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“Para quê tanto dinheiro” – Apesar da Cozinha Popular (Uma parceria O Corvo + Qi News, com Lisboa no centro)

REPORTAGEM
Samuel Alemão

Textos

URBANISMO

VIDA NA CIDADE

Santa Maria Maior

2 Janeiro, 2018

O Corvo dá início à sua colaboração com a produtora de conteúdos factuais Qi News. Ambas as plataformas partilham visões similares sobre jornalismo independente, vivo e com qualidade, tanto nos assuntos que nos preocupam e que habitualmente publicamos, como no cuidado com a linguagem usada.

Estamos a trabalhar de modo a podermos colaborar também na elaboração conjunta e na divulgação em parceria de histórias, sempre com o foco nas questões do quotidiano que importam para o exercício da cidadania na cidade de Lisboa.

Hoje partilhamos a primeira micro-reportagem em vídeo (“Para quê tanto dinheiro”) da série Apesar da Cozinha Popular, produzida pela Qi News.

O centro de Lisboa está a mudar, radicalmente, à frente dos nossos olhos. Todos os dias, são comprados e vendidos dezenas de apartamentos, prédios e espaços comerciais que são, depois, convertidos em casas para alojamento local, hostels, e lojas ou cafés virados para o visitante endinheirado e passageiro.




O tecido urbano está transformado. Onde, antes, havia associações locais (por vezes, com valor histórico relevante), restaurantes familiares, creches, serralharias, costureiros e sapateiros, há agora ruas inteiras dedicadas exclusivamente a pastéis de nata, azulejos e bonés de cortiça.

Esta pequena série de três webisódios – “Apesar da Cozinha Popular” – apresenta alguns casos, contados na primeira pessoa, relacionados com o processo de gentrificação no bairro histórico da Mouraria, bem no ventre da cidade de Lisboa.

Acompanhámos várias pessoas envolvidas com a Cozinha Popular da Mouraria – uma associação que trabalha activa e directamente na integração de pessoas mais vulneráveis no mercado de trabalho –, para saber mais sobre esta realidade.

As alterações às leis das rendas, a pressão de um mercado imobiliário altamente especulativo, a re-orientação das massas de turismo, os benefícios fiscais atribuídos a pensionistas de outros países europeus e medidas atractivas para investimento estrangeiro – como os polémicos “Vistos Gold” – são algumas das forças que se juntaram para formar uma tempestade perfeita, que está a empurrar os lisboetas mais vulneráveis para os dormitórios da grande periferia da capital.

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O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
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