de futebol, e um dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica, Cosme Damião. No total, foram apresentadas 208 propostas.

 

Texto e Fotografia: Samuel Alemão

 

  • Paulo Ferrero
    Responder

    Ok, mas só uma pergunta: não há já um PP do PMayer, JB e Zona Envolvente?

  • Augusta Clara Matos
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    Que bom! O que posso dizer mais? Fui aluna de Biologia na Faculdade de Ciências ainda na Politécnica, tive aulas no Jardim, no Instituto Botânico, andei por aí. Estou muito contente.

  • André Pereira
    Responder

    Uma boa notícia mas uma questão se impõe. Feitas as obras, terá a Universidade de Lisboa capacidade de manter adequadamente o jardim com os magros recursos que possui? O estado a que chegou deve-se em grande parte a isso…

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