O Prémio Academia LX foi criado, em 2011, pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), em parceria com a Universidade de Lisboa (UL), para premiar “a obtenção de respostas inovadoras aos problemas que se colocam à cidade”. Mas padece já de velhos males. Depois de realizada a primeira edição, em 2012, o galardão destinado a reconhecer os trabalhos de investigação realizados por alunos frequentando estabelecimentos de ensino superior da cidade, e que ofereçam resposta a “desafios concretos que se colocam à cidade”, deixou de dar sinais de vida. Ninguém sabe o que se passa com ele e os concorrentes à edição 2013 ainda aguardam resposta às questões relativas às suas candidaturas.

 

“Eu concorri em 2013 e já, por várias vezes, contactei a CML, a pedir informações sobre se o prémio teria sido cancelado ou ainda estavam em processo de selecção dos melhores trabalhos”, conta ao Corvo Joana (nome fictício), 28 anos, formada em Engenharia e Planeamento Urbano, com especialização em Transportes e Mobilidade. “A resposta tem sido muito variada ao longo do tempo, mas a última informação, de Dezembro de 2014, era que já tinham seleccionado o vencedor e estavam à espera da autorização da tesouraria para desbloquear o valor do prémio…”, explica a decepcionada investigadora, lamentando o prolongado silêncio da autarquia sobre o concurso – cujo vencedor de 2012 ganhou 5 mil euros.

 

A criação do prémio em questão foi aprovada pelo executivo camarário em 20 de Maio de 2011, “com o objectivo construir um novo quadro de parcerias estratégicas entre o município e as universidades, para o desenvolvimento de investigação sobre temas e questões com relevância prática para Lisboa”. Adiantava-se nessa altura que, com a criação do Prémio Academia LX, o executivo pretendia “trabalhar com as universidades e os centros de investigação de Lisboa, no sentido de promover o interesse de alunos de mestrado ou doutoramento e investigadores pelas grandes questões que a vida da cidade coloca”. Continuam por conhecer os resultados da edição 2013 e a do ano passado já não terá sido lançada.

 

O Prémio Academia LX inseriu-se no grande programa “Lisboa Participa”, onde também se inscreve o Orçamento Participativo da capital. A primeira edição do prémio, em 2012, foi razoavelmente concorrida, tendo os serviços da autarquia responsáveis pelo prémio – sob a tutela de Graça Fonseca, vereadora com os pelouro da Economia, Educação e Inovação – recebido, até 31 de Março de 2012, 29 trabalhos, divididos por cinco áreas distintas (Cidade das Pessoas; Cidade de Oportunidades; Cidade Sustentável; Cidade Competitiva, Inovadora e Internacionalizada; e Cidade dos Cidadãos). O projecto vencedor foi “Valorizar a experiência através do turismo: O caso de Lisboa (O Turismo Sénior como Oportunidade à Inclusão Social da 3ª idade)”, elaborado por Sílvia Maria Esteves Pedro, da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

 

A cerimónia de entrega dos prémios – que ainda incluiu duas menções honrosas – decorreu a 4 de Outubro de 2012, no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), em Picoas, onde todos os trabalhos estiveram expostos. Do júri, para além da vereadora, faziam ainda parte António Sampaio da Nóvoa (indicado pelo Conselho de Reitores), Maria Manuel Leitão Marques, José Delgado Domingos e João Seixas. Este foi o último acto público relacionado com o Prémio Academia LX, que ainda viu, porém, a edição 2013 ser lançada. E à qual terão concorrido muitos investigadores, como foi o caso de Joana, mas também de Maria (nome fictício).

 

Com 29 anos e especialização em Participação Pública, Maria concorreu à referida edição do prémio em Julho desse ano. O regulamento do concurso ditava que o projecto vencedor fosse anunciado num máximo de 90 dias corridos após o fim do prazo para entrega das candidaturas, ocorrido a 30 de Julho. “Em novembro desse mesmo ano, comecei os meus inúmeros contactos com a CML para ter notícias do prémio. Troquei vários emails com a Equipa de Inovação Organizacional, que pertencia ao Departamento de Modernização e Sistemas de Informação, da Divisão de Inovação Organizacional e Participação”, recorda a concorrente, que também fez vários telefonemas à autarquia.

 

“Desses emails, antes do final do ano de 2013, informaram que teria havido uma afluência anormal de trabalhos a concurso e que, portanto, o júri teria levado mais a tempo. No entanto, já estariam na fase final de avaliação”, conta Maria, a propósito da sua demanda por respostas. Que estava longe de ter sucesso. “Já em 2014, informaram-me que haveria brevemente, em Março, a cerimónia de anúncio do vencedor. E esta resposta foi sendo dada até praticamente final do ano de 2014, altura em que desisti de continuar a contactar a CML”, rememoria, salientando que a escassa informação que conseguia obter sobre o prémio foi sendo sempre requisitada por si.

 

“Nunca houve da parte da CML nenhuma iniciativa no sentido de informar os candidatos e as candidatas. Além disso, os emails nunca vinham assinados com o nome do funcionário, o que também me parece bastante inaceitável”, critica Maria. A única informação oficial que existe sobre o prémio, e a mais recente, é a que consta da página online ainda disponível sobre o lançamento da edição de 2013.

 

O Corvo solicitou explicações sobre o assunto, tanto à Câmara Municipal de Lisboa como à Universidade de Lisboa, no dia 3 de Março, mas não recebeu qualquer resposta até ao final desta segunda-feira (16 de Março).

 

* Notícia editada às 14h30 de 17 de Março. Altera o nome de uma das entrevistadas.

 

Texto: Samuel Alemão          Fotografia: David Clifford

 

Comentários
  • João Santos
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    Prémio de investigação académica lançado pela câmara parado desde 2013 | O Corvo | sítio de Lisboa http://t.co/b1c7gzIWgR

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