A calçada é, sem dúvida, um dos traços identitários da paisagem urbana portuguesa. Como o é, também, a dificuldade que as autarquias nacionais parecem evidenciar em mantê-la em condições. Sobretudo na cidade de Lisboa, onde abundam, um pouco por todo o lado, os exemplos de segmentos deste pavimento a denotar uma clara falta de manutenção. Buracos, crateras,  lombas, covas, pedras soltas, enfim, há de tudo. Regra geral, o empedrado desconjuntado dispersa-se pelo arruamento em que fora colocado, aqui e ali pontapeado por algum peão mais distraído. Mas também existem casos em que, como na Rua Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, as pedras se decidem sindicalizar e marcar ponto de encontro. Como que a dizer: “Estamos aqui, dêem-nos os nossos lugares de volta. Bem, se isso não acontecer, pelo menos, ficamos à sombra”.

Texto e Fotografia: Samuel Alemão 

  • Margarida Silva Dias
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    Se a CML não tem dinheiro para tapar buracos e recalcetar os passeios danificados, à custa dos cidadãos circulantes a pé ou de automóvel, mostra-se pelo contrário muito abonada para cortar árvores, arrancá-las ou simplesmente escortanhá-las, até nada restar senão um toco. A febre arborícola assassina tem-se manifestado pela cidade em todos os jardins, pequenos ou grandes e os exemplos são tantos, que já quase não se podem enumerar: Jardim Cesário Verde, rua da Estefânia, rua Defensores de Chaves, Av da República, Av de Roma, Largo do Santo António, Jardim de Arroios, Principe Real, e nem o Campo Grande escapa, temendo eu muito sinceramente pelo resultado do que lá se desfaz actualmente.
    Não compreendo bem o sentido destes cortes. Se as árvores caem com o temporal nas ruas da cidade, levam meses a retirar o que resta delas, depois de desimpedirem as vias. Mas os cortes que se têm processado por toda a cidade são cortes malévolos, sem sentido. A ideia inicial que quiseram fazer passar foi que era preciso desimpedir os jardins, acabar com os espaços ocultos, que abrigavam drogados e outros malfeitores(!). Por isso tiraram árvores e plantas que cresciam e davam ambiente há décadas aos jardins, e tornaram-nos relvados com plantas rasteiras e sem graça. Onde nem os cães podem entrar! Outra razão que apresentam é que as árvores estão doentes. Até é possível que estivessem, mas dificilmente uma árvore cai por si, mesmo doente, e a febre que leva um autarca a mandar cortar árvores com décadas de vida e a alterar a paisagem duma cidade que já foi tão frondosa como Lisboa, dá-nos mais um motivo de luta – em defesa das árvores, por jardins e ruas frondosas e por uma cidade feita para ser usufruída, e não capa de revista.

  • Miguel Cardoso
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    A experiência que tenho das passadeiras amarelas é que são passadeiras temporárias pintadas para que os peões possam atravessar em segurança as ruas quando, por motivo de obras, um dos passeios fica impraticável e a circulação pedonal só se pode efectuar, sem riscos, de um dos lados da via. Não se terão esquecido de apagar esta passadeira da foto?

  • corvo
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    Mas as mencionadas na notícia “Passadeiras inúteis” não têm nada de temporário. Estão lá há anos e anos. Uma delas, que dá para o jardim de um palacete (!) até está equipada com um sinal vertical metálico.

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