Beldroegas já se tinham visto a crescer, e muitas, nalgumas ruas do bairro de Alvalade, como por outras zonas da cidade. Mas tomateiros, e já com fruto a rebentar, é, porventura, uma novidade nas calçadas de Lisboa. Este nasceu há algum tempo no local mais inesperado, na calçada, junto à porta de uma loja da Rua Acácio de Paiva, para surpresa de muitos transeuntes.

 

Quem reconhece a planta, sorri e segue o seu caminho. Só António José Correia, da loja de lãs que fica um pouco adiante do 14 B, leva mais além a sua afeição pela planta. Ele acha que tem uma missão. Desde que viu o tomateiro que nasceu selvagem naquele local, perdeu-se de amores e rega-o todos os dias, ao fim da tarde, antes de fechar o estabelecimento. “Olha, já nasceu um tomatinho, mas ainda está verde. Quero é vê-lo quando estiver vermelhinho. Isto, se o deixarem crescer”, diz o lojista.

 

E como foi ali nascer o tomateiro? É um mistério. O que se depreende é que alguma semente foi parar ao minúsculo pedaço de terra, no ânglo recto definido entre o plano da calçada e o da parede do edifício. Mas António José Correia tem uma teoria.

 

Quando, no último Inverno, a EPAL iniciou obras de remodelação das canalizações de água nas ruas perpendiculares à Avenida da Igreja, entre as quais está a Rua Acácio de Paiva, por vezes os operários comiam ali mesmo, na rua. “Quem sabe, algum tenha comido um tomate e deixado cair a semente que agora está a dar fruto?”, avança.

 

Das obras nas redes de água, que para surpresa de muitos ainda não foram concluídas, estão ainda à vista as canalizações temporárias que permanecem sobre a calçada. “Agora dizem que os trabalhos vão ficar prontos em Dezembro. Vamos ver se isso acontece”, acrescenta o lojista António José Correia. Até lá, o tomateiro tem tempo de crescer, se o deixarem.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

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