A comissão permanente de cultura, educação, juventude e desporto da Assembleia Municpal de Lisboa (AML) deu luz verde ao anunciado processo de transferência da Biblioteca da Penha de França das actuais instalações, situadas no Palácio Diogo Cão, no alto da Calçada do Poço dos Mouros, para um rés-do-chão de um prédio da EPUL, entre as avenidas Mouzinho de Albuquerque e General Roçadas. No parecer relativo a uma petição assinada por 272 pessoas contra a mudança de lugar do equipamento cultural, e que será discutida em plenário da AML na próxima terça-feira, considera-se que “o espaço previsto para as novas instalações tem capacidade para receber a Biblioteca da Penha de França desde que o programa funcional e o respectivo projecto de execução respondam às necessidades que o conceito das Bibliotecas XXI promove”.

No parecer da comissão presidida por Simonetta Luz Afonso é apresentado um conjunto de sete recomendações, entre as quais uma sugerindo “que se mantenha um pólo da biblioteca nas antigas instalações que permita receber e entregar livros emprestados e manter assim a ligação afectiva com os actuais utentes, que se sentirão envolvidos no projecto e motivados para conhecer o novo espaço e, quiçá, vir a utilizá-lo”. Entre diversas sugestões, pede-se também que “o programa funcional contemple um espaço destinado a investigadores/académicos/estudantes universitários que necessitam de recolhimento”. Uma resposta aos que alegam que as novas instalações apresentarão um “decréscimo de qualidade na demarcação de espaços da biblioteca pública”, misturando crianças e adultos.

No mesmo documento, antes das recomendações, é feita uma análise comparativa entre as actuais instalações – onde a biblioteca funciona desde 1964 – e as novas instalações propostas pela Junta de Freguesia da Penha de França – que quer ocupar as primeiras com os seus serviços. São sete pontos de avaliação para cada um dos edifícios. Todos negativos para a antiga localização e todos positivos para a desejada nova morada. Em relação às instalações do Palácio Diogo Cão, são apontadas “dificuldades para os utentes de mobilidade reduzida”; “espaço interior limitado”; “mau e deficiente estacionamento”; “distância dos transportes públicos”; o facto de “não reunir características de centralidade face aos novos limites administrativos da freguesia” ou ainda o facto de se tratar de uma “zona afetada pelo nível de ruído diurno, compreendido entre os 60 e os 65 dB”.

Quanto às novas instalações, a avaliação é manifestamente positiva. Antes de mais, destaca-se a maior dimensão e a “boa luminosidade”. E elencam-se carcaterísticas que são o reverso das verificadas na actual morada: “melhor resposta à centralidade da nova freguesia”; “melhores acessos (zona plana) e serviços de transportes”; “proximidade de equipamentos escolares e centro social”; “maior facilidade de estacionamento”; “maior capacidade do espaço para receber o Programa Funcional das Bibliotecas XXI”; e ainda o facto de se tratar de um “espaço inserido em zona afetada por níveis de ruído diurno abaixo dos 55dB”.

 

Texto: Samuel Alemão

  • Rui Ribeiro
    Responder

    Tirar uma biblioteca e po-la num rés do chão parece-me fazer todo o sentido…(palavrão)

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    já estou mesmo a ver venderem este edificio daqui a uns tempos ….

  • Pedro Rocha
    Responder

    a questao e que se me lembro mesmo no res do chao nao e biblioteca? com computadores e afim?

  • Responder

    É revoltante e óbvio: uma manobra de venda de património.

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com