Ser agricultor na cidade é algo que muita gente almeja. Por questões económicas, ambientais, de princípios éticos, de higiene alimentar, de lazer ou por todas elas, muitas têm sido as pessoas que, nos últimos anos, se converteram à prática agrária em meio urbano, juntando-se aqueles que, na verdade, sempre a exerceram por entre os retalhos de terrenos deixados livres pelo avanço da construção. A actividade foi reconhecida e institucionalizada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), em 2007, com a criação de uma rede de parques hortícolas. São já uma dezena deles, servindo mais de 400 famílias. E agora chegou a vez de distribuir terra arável no novo Parque Hortícola da Quinta das Flores, em Marvila.

 

Até às 17 horas da próxima quinta-feira (14 de Maio), ainda é possível entregar a candidatura, junto dos serviços municipais, para ocupar um das quatro dezenas de “talhões de cultivo para a prática da agricultura urbana” naquele espaço integrado no Corredor Verde Oriental da capital. Os talhões, com áreas compreendidas entre os 105 e os 160 metros quadrados, são destinados ao cultivo de plantas hortícolas, aromáticas, medicinais e ornamentais. Por se tratar de hortas de sociais, o valor a pagar por metro quadrado é de 1,6 € , sobre o qual recai um desconto de 80%, não podendo, todavia, o valor apurado ser inferior a 58,6 €  – a que acresce o pagamento do montante estimado de 20 € , como comparticipação pelos custos suportados pela CML com o funcionamento e manutenção das partes comuns.

 

Além do talhão, os novos hortelãos terão ainda direito a abrigos coletivos para aprovisionamento de alfaias e materiais de apoio ao cultivo e acesso a água para rega. No anúncio ao concurso, a câmara garante que assegura igualmente “formação e acompanhamento técnico no sentido da promoção da agricultura biológica e das boas práticas de cultivo”. Em troca disto, os novos hortelãos terão de “cultivar, obrigatoriamente e de forma ininterrupta, a horta que lhe foi atribuída” e começar a fazê-lo num período máximo de 20 dias após a atribuição do talhão. Outro dos deveres do utilizador será “frequentar todas as acções de formação consideradas obrigatórias pela CML”.

 

 

Mais informações: www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/concurso-parque-horticola-quinta-das-flores

 

Texto: Samuel Alemão

Comentários
  • Henrique Dias
    Responder

    Acho uma óptima ideia a criação de uma rede de parques hortícolas, desde que o espaço seja gerido da melhor forma possível.
    Agora, assistir-se ao cultivo nos taludes de ruas e estradas (!), à proliferação desordenada de barracas para guardar materiais e utensílios, ao desordenamento total na instalação de talhões: Não, obrigado!

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