A noite estava fria, mas nem tanto, se comparada com as últimas semanas. Ainda assim, a sala da Junta de Freguesia de Carnide (JFC) estava repleta quando, ao início da noite desta quinta-feira (22 de Janeiro), chegou o momento de fazer os preparativos para a Ronda Nocturna. Cerca de meia centena de pessoas ligadas a diversas instituições da comunidade ou simples voluntários juntaram-se para a segunda edição de uma iniciativa organizada pela junta: realizar o levantamento das “situações de maior vulnerabilidade social”, mas também dos problemas existentes no espaço público.

 

“Está uma noite em que, se calhar, muitos de nós gostaríamos mais de estar em casa”, dizia Susana Cruz, vogal da Acção Social da JFC, em jeito de reconhecimento à muito heterogénea e bem-diposta falange prestes a embarcar numa acção que pretendia chegar a todas as ruas e recantos da freguesia. A primeira edição da ronda realizou-se em Dezembro de 2013. Fábio Sousa, o presidente da junta, pretendia que, para além da actualização do registo de todas as situações de pessoas a precisar de apoio social e do assinalar dos problemas do espaço público na freguesia, a jornada nocturna fosse “tão divertida como a primeira”.

 

Mas, desde a primeira hora, se percebeu não ser necessário fazer tal apelo. O genuíno entusiasmo altruísta era o que movia gente de todas as idades e distintas proveniências. Divididas em oito equipas, cada uma com um percurso definido, mesclavam-se pessoas da junta, agentes da PSP, da Associação Azimute Radical, do Grupo de Acção Comunitária, da Associação de Moradores da Quinta da Luz, da Comunidade Vida e Paz, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e de mais meia-dúzia de instituições que realizam trabalho social na freguesia de Carnide. Todos munidos de colete reflector amarelo e de lanterna.

 

 

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O Corvo acompanhou a ronda da equipa 5, coordenada por Maria Inês Ramos, 32 anos, vice-presidente da Associação Mãos do Mundo, que desenvolve trabalho comunitário e social na freguesia. Com ela, vinham também Paula Paredes, 43, da mesma associação e publicitária de profissão, juntamente com a filha Rita, 15, e os agentes policiais Pedro Antunes, 29, e Gilberto Gil Braz, 38, ambos da esquadra da PSP de Carnide. O percurso incluía passagem pelo Pólo Tecnológico, azinhagas e, por fim, a Quinta da Luz. Mas acabou por também incluir uma passagem pelo Núcleo Histórico. No final, não se encontrou ninguém a dormir ao relento.

 

Mais do que encontrar sem-abrigo – que serão sete em toda a freguesia, de acordo com o presidente da junta-, ou outras pessoas em situação de potencial risco de marginalização, esta iniciativa serviu para “reforçar a parceria entre os técnicos das várias instituições com intervenção na área da acção social local”. Já a coordenadora da acção, Mónica Diógenes, frisa que a recolha de dados sobre as situações de vulnerabilidade “é essencial para, depois, os transmitir a quem sabe fazer as coisas e actuar”. Referia-se ao trabalho desenvolvido neste campo tanto pela Misericórdia como pela Comunidade Vida e Paz.

 

A segunda edição da Ronda Nocturna permitiu também perceber que há muitas ruas a precisar de uma rápida intervenção na reparação de buracos, da iluminação ou do mobiliário urbano. “Há coisas em que podemos intervir, mas outras, como a conservação do pavimento ou os candeeiros apagados, em que a junta tem mais papel de sinalização. Vamos comunicar à câmara o que encontrámos”, diz o autarca.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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