Lisboa vai dispor um de programa de reabilitação urbana “low-cost”. A expressão “low-cost” é de Luís Lima, presidente de Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), durante a apresentação do programa designado por “Re9”, nesta quinta-feira, com a presença do presidente do município, António Costa.

O autarca considerou importante as parcerias criadas para avançar com o projeto, e que envolvem as empresas de construção e materiais e as ordens dos Arquitetos e Engenheiros. Trata-se, segundo António Costa, de “um mecanismo sólido para fazer a reabilitação da cidade”, mobilizando os recursos públicos e privados.

O banco Montepio Geral é o agente do suporte financeiro do programa e o seu presidente, António Tomás Ribeiro, não se coibiu na cerimónia de fazer algumas considerações políticas sobre a situação atual do país, afirmando que se pode estar a caminhar para a “ingovernabilidade”, ao mesmo tempo que felicitava publicamente António Costa pela disponibilidade em “dar o seu contributo para evitar” o descalabro da situação política.

Na sua intervenção, Costa passou por cima dos elogios e centrou a sua intervenção na importância de aproveitar os fundos comunitários, no contexto do programa “Re9”, destacando a necessidade de investir no campo da eficiência energética e da resistência sísmica dos edifícios da cidade.

“Estão criadas condições para que possamos mobilizar verbas robustas”, disse António Costa, que criticou o modelo demasiado “restrito” nos acessos os fundos comunitários através do Programa Operacional Regional de Lisboa e do Fundo de Coesão, num total de 2.862 milhões de euros destinados a processos de reabilitação urbana no país.

Segundo Luís Lima, presidente da APEMIP, é preciso uma cidade renovada e sustentada, e a parceria estabelecida com as ordens dos Arquitetos e Engenheiros “é um garante dessa sustentabilidade”.

Contudo, Carlos Matias Ramos, presidente da Ordem dos Engenheiro, tratou de refrear os ânimos, chamando a atenção para as “dificuldades em aplicar regulamentos do século XXI, em prédios do século XX e XIX”. Defendo a intervenção multidisciplinar nas reabilitações, Carlos Matias Ramos frisou que o programa não pode ser só uma “questão de cosmética”.

O presidente de Ordem dos Engenheiros salientou ainda que uma legislação “low-cost” não pode deixar de promover a sustentabilidade “adequada e desejável no processo de reabilitação”.

João Santa Rita, presidente da Ordem dos Arquitetos, chamou a atenção para o “carácter didático do programa”, que visa “transformar a cidade a partir de dentro”.

Um dos problemas de reabilitação urbana em Lisboa reside no facto de, nos cerca 55 mil fogos de cidade, cerca de um terço estar em propriedade horizontal. Desta forma, o vereador Manuel Salgado indicou que a “reabilitação é um universo vasto e diferenciado. Muitas vezes, os edifícios são abandonados com fracções por acabar”, revelando que grande parte das intervenções a efetuar será em propriedade horizontal.

Escusando-se a classificar o programa de reabilitação urbana como de “low-cost”, o vice-presidente da autarquia alfacinha optou antes por o considerar um instrumento em defesa do património histórico e arquitectónico da cidade. Salgado adiantou que existem cerca de 12 mil fogos em muito mau estado de conservação e cerca de dois mil devolutos, num investimento de 8 milhões de euros, na sua maioria feitos por privados. “O município é apenas para facilicitador”, diz.

Manuel Salgado valorizou as vantagens fiscais do programa Re9, como a isenção de IMT na 1.ª transmissão, menos 30% no IRS, isenção IMI, redução e isenção e taxas municipais, menos 17% de IVA na mão-de-obra e materiais, isenção de IRC para fundos de investimento imobiliário e parcerias com empresas de arquitetura, engenharia e de materiais de construção.

Texto: Mário de Carvalho

  • Paulo Ferrero
    Responder

    o problema do low cost é só um: o que é barato sai caro, é um belo de um adágio popular 🙁

  • João Barreta
    Responder

    Apenas juntaria a esta receita “uma pitada” de incentivos direcionados especificamente para o comércio de proximidade, passando a apelidar a “iguaria” de Re(i)9.
    Não incluindo o comércio de proximidade nesta receita, pode-se “re9var”, mas talvez não se i9 q.b. .

  • EKA
    Responder

    Gostaria de obter um contacto através do qual possa obter mais informações sobre este tema. Alguém sabe qual será o departamento correcto?

  • O. ARQUITECTOS SRS
    Responder

    Reabilitação “low-cost” das casas em Lisboa http://t.co/wd0iv9FYbC

  • CIMLOP
    Responder

    Reabilitação ‘Low-Cost’ das Casas em Lisboa
    » O Corvo – 06 de junho | 2014 http://t.co/0xAoLwZCUJ

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com