A nova Junta de Freguesia do Parque das Nações, nascida da recente reorganização administrativa do território nacional, já conta com um elenco executivo saído das últimas eleições autárquicas, mas o seu presidente desconhece onde irá ficar instalado e quando terá condições para trabalhar. Esse é o maior desafio e a prioridade imediata de José Moreno, 66 anos, cabeça-de-lista do grupo de cidadãos que venceu o escrutínio de 29 de Setembro e que liderará a única freguesia tutelada por independentes na cidade de Lisboa. A expectativa está toda depositada na reunião que, em breve, terá com o presidente da câmara, António Costa.

 

Mas uma das hipóteses para albergar a nova autarquia poderá passar pelo inactivo Pavilhão de Portugal. Foi esse o desejo comunicado informalmente à Câmara Municipal de Lisboa por José Moreno. “Propusemos que fosse aquele edifício, porque é um equipamento público, que está sem uso, abandonado e ninguém sabe o que fazer com ele. Além disso, é lugar central dentro da freguesia e que assim estará acessível a toda a gente, lá podendo ser oferecidos vários serviços à população”, diz Moreno, que já defendeu esta solução, aquando da discussão da criação da freguesia na Assembleia da República, em 2012. “É uma hipótese que continua em cima da mesa”, garante, referindo-se ao edifício desenhado por Siza Vieira.

 

“Antes de qualquer outra preocupação, temos que ter um sítio para trabalhar. E só começaremos a fazê-lo quando tivermos condições para isso”, diz o futuro autarca daquela que é a única freguesia da capital que apresenta um mapa integralmente novo – no sentido em que não nasce da mera agregação de circunscrições pré-existentes, mas sim do recorte de partes do território de outras três freguesias, dos concelhos de Lisboa (Santa Maria dos Olivais) e de Loures (Moscavide e Sacavém). O processo de instalação deverá, aliás, ser a grande dificuldade, nos primeiros tempos de actividade da junta.

 

“Vamos começar do zero. Em muitos aspectos, teremos de contar com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa para fazer as coisas funcionarem. Nos primeiros tempos, talvez alguns dossiês tenham de ser geridos por eles”, admite José Moreno, que como presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações (ACMPN) liderou, durante mais de uma década, o processo de criação da circunscrição administrativa do território onde se realizou a Expo 98 e das suas imediações. Ele foi mesmo o primeiro morador deste bairro recente, para ali se tendo mudado a poucos dias da inauguração da exposição internacional, ainda com um cenário de estaleiro em redor.

 

Texto: Samuel Alemão    Fotografia: David Clifford

  • Paulo Ferrero
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    LOL.

  • Samuel Freire
    Responder

    Acho pouco digno para um espaço que acolhe exposições que marcam gerações como a das monster high

  • Alberto Dias Delgado
    Responder

    Pelo menos tem alguma utilidade, e para não se degradar mais do que o que está.

  • Paulo Carmo
    Responder

    Primeira medida entrega a incompetência aos cidadãos, sem apelo nem agravo.
    Será que é menos óbvio a necessidade de colocar uma biblioteca no Parque das Nações?
    Condenar tal espaço a serviços administrativos é redutor. ö_ô

  • Jorge
    Responder

    Só podem estar a brincar.

  • Rosa Ruivo
    Responder

    uma biblioteca era uma óptima hipótese! faz falta!!

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