A reabilitação urbana deve ser uma aposta inequívoca dos sectores público e privado para ajudarem à retoma populacional da capital do país e da economia de Portugal. A ideia, já inúmeras vezes enunciada por António Costa, voltou a ser repetida, ao início da tarde desta quarta-feira, na Rua de São Pedro Mártir, na Mouraria, durante a visita ao primeiro edifício reabilitado ao abrigo do Programa Reabilita Primeiro Paga Depois. “A reabilitação urbana é muito importante, não só porque ajuda a recuperar parte do edificado que está muito degradado, como é decisiva para a dinamização da economia”, disse o presidente da Câmara Municipal de Lisboa aos jornalistas, antes de entrar no prédio de quatro pisos agora totalmente renovado.

Costa fez questão de explicar à comunicação social que compareceu ao acto a importância simbólica do mesmo – e que, de alguma forma, soou à apresentação de uma das linhas programáticas de um eventual chefe de governo. Referindo-se às condicionantes económicas do país e de mercado imobiliário trazidas pela crise, o autarca lisboeta garante que a cidade tem as condições para receber muita da população que foi, ao longo de décadas, para os subúrbios. “Esta crise veio reforçar a atracção das pessoas da periferia pelo centro da cidade. Há um bom stock de casas para arrendar em Lisboa. E as pessoas o que querem é morar perto do centro, dos seus postos de trabalho e ter qualidade de vida”, disse Costa, salientando que o obstáculo maior a tal movimento será os créditos a que estão presas muitas famílias.

O presidente da câmara salientou que, “com a inversão do paradigma económico, a construção nova não faz sentido, mas sim a reabiltação”. E explicou que a aposta neste sector trará vantagens não apenas para a construção civil. Se se passar a investir a sério na recuperação do muito degradado edificado de Lisboa e do resto do país, explica António Costa, “não é só o trabalho dos empreiteiros e dos arquitectos que aumenta, mas o de toda a fileira dos materiais de construção”. Uma tese já defendida numa recente conferência, na qual alertara para a necessidade e a oportunidade de ir buscar fundos comunitários do derradeiro quadro Europa 20/20.

O edil lisboeta – que declinou responder a questões relacionadas com a sua continuidade na liderança da câmara, no caso de vir a assumir a liderança do PS – quis, pois, que este fosse um momento de sublinhado a uma das suas receitas para ajudar Portugal a sair do torpor económico e social. E do “sucesso” que ela estará a ter. “Todos os edifícios que têm sido colocados a hasta pública no âmbito do programa têm sido arrematados acima da base de licitação”, frisou, lembrando que já foram colocados em hasta pública 65 edifícios e que, em Setembro, serão lançados concursos para mais 24. “O interesse das pessoas é enorme, como podemos constatar pelas consultas na página da internet do programa”, disse.

Dos 65 edifícios colocados em concurso em quatro hastas, foram arrematados 49 – sendo que os restantes serão recolocados nas próximas hastas públicas. O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, assegurou estarem em obra 24 edifícios, num investimento dos privados a rondar os 4 milhões de euros. Segundo informações veiculadas pela assessoria de imprensa da autarquia, a mesma já terá conseguido arrecadar à volta de nove milhões de euros com este programa que se baseia na venda de edifícios municipais devolutos, com obrigação do comprador fazer a sua recuperação – o pagamento ao município pode ser feito no fim do prazo contratual, que oscila entre os 21 e os 28 meses. O programa também permite um desconto de 10% sobre o valor pelo qual foi arrematado, caso haja pagamento imediato.

 

Texto: Samuel Alemão

  • Bruno V. Maia
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    uma opção com a qual CONCORDO!
    temos que reabilitar Lisboa! http://t.co/tVItv75vdU

  • Miguel de Sepúlveda Velloso
    Responder

    Se a reabilitação for na senda do que tem sido feito até aqui, rebentar com todos os interiores, acrescentar pisos à descarada, revestir as fachadas de espelhos, PVC; destruir quarteirões inteiros para dar génese a novos prédios, investir contra toda a aquitectura de finais de século, esventrar palácios do século XVII/XVIII, estropiar fachadas com a abertura de inauditas garagens (Palácio Mesquitela e vários prédios na Calçada da Estrela), tornar Lisboa hermética com a construção de condomínios em antigos conventos da cidade, se for para isto em vez de reabilitação, empregue-se o termo destruição.

  • Miguel Falcón
    Responder

    A “reabilitação” do Cais do Sodré e envolvente e também a do Intendente são casos de sucesso. Pena que seja só comercial. É capaz de ser bom lá ir mas uma merda para se viver

  • Carla Fidalgo
    Responder

    Gostava de saber como, depois da intervenção em Sta.Catarina houve quem abandonasse o bairro, só se o Sr. se refere aos turistas sazonais…..

  • Responder

    Apesar de todas as promessas eleitorais, o ritmo de execução das obras de Reabilitação Urbana nos Bairros Históricos tem sido escandalosamente baixo, enquanto a gentrificação especulativa em áreas/zonas / “filet mignon” do Centro Histórico avança descaradamente …
    OVOODOCORVO

  • Left H. Rotation
    Responder

    A cidade para o turista

  • Aqui mora gente
    Responder

    A CML nem consegue assegiurar os mínimos de qualidade de vida aos residentes que vivem actualmente no Centro Histórico e reabilitaram o património .As pessoas acabam por querer sair destes bairros porque não “aguentam” o Ruído nocturno, o vandalismo e a lixeira permanente.

  • Mónica Amaral Ferreira
    Responder

    e é feita com ou sem reforço sísmico? É que se não foi(for) tomado em consideração é uma receita para matar mais gente.

  • SILVIA DE LOS RIOS
    Responder

    Reabilitação urbana é receita para trazer mais gente para Lisboa, diz Costa http://t.co/WqpcBczb6z

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