Os mais discretos museus de Lisboa – II

REPORTAGEM
Rui Lagartinho

Texto

CULTURA

Cidade de Lisboa

15 Fevereiro, 2016

O Corvo continua a série iniciada em Dezembro passado. Desta vez, fomos visitar dois museus com imenso potencial para atrair um público de todas as idades e que albergam colecções únicas do seu género em Portugal. No entanto, o Museu Nacional de História Natural e, especialmente, o Museu Geológico de Lisboa são espaços muito pouco conhecidos dos lisboetas.

Pelos caminhos da História Natural, no Príncipe Real

Museu Geológico de Lisboa

Para quem gosta de viajar no tempo em poucos minutos, o Museu Geológico de Lisboa é o sítio ideal. O primeiro passo tem pouco a ver com o conteúdo do museu: a paragem inicial é no século XIX, pois é esta atmosfera que se desprende dos armários, dos expositores. Quase se pode imaginar que os colecionadores vão atravessar qualquer das galerias.

A história do museu, hoje sobre a tutela do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, está intimamente ligada aos primeiros exploradores das maravilhas geológicas e paleontológicas, como Carlos Ribeiro e Nery Delgado. Foram eles quem pugnou para que o museu se instalasse no edifício da então Real Academia das Ciências.

Hoje, o museu alberga mais de 100 mil objectos ou peças, cobrindo todas as etapas culturais entre o Paleolítico e período Lusitano Romano.

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Miguel Ramalho é director do museu desde o ínicio dos anos setenta. Tantos anos foram suficientes para misturar em camadas o desalento pela pouca curiosidade que o museu desperta nos lisboetas, escassos milhares de visitantes cada ano, e o entusiasmo e brilho nos olhos, quando abordamos uma peça especial: o crocodilo de Chelas, que viveu há 12 milhões de anos naquela área de Lisboa.

A dimensão do seu crânio deixa adivinhar a imponência dos quase dez metros do animal, que é uma das 27 maravilhas do museu escolhidas como representantes do melhor que tem para mostrar. Uma lista que inclui minerais e fósseis, esqueletos de animais com milhares anos, cristais e placas de minério.

No total das cinco longas galerias, estão expostos 4.200 objectos. O museu funciona com apenas três funcionários e sofre, de acordo com o seu director, com o desinvestimento das escolas em visitas de estudo: “E, no campo da geologia, sair da sala de aulas é fundamental”.

Museu Geológico de Lisboa
Rua da Academia das Ciências, Nº 19 – 2º
Tel: 21 346 39 15
Horário: aberto de Segunda a Sábado, das 10h00 às 18h00.


Encerra Domingos e feriados oficiais
Bilhetes: 2,5€
www.lneg.pt/museugeologico

Museu Nacional de História Natural e da Ciência

Escassas centenas de metros separam o Museu Geológico de Lisboa do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, que está abrigado nas antigas instalações da Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica.

Para muitos lisboetas, este é o espaço onde se vem com as crianças ver as exposições sobre Dinossáurios – época de enchentes. Quando não se programam estas exposições-acontecimento, o número de visitantes reduz-se drasticamente, como O Corvo pôde constatar, quando, numa manhã deste Inverno, andou a explorar as colecções do museu. Também aqui o charme do século XIX espeita, sobretudo no vetusto Laboratório Químico, local onde se fizeram experiências pioneiras nesta disciplina em Portugal.

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Ao longo dos claustros do espaço, dividem-se as colecções sobre os dinossáurios, os minerais, a História Natural, a Física e a Astronomia. O acervo de cerca de um milhão de objectos, entre espécimes de história natural, herbários, instrumentos científicos, desenhos, fotografias, arquivos e livros, permite uma visita a la carte – que se ressente de o espaço não ter sido pensado com um espírito de verdadeira unidade entre as galerias. Apesar disso, por estes dias, vale a pena visitar a exposição dedicada ao naturalista Francisco Furtado, um açoriano discípulo de Charles Darwin.

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Neste museu, é possível driblar a bilheteira e entrar sem pagar. As salas não dispõem de qualquer vigilância ou controlo de entrada. Pelo menos, foi assim, na manhã em que o repórter do Corvo por lá andou. Uma forma, certamente acidental, de tornar a ciência acessível a todos, sobretudo em tempos de crise, mas que comporta o perigo de deixar um património importante e valioso algo desprotegido.

Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Endereço: Rua da Escola Politécnica 56, 1250-102 Lisboa
Telemóvel:21 392 1800

Horário: Terça a Sexta – 10h00 às 17h00
Fim de semana – 11h00 às 18h00
Encerra à segunda-feira e feriados

Bilhetes: 5 €
www.museus.ulisboa.pt

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COMENTÁRIOS

  • Paulo Ferrero
    Responder

    Yeap e o Geológico, muito mais que o outro (que vive praticamente do laboratório e do anfiteatro, se pensarmos que o túmulo que estava emparedado não devia manter-se ali e antes rumar ao MNAA), pois é um museu à inglesa, onde tudo está no séc XIX e mto bem. Um BRAVO àquela direcção presidida pelo prof. Ramalho!

  • Paulo Franco Henriques
    Responder

    Estes museus são duas pérolas da museologia nacional, em especial o Museu Geológico!
    É uma autêntica jóia mas, infelizmente, muito ignorado e esquecido…

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