Costuma ser assim todas as últimas sextas-feiras do mês. Mas esta (27 de maio) tem especial simbolismo, por ser a primeira do movimento Massa Crítica – que tem como mote “anda de bicicleta todos os dias, festeja uma vez por mês” – desde que se iniciaram as obras de requalificação do Eixo Central de Lisboa. A partir das 18h desta sexta-feira, junto à zona inferior do Parque Eduardo VII, dá-se início à habitual concentração de ciclistas para, por volta das 19h, se realizar mais uma grande passeata pela cidade. Um movimento que, como é habitual, acontecerá em simultâneo em mais uma dúzia de cidades do país – como Porto, Braga, Aveiro, Coimbra, Almada ou Setúbal – e visa celebrar o uso da bicicleta e afirmar o “direito dos ciclistas à estrada”.

 

As concentrações assumem assim um claro carácter reivindicativo do uso do espaço público. Mas a desta sexta-feira, além de se realizar já com a 86ª edição da Feira do Livro em curso, acontece num cenário de obras no Marquês de Pombal, devido ao avanço do projecto promovido pela Câmara Municipal de Lisboa para a requalificação do Eixo Central – cujos trabalhos se iniciaram a 3 de maio e visam, precisamente, conceder mais espaço aos utilizadores da bicicleta e também aos peões, além de redesenharem o espaço público.

 

Os ciclistas continuam a reclamar mais espaço. Um assunto que tem estado no centro do debate público e político da capital, sobretudo nos meses que antecederem o lançamento das obras agora em curso – com alguns moradores das Avenidas Novas, o CDS-PP e o Automóvel Clube de Portugal a assumirem-se como maiores críticos da intervenção, por entenderem que, nos moldes em que se realiza, a mesma prejudica mais o trânsito e o estacionamento do que ajuda a melhorar a mobilidade na zona central de Lisboa.

 

A intervenção no Eixo Central tem, por isso, sido encarada como peça principal no debate em torno dos modelos urbanístico e de mobilidade que Lisboa deverá adoptar no futuro próximo. Há quem veja aqui, mais que uma simples empreitada promovida pela autarquia, um decisivo passo em direcção a uma cidade menos subjugada ao tráfego automóvel – como agora sucede. Tanto que a celeuma em torno das obras motivou mesmo um pequeno grupo de activistas das duas rodas cicláveis a comparecer numa contra-manifestação silenciosa ao buzinão organizado, a 10 de maio, por alguns cidadãos que criticam a realização da intervenção de remodelação do espaço público no Saldanha, Picoas e nas avenidas Fontes Pereira de Melo e da República.

 

Recentemente, O Corvo deu conta da intenção da Câmara Municipal de Lisboa de acrescentar mais 90 quilómetros de vias cicláveis à cidade, num plano a concretizar até ao final de 2017 e que passará pela adopção de um modelo de vias partilhadas com o restante tráfego.

 

Texto: Samuel Alemão     Fotografia: António Leal (Ephemera)

 

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