Parque canino será a solução para convívio entre cães e humanos no Jardim da Cerca da Graça

ACTUALIDADE


Samuel Alemão

Texto

AMBIENTE

São Vicente

16 Fevereiro, 2018

Nem uma liberdade sem restrições, como desejavam os promotores de uma petição nesse sentido, nem a proibição total da circulação, como pretendiam outros. A solução para a convivência sem problemas entre humanos e cães, no Jardim da Cerca da Graça, deverá passar pela criação de uma área vedada onde os animais possam circular livremente. Deverá ser essa a recomendação da Assembleia Municipal de Lisboa (AML) à Câmara Municipal de Lisboa (CML), a ser aprovada na próxima sessão daquele órgão (terça-feira, 20 de fevereiro), para tentar acabar com uma polémica que se prolonga desde a inauguração daquele espaço verde, situado entre a Graça e a Mouraria, em 2015. Uma clara tentativa de apaziguar um conflito reavivado recentemente, com o lançamento de uma petição pela livre circulação, naquele jardim, dos canídeos sem trela e sem açaime – à qual a recomendação da AML vem agora dar resposta.

Depois de ouvirem os autores da petição e os autarcas, os membros da comissão de ambiente e qualidade de vida da assembleia municipal concluíram que o melhor mesmo seria encontrar uma solução de compromisso. Tanto que defendem ser possível “harmonizar os interesses” entre os donos dos animais e os demais utentes do espaço público “mediante a ponderação por parte da Câmara Municipal da possibilidade da criação de um Parque Canino, situado numa das parcelas do Jardim da Cerca da Graça que venha a ser vedada para o efeito e onde os animais possam circular livremente sem trela e sem açaime”. É o que pedem à câmara, bem como a rectificação da sinalética existente no espaço verde, através da sua adequação à “legislação vigente em matéria de circulação dos animais nos espaços públicos”. A recomendação pede ainda à CML a criação de mapas dos parques da cidade, “em particular de parques caninos”, para que em períodos de maior afluência se possa “perceber as alternativas de proximidade existentes”.

A petição na origem das recomendações agora avançadas por aquele órgão autárquico deu entrada na AML a 30 de outubro, depois de conseguir recolher 340 assinaturas. Os seus autores queixavam-se de uma alegada perseguição por parte de fiscais municipais, denotando uma “atitude pidesca”, iniciada no dia 5 desse mês. Para contrariar tal ambiente de hostilidade, preconizava-se a adopção de um novo regime de total liberdade. “Tal como foram criadas praias, que aceitam durante todo o ano, animais de companhia, devem também ser construídos espaços verdes na cidade de Lisboa em que os animais de companhia, como os nossos cães, possam circular em liberdade e harmonia com o meio envolvente”, defendia o abaixo-assinado. “Só assim se podem desenvolver animais meigos, civilizados e felizes, bem como incentivar, junto das pessoas, uma sociedade mais tolerante, mais preocupada com os animais e com o meio ambiente envolvente”, assegurava a petição, lamentando que os parques caninos criados pela CML estejam “aquém das necessidades reais dos animais de companhia”.

Na sua recomendação à Câmara de Lisboa, os deputados municipais não se ficaram, porém, pela necessidade de harmonizar o convívio entre os cães e seus donos e as restantes pessoas que frequentam o Jardim da Cerca da Graça. Aproveitando a audição a propósito da recolha de assinaturas, foram detectadas outras necessidades naquele que é o maior espaço verde no coração da capital portuguesa. Foi pedido à câmara que erradicasse, com urgência, os focos de infestação com a lagarta do pinheiro ali detectados. Além disso, solicita-se ainda à CML a realização de um estudo sobre as necessidades de melhoria das condições do jardim, sobretudo quanto ao reforço da segurança do parque – especialmente a vedação das diferentes áreas existentes e seus desníveis, em particular do parque infantil –, mas também da higiene e do conforto das diferentes infraestruturas e ainda suas acessibilidades.

MAIS
ACTUALIDADE

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend