O Corvo termina hoje a série dedicada aos mais discretos museus da capital. Desta vez, olhamos três que honram as artes do espectáculo, mas que nem sempre beneficiam dos holofotes e das estrelas com que elas se fazem: alguns destes espaços dão-se mesmo ao luxo de se esconderem mesmo debaixo dos nossos olhos. Guardam documentos e artefactos que são tesouros de memórias de quem pisou o palco ou se sentou na plateia.

 

Texto: Rui Lagartinho

 

Museu Nacional do Teatro e da Dança

 

É uma manhã pacata a que se vive nos jardins do antigo palácio do Conde Farrobo no Lumiar, a sede do Museu Nacional do Teatro e da Dança: desde 2015 que a dança se juntou ao teatro, alargando assim a esfera de acção do museu criado em 1985.

 

Qualquer museu do teatro, em qualquer lugar do mundo tem uma tarefa ingrata: o teatro é um momento todas as noites, irrepetível, uma experiência única. Depois, as peças saem de cena e as memórias dispersam-se. Por isso, o espólio de qualquer museu do teatro cumpre essa função de catalisador da memória para uns e conta-me como foi para outros.

 

E é assim que nos sentimos num passeio despreocupado por figurinos, maquetes de cenografia, cartazes, fotografias e caricaturas de actores de várias gerações, cartazes, pósteres, programas de sala, adereços, sinalética e objectos de teatros que já desapareceram.

 

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O que se mostra em dois andares do antigo palácio no Paço do Lumiar é uma pequena parte dos 250 mil documentos do espólio do museu, um conjunto único para quem quiser fazer a história do teatro ou da dança em Portugal: “Felizmente, os protagonistas destas artes e os estudiosos perceberam a importância das doações e são cada vez mais os espólios que o museu acolhe”, diz-nos José Carlos Alvarez, o director do museu, que nos serve de cicerone numa viagem pelo percurso artístico de Anna Mascolo – um nome incontornável da dança, quer como bailarina e como pedagoga, que marcou gerações sucessivas de bailarinos, ao longo de mais de 50 anos.

 

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Pelo facto de estar quase fora de Lisboa – num Lumiar que, de zona de quintas e de bons ares, passou a dormitório da cidade -, o museu ainda é desconhecido para muitos. Mas, mesmo assim, refere José Carlos Alvarez, “com os seus 45 mil visitantes, este não é dos museus menos visitados”. “Uma realidade que pode diminuir, por causa das menores disponibilidades financeiras de muitas escolas para organizarem visitas”, diz.

 

Museu Nacional do Teatro e da Dança

Estrada do Lumiar, 10

Telefone: 21 756 74 16

Horário: De 3ª a 6ª feira /das 10:00h às 17:00h

1º e 3º Sábado de cada mês/das 10:00h às 14:00h

www.museudoteatroedanca.pt

 

Museu do Cinema

 

Se no Museu do Teatro viajámos até ao tempo em que Lisboa tinha uma cintura de quintas e palácios a adorná-la, para chegarmos ao Museu do Cinema temos de atravessar o coração da cidade financeira carregada de bancos velhos e novos, corretoras e escritórios de advogados especializados em negócios.

 

Quando vamos à Cinemateca Portuguesa, quase sempre não reparamos, mas elas estão lá. Em salas preparadas para o efeito ou espalhadas pelas zonas de circulação pública. Falamos das gloriosas máquinas de filmar e de projectar que fizeram história no cinema em Portugal.

 

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Os espaços onde estas maravilhas de engenho e arte se expõem têm nomes românticos, como Sala dos Cupidos ou Sala dos Carvalhos e chamam a atenção para o património que também é o palacete da Rua Barata Salgueiro, onde está instalada a Cinemateca. Estas salas podem ser visitadas gratuitamente, todas as tardes dos dias úteis, como aperitivo ou remate de uma ida ao cinema.

 

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Actualmente, a nostalgia estende-se ainda à sala de exposições temporárias onde pode ser conhecida a obra de Adriano Rodrigues (Roiz), um dos últimos pintores dos enormes telões que decoravam as fachadas dos grandes palácios do cinema em Lisboa – como, por exemplo, e sem sair da Avenida da Liberdade, o Condes, o Éden, o Tivoli e o São Jorge.

 

Museu do Cinema

Rua Barata Salgueiro, 39

Telefone: 21 359 6200

Horário: dias úteis das 12h30 às 19h30

Entrada gratuita

www.cinemateca.pt

 

Museu das Marionetas

 

A nossa terceira paragem nos museus que, em Lisboa, se dedicam às artes do espectáculo leva-nos ao coração do bairro típico da Madragoa. Numa das alas do antigo Convento das Bernardas, está instalado, desde 2001, o Museu das Marionetas, gerido pela Câmara Municipal de Lisboa, através da empresa EGEAC.

 

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Originalmente desenvolvido em torno da tradição desta arte – que, a partir da rua, com os seus fantoches e robertos, foi ganhando estatuto -, a colecção percorria, sobretudo, a história e a evolução das marionetas em Portugal e na Europa, com nomes míticos como os das marionetas de São Lourenço.

 

Hoje, essa tradição e essa alma mantêm-se por lá, mas o protocolo, assinado em 2008, com o colecionador Francisco Capelo permite viajar ao Extremo Oriente e a África através das suas colecções de extraordinárias e exóticas marionetas, de fio, de água, exibidas em permanência. Uma volta ao mundo que está dentro do espírito de um bairro que se fez de varinas, pescadores e marinheiros.

 

 

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O Museu da Marioneta dedica também, desde sempre, bastante atenção ao cinema que se faz com base em formas animadas. Até 30 de Abril, numa parceria com o festival de cinema Monstra, pode ser visitada a exposição “Little From the Fish Shop”, com alguns dos bonecos e maquetes que serviram de base ao trabalho do realizador e argumentista Jan Balej. A entrada nesta exposição é gratuita. No ano passado, entraram 25 mil pessoas pelas salas e ateliers do Museu da Marioneta.

 

Museu da Marioneta

Rua da Esperança, 146

Telefone: 21 394 2810

Horário: 3ª a Domingo – 10h-13h | 14h-18h

Bilhete: 5 euros

www.museudamarioneta.pt

 

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