É sabido o quão perigoso pode ser um rio caudaloso num dia de mau tempo, mas não costumamos reparar nos que o cruzam todos os dias em pequenas embarcações. Em Setembro, uma dessas pessoas quase faleceu nas águas do Tejo, não fosse a rápida actuação de um catamarã da Transtejo, do mestre Júlio Bolinhas e sua tripulação. A empresa atribuiu-lhes um louvor por esta acção.

 

Texto: Carlos de António

 

 São 17h20 de 27 de Setembro, um sábado, e o catamarã Fernando Pessoa, da Transtejo, realiza o trajecto Barreiro-Lisboa pelo rio Tejo, como faz todos os dias. De repente, o barco de transporte público de passageiros detém-se. Os ocupantes interrogam-se sobre o que terá sucedido. Passam 10 minutos até que a marcha seja retomada. É então que o comandante do barco, em nome da tripulação, informa o que se havia passado, momentos antes. Acabavam de salvar a vida a um homem que estava a naufragar a meio do imenso canal fluvial.

 

O rio Tejo, sabemo-lo bem, é bastante amplo quando passa ao largo da capital portuguesa, servindo todos os dias como via de tráfego intenso para quem vai para o trabalho, mas também por lazer. Nessa tarde, Júlio Bolinhas, de 44 anos, mestre da empresa Transtejo no percurso Lisboa-Barreiro e vice-versa, teve uma experiência fora do comum: salvou a vida a uma pessoa que irremediavelmente se afogava.

 

Fazia mau tempo, com chuva intensa e vento, o qual dificultava a navegação, sobretudo para as embarcações mais pequenas. “Vimos uma embarcação pequena em difculdades, que, ao fim de um bocado, acabou por se voltar”, recorda o comandante do catamarã.

 

Júlio conta-nos que, fora das bóias que delimitam o percurso, é perigoso navegar, “mas tudo sucedeu dentro do espaço delimitado por elas”. “Se não tívessemos ali passado, naquele momento, é possível que aquele homem se tivesse afogado, pois aos sábados os barcos passam apenas a cada 15 minutos”, diz.

 

A Transtejo tem um protocolo de actuação nestes casos e conta com material de salvamento para usar sempre que necessário. “Estamos preparados para este tipo de situações, ainda que prefiramos nunca ter de fazê-lo”, confessa.

 

Júlio leva 19 anos ao serviço da empresa e quatro como mestre da mesma. Em todos estes anos, apenas passou por outro incidente similar, o que confirma a ideia de que cenas como esta não são assim algo muito comum. “Trabalhava no Cais do Sodré e, nessa ocasião, a pessoa faleceu”.

 

O protocolo de actuação incluí uma série de manobras com material de resgate, acrescido de um aviso imediato à Polícia Marítima e a todos os barcos da rota para os colocar de sobreaviso. “A polícia foi muito rápida a chegar. O resgate durou apenas dez minutos, mas a mim pareceu-me como se fosse um dia inteiro”, recorda Júlio.

 

Quando o resgate terminou, a tripulação contou aos passageiros o motivo por que haviam parado a marcha por dez minutos. Nesse momento, as pessoas apludiram em uníssono, homenageando assim a acção da tripulação do barco em que viajavam. “Um dos passageiros escreveu um relato sobre o sucedido e enviou-o por email à empresa”, explica ao Corvo Cristina Ramos, representante da empresa que faz a comunicação da Transtejo.

 

No mês passado, Júlio Bolinhas, assim como os membros da tripulação por si comandada – e formada pelo maquinista Jorge Fresco e pelos marinheiros Fernando Santos e Nuno Miguel Nunes -, recebeu um louvor pela acção que levou a cabo. A empresa quis assim premiar estes heróis de circunstância, que souberam fazer o necessário para que algo que estava prestes a converter-se numa tragédia se convertesse apenas num susto.

 

* Texto editado às 14h40 de 5 de Janeiro. Correcção do nome da responsável da empresa de comunicação. 

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