O executivo municipal decidiu ontem, dia 10, adiar uma decisão sobre o arranjo do jardim da Praça do Império, um assunto polémico desde que o vereador José Sá Fernandes anunciou não tencionar manter os brasões florais das ex-colónias.

Da ordem de trabalhos constavam duas propostas sobre o tema, uma de Sá Fernandes, que deseja lançar um concurso de ideias para o desenho do jardim, e outra do vereador do CDS João Gonçalves Pereira, favorável à manutenção dos brasões concebidos em 1940 para a “Exposição do Mundo Português” e representativos das colónias de então. O PCP apresentou uma terceira proposta, admitindo a manutenção dos brasões mas apelando à contratação de mais jardineiros, segundo disse um vereador.

A proposta do responsável dos Espaços Verdes não foi por diante por se ter entendido – António Costa em particular – que não fazia sentido aprovar um concurso de ideias sem estarem antes estabelecidos os respectivos termos de referência, disse ao Corvo João Gonçalves Pereira.

Segundo disse, o enquadramento do concurso de ideias a lançar para Belém terá que ser validado pela Direção Geral do Património e Cultura pelo que a respectiva proposta deverá esperar por parecer deste departamento da administração central. A Praça do Império encontra-se na zona de protecção do Mosteiro dos Jerónimos, classificado como Património Mundial pela UNESCO.

Já na última reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, o centrista Ferreira de Lemos criticara a postura do titular dos Espaços Verdes, dizendo que “parece que [os vereadores] têm vergonha da cidade que os elegeu” e que o apagamento da decoração arbustiva tornará o local menos atractivo. O mesmo deputado municipal comentou a declaração de “surpresa” feita por António Costa sobre as intenções de Sá Fernandes: “O presidente não se tem ocupado devidamente dos assuntos de Lisboa” por andar em campanha eleitoral.

Na mesma altura, o secretário da Junta de Freguesia de Belém, o social-democrata João Carvalhosa, anunciara que esta autarquia aceitaria passar a tratar do jardim da polémica, caso a CML lhe transferisse tal competência – e respectivas verbas. Na reunião de câmara de ontem, o PSD apoiou a ideia.

A decoração dos jardins da Praça do Império, disse então Carvalhosa, “é património de todo um povo” que não deve ser alterado, como não deve ser alterada a estatuária dos Jerónimos ou os símbolos idênticos que perduram em pinturas dos paços do concelho. A Câmara não tem que ter vergonha da nossa história, afirmou, apelando a António Costa para que “ponha fim a este episódio que a todos indignou e indigna”.

O dirigente da junta alertou ainda para o “estado lastimável” em que se encontram dois espaços verdes das imediações: jardins da Praça Afonso de Albuquerque (em frente ao Palácio de Belém) e da Torre de Belém.

 

Texto: Francisco Neves

  • Carlos Moura
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    Confesso que vejo com algum assombro a forma como o autor trata a proposta apresentada pelo PCP. Pelo que consigo perceber não a leu, não falou com os Vereadores do PCP (os presentes na reunião eu, ou o meu camarada João Bernardino) e, no entanto fala deste pela boca de um Vereador, que não identifica. É pena! Tivesse falado com o os Vereadores do PCP saberia que o que a proposta diz é que este tipo de arte, a mosaicocultura, foi utilizada nos jardins e parques de Lisboa, e não só, na segunda metade do século vinte; que apenas poucos, muito poucos, jardineiros e todos eles do município estão habilitados a exercer esta arte; que os especimenes para poder ser executado este trabalho existem apenas nos viveiros municipais, donde para garantir que se possam mater os poucos exemplares desta arte em Lisboa tem forçosamente de se empregar e formar mais jardineiros, quer abrindo nova contatação, quer redinamizando a escola de jardineiros da Câmara.
    Não se trata de admitir a sua manutenção, mas de garantir que de facto existem condições para a sua manutenção e não estejamos apenas a defender situações em teoria que depois são inaplicáveis na prática.
    espero que este esclarecimento ajude a forma ligeira e sobranceira com que o autor trata a proposta do PCP.

  • Manuel Costa
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    Uma breve consulta às fotos da exposição do Mundo Português serve para constatar que não havia brasões nenhuns nos relvados. De facto eles não foram concebidos em 1940 com se escreve no artigo mas uns 25 anos depois, quando o país combatia uma guerra em três frentes em África e se proclamava um Portugal unido do Minho a Timor, conceito que então a CML decidiu enraizar nos relvados de Belém.

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