PCP quer estacionamentos dissuasores gratuitos nos “limites” da cidade de Lisboa

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Samuel Alemão

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VIDA NA CIDADE

Cidade de Lisboa

8 Fevereiro, 2017


A vereação da Câmara Municipal de Lisboa (CML) vai discutir e votar, na reunião desta quinta-feira (9 de fevereiro), a elaboração de “um estudo sobre as necessidades de parques dissuasores e a sua localização, com vista à sua implementação”. O objectivo é diminuir o número de automóveis que entram todos os dias na cidade. “São 400 mil carros a entrar em Lisboa. Temos de reduzir substancialmente este número”, diz ao Corvo João Ferreira, vereador e candidato da coligação CDU à presidência da CML.

A proposta dos vereadores do PCP pretende, por isso, que, utilizando os resultados do estudo, sejam promovidas “todas as medidas necessárias” para assegurar a construção dos estacionamentos situados nas entradas da capital e “garantir a sua gratuitidade para os detentores de título de transporte válido”. Uma medida que, defendem, pode já ser posta em prática nos parques existentes. Além disso, propõem o diálogo com os municípios da periferia, a fim de melhor aplicar este plano.

Para os vereadores comunistas, a medida faz todo o sentido se integrada numa prática de uso de uma “rede eficiente” de transportes públicos – e para tal defendem mesmo que os preços dos títulos de transporte regressem a valores de 2011, “corrigindo assim a diminuição da procura causada pelos injustificados aumentos consecutivos”.

PCP quer estacionamentos dissuasores gratuitos nos “limites” da cidade de Lisboa

A utilização conjugada dos parques dissuasores agora propostos com o transporte público, alegam os eleitos do PCP, terá um grande contributo na redução do número de carros a entrar todos os dias em Lisboa ou, “pelo menos, diminuir substancialmente a extensão dos percursos que efectuam”. O que teria também como consequência, defendem, o atenuar da escassez de estacionamento nas zonas mais centrais e residenciais.

E com tal redução da pressão sobre o estacionamento disponível nas áreas mais centrais de Lisboa, outras vantagens acessórias surgiriam, advogam os vereadores comunistas. Entre as quais destacam “a diminuição das emissões poluentes e a melhoria da qualidade do ar, a redução do ruído, a diminuição da pressão sobre os pavimentos e sobre o estacionamento existente nas zonas centrais e residenciais da cidade, bem como sobre o espaço público em geral”.

A criação dos parques dissuasores seria, por isso, um forte contributo para a melhoria da qualidade de vida na maior urbe portuguesa. “Todos os dias, entram na cidade 400 mil carros. Uma solução como a que propomos iria de encontro à necessidade de reduzir de forma clara a entrada de tantos carros em Lisboa e encurtar os percursos feitos dentro dela”, defende João Ferreira, lembrando ainda que, durante a vigência do anterior Governo, “o sistema de transportes de Lisboa perdeu cerca de dois milhões de passageiros”.

O candidato comunista e vereador atribui tal diminuição drástica de utilizadores ao facto “de se ter verificado uma degradação muito acentuada da qualidade do serviço e um brutal aumento dos preços”. Tendo a Carris passado, a 1 de Fevereiro, para a gestão camarária – num modelo contestado pelo PCP, que sempre defendeu a manutenção dos transportes colectivos sob tutela da administração central -, João Ferreira salienta aquilo que o seu partido anda a dizer há bastante tempo. “A Carris tem de repor carreiras, repor horários, alargar a sua rede, melhor o serviço. Há muito a fazer”, diz.

Interrogado por O Corvo sobre se a proposta relativa aos parques dissuasores não acaba por ser, em certa medida, contraditória com a vontade de recuperar utentes para os transportes colectivos, João Ferreira diz que não. “Temos que ter em conta o contexto em que estamos. O nosso objectivo é, de facto, que as pessoas usem mais os transportes públicos. E este é um ponto de partida”.

O vereador considera, aliás, que a construção de mais parques dissuasores – além dos já anunciados pela CML, entre os quais o mais importante será o da Ameixoeira, na freguesia de Santa Clara – se revelará mais eficaz e entendível do que “termos as receitas do estacionamento da EMEL e o Imposto Municipal de Circulação a financiarem a Carris”, segundo o modelo proposto pela autarquia liderada por Fernando Medina. “Isto significa que a Carris só será rentável se entrarem mais carros em Lisboa. Há aqui um conflito, claro, de interesses”, afirma.

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