Uns lembram-na pelas deliciosas madalenas ou pelos babá-rum que ali se faziam, outros pelo espaço que foi ponto de encontro de várias gerações. A Tarantela , uma pastelaria com mais de 50 anos no Largo da Estefânia, fechou as portas dia 4 de Abril. Foi vendida, vai ser remodelada e reabrirá com nova gerência. Não se sabe bem quando, nem como será a sua substituta.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

Os velhos cafés e pastelarias de Lisboa, que foram ponto de encontro e sala de reuniões de várias gerações, parecem, quase todos, condenados a desaparecer do mapa lisboeta. Agora, foi a vez da Tarantela, que existia desde 1962 no Largo de Dona Estefânia, a fechar portas, para surpresa de muitos clientes que ainda a frequentavam.

 

Na passada segunda-feira, dia 4 de Abril, a pastelaria e restaurante já não serviu ninguém. Foi vendida e vai entrar em obras, para reabrir não se sabe ao certo quando, com uma nova gerência. “A Tarantela foi vendida, mas a tradição vai manter-se”, afiança António José Gonçalves, o filho do antigo proprietário, que se escusou a dizer ao Corvo quem são os novos donos da pastelaria.

 

As razões que levaram o antigo proprietário a vender a pastelaria, que nos anos 60 e 70 era um must das avenidas, residem nas dificuldades financeiras, que há muito se arrastavam. “Foi a crise. Aguentámos muito, já não era possível aguentar mais. E vender foi a solução possível”, diz ao Corvo o filho do dono da Tarantela, António José Gonçalves.

 

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“Daqui a dois meses, já deve estar de novo a funcionar ”, salienta o filho de António Gonçalves. O nome Tarantela deverá ser mantido pelos novos proprietários, embora os conteúdos sejam necessariamente diferentes.

 

“Eu ia lá quase todos os dias, tomar café e também almoçar. Aquilo precisava de levar uma volta e de ser remodelado, e é o que os novos donos irão fazer, com certeza, mas eles mantinham a qualidade. Comia-se bem. E era um ambiente muito familiar”, diz ao Corvo Nuno Taborda, dono da Oculista da Estefânia, vizinho da Tarantela.

 

O encerramento da pastelaria já foi assinalado com tristeza por muitos dos antigos clientes, seja na rua, seja nas redes sociais. Bernardo Trindade, ex-secretário de Estado do Turismo e morador na zona da Estefânia, publicou, no dia imediato ao do encerramento, um post no qual recorda momentos da sua vida passados naquele café.

 

“Um café do centro da cidade que fecha. Com ele fecham também histórias, muitas, que recordamos da sua existência. No meu caso, das deliciosas madalenas, do espaço de estudo na faculdade, mais recentemente da “sala de reunião” com terceiros… das conversas com o proprietário sobre o traumático IVA da restauração, dos desabafos envergonhados dos empregados pelos salários em atraso. Um cruzamento de percursos que se afasta. Espero que por pouco tempo. Diz-se que o novo proprietário vai fazer uma coisa gira. Que assim seja! Até lá, perduram as memórias deste café do centro de Lisboa”, afirma Bernardo Trindade no seu post que suscitou dezenas de comentários e recordações de antigos e actuais frequentadores da Tarantela.

 

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Outra cliente, Sara David Lopes, moradora na zona da Estefânia, diz-se “inconsolável”. E dia 7 postou também esse sentimento no Facebook, suscitando também diversos comentários e reacções, quase todas lamentando o sucedido e algumas temendo que ali possa surgir mais um estabelecimento de fast-food.

 

“Fechou mais um café icónico de Lisboa, assim sem quase darmos por isso…A Tarantela, no Largo da Estefânia. Ao que ouvi, vai reabrir com outro nome, outra gerência e um ‘aspeto mais moderno’”, diz Sara.

“Aquilo foi vendido a um grande grupo, mas não sei exactamente qual”, diz o vizinho Nuno Taborda, da Oculista da Estefânia.

 

 

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