Quem se lembra ainda da Praça do Areeiro? Ou mesmo da Praça Francisco de Sá Carneiro, como passou a ser designada em 1991? É certo que, como espaço público, ela sempre teve pouco de praça, mesmo quando nos anos 40 do século passado se executou o plano de Faria da Costa e foram construídos os edifícios de Cristino da Silva.

 

O cruzamento de vias de circulação e o trânsito crescente que a invadiram retiraram-lhe o estatuto de uma verdadeira praça. E a instalação do monumento a Sá Carneiro já nos anos 90 em nada contribuiu para lhe devolver esse estatuto. Restavam as “franjas” dos passeios laterais, junto aos prédios. Mas de há quatro anos para cá tudo piorou.

 

Deixou da haver espaço público e aquilo a que estava reduzida a praça transformou-se num estaleiro do Metropolitano de Lisboa, para a realização de uma obra que veio a revelar-se inconsequente e incongruente: a ampliação do cais da estação para comboios com seis carruagens, algo que está hoje fora de questão na Linha Verde do Metro, em que, pelo contrário, a política adoptada pela empresa foi a da redução do número de carruagens em circulação.

 

FR - Areeiro 2

 

As obras iniciadas em 2010 tinham um prazo de dois anos e deveriam terminar em 2012, mas tal não aconteceu. Arrastaram-se ao longo de quatro anos, por vezes com paragens prolongadas, algo que, segundo um trabalhador envolvido numa das empreitadas, se terá ficado a dever a falta de verba do Metro para prosseguir os trabalhos.

 

Este ano, o movimento no estaleiro aumentou e subitamente até parecia que tudo iria ficar resolvido e que o espaço público iria finalmente ser totalmente reposto, quando várias áreas do estaleiro à superfície começaram a ser removidas.

 

Em Novembro, abriu o novo átrio sul da estação, mas o estaleiro que dali saiu mudou-se para outra zona da praça, a área entre a Avenida João XXI e a Padre Manuel da Nóbrega.  Em toda a obra não se vê qualquer cartaz com informação sobre qual o prazo para tudo terminar. Sucessivamente questionado pelo Corvo, o Metropolitano de Lisboa nunca respondeu à questão. Para quando o fim das obras no Areeiro?

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

Comentários
  • António
    Responder

    O estaleiro na Alameda deve ter durado, praticamente, vinte anos.

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