Por causa de uma praga de escaravelho vermelho que se começou a propagar há já mais de três anos, e que se está a revelar de muito difícil erradicação, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) mandou abater mais 46 palmeiras, nas últimas semanas. A eliminação das árvores situadas em dez localizações distintas da cidade confirma o estado de devastação que tem sido causado pela infestação e a impotência da autarquia para lhe fazer frente. Situação já reconhecida, em diversas ocasiões, por José Sá Fernandes, vereador responsável pela Estrutura Verdes da cidade.

 

Desta vez, as áreas mais afectadas pela necessidade de cortar o mal pela raiz foram o Campo das Cebolas, onde se procedeu ao desbaste de uma dúzia de palmeiras, e a Avenida dos Combatentes, sentido de Sete Rios, com o corte de dez exemplares. No Jardim do Campo Grande, foram eliminadas cinco árvores e na Praça Dom Luís I, junto ao Mercado da Ribeira, desapareceram quatro. Realizaram-se ainda cortes em locais como o Jardim de Santos, Alameda Dom Afonso Henriques ou Rua de Campo de Ourique. Os serviços do município costumam anunciar com frequência os desbastes no seu sítio oficial.

 

Os cortes foram justificados pela câmara, em comunicado, como tendo acontecido “no âmbito do programa de controlo e erradicação da praga do escaravelho das palmeiras”. Por isso, dizem os serviços da autarquia, se procedeu ao abate de 46 exemplares, 10 dos quais em espaços protocolados com as Juntas de Freguesia, “que se encontram mortos ou irremediavelmente infetados, representando um risco de contágio para a espécie”. Há quase dois anos, a CML estimava que, se não fosse tomada uma acção de força, das cerca de 3.000 palmeiras existentes na capital, poderiam vir a resistir apenas três centenas.

 

Numa recente sessão da Assembleia Municipal, o vereador Sá Fernandes voltou a enfatizar as enormes dificuldades que os serviços por si tutelados estão a ter para fazer frente à praga. E, à imagem do que já sucedeu algumas vezes, repetiu as críticas à alegada inacção da administração central e de muitos privados no combate à doença que está a provocar uma redução radical da população de palmeiras, não só em Lisboa, como no resto do país – com especial ênfase na zona sul, uma vez que a praga veio do Norte de África.

 

Um dos problemas várias vezes salientado pelo vereador tem também sido a dificuldade em coordenar uma acção conjunta com os municípios limítrofes. Já em Janeiro deste ano, Sá Fernandes dizia que a estratégia estava a falhar “por falta de actuação do Estado e também por falta de actuação dos municípios limítrofes. Porque o escaravelho voa 10 a 15 quilómetros por dia, é voraz e tem cada vez mais resistências a remédios e a armadilhas”.

 

 

Texto: Samuel Alemão

  • UI
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    Campo das Cebolas=Parque de estacionamento, não ha coincidências..

  • Hijack
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    campo das cebolas = parque de estacionamento, mais fácil abater agora do que durante as obras… e mais discreto.

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