Os seus sons ecoam nas festas populares que têm acontecido um pouco por todo o lado, durante o verão. O harmónio e a concertina são instrumentos que sempre estiveram associados à diversão e que podem agora ser observados, alguns do século XIX, no original Museu da Música, na estação do Metropolitano de Alto dos Moinhos, em Lisboa.

 

A variedade é grande, mas assume particular interesse na exposição o harmónio portátil de pedais. “Na minha zona, os primeiros instrumentos, mais simples e ligados ao nome do harmónio de pedais das igrejas, levaram essa denominação até ao princípio do século XX”, explica o investigador Henrique Figueiras, natural da região de Castelo Branco, que decidiu divulgar ao público a sua coleção particular de harmónios e concertinas.

 

O harmónio de pedais, também designado “piano de pescoço”, era muitas vezes utilizado nas paróquias para substituir o órgão de tubos, pois é um instrumento mais económico e fácil de transportar.

A sua semelhança com o teclado de piano dava-lhe “uma natureza clássica e não popular”.

 

Segundo Henrique Figueiras, que restaurou alguns dos instrumentos expostos, o “piano de pescoço” esteve particularmente em moda na altura do pós-guerra: “Foi uma moda em que muitos alinharam, até porque, nessa altura, as casas que forneciam os acordeões com teclado de piano (e também os acordeões cromáticos, característicos do Ribatejo e do Algarve) ofereciam aulas de formação musical a quem comprasse o instrumento, o que incentivada a prática”.

 

Outro instrumento que desperta a atenção é o “bandoneon”, muito popular na Argentina, onde é usado para acompanhar a dança do tango.

 Na família das concertinas, pode ver-se aqui o “sheng”, instrumento com origem chinesa. Os investigadores calculam ser um dos instrumentos de palhete livre mais antigos do mundo. A sua origem deverá situar-se por volta de 2700 a.C..

 

Na exposição, que termina a 15 Setembro, é ainda possível observar outros instrumentos musicais, dos séculos XVI a XX, de diversas partes do mundo, num acervo com mais de mil peças, que teve por base as antigas coleções de Michel’angelo Lambertini, Carlos Monteiro e Alfredo Keil.

 

Entre as peças mais antigas do museu está um cravo do construtor Joaquim José Antunes, de 1758. Outra das curiosidades é o piano que o compositor Franz Listz trouxe de França em 1845 ou o violoncelo construído por António Stradivari, que pertenceu ao rei D. Luís, assim como uma coleção de violinos de algibeira utilizados por professores e as flautas-bengala.

 

Texto e fotografia: Mário de Carvalho

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