O Corvo vai de férias. Mas, antes de partir, propõe uma viagem pela memória dos momentos de lazer nos jardins de Lisboa. O percurso, reconstituído com as fotos do Arquivo Municipal de Lisboa, atravessa mais de um século, revelando imagens antigas dos espaços verdes da capital. Boas férias para quem vai e para quem fica. A equipa d’O Corvo regressa em Setembro.

 

Texto: Kátia Catulo 

 

O (s) segredo (s) do lago do Jardim do Campo Grande 

(fotografia de abertura)

Data: desconhecida

Autor: Paulo Guedes (1886-1947)

História: o percurso deste jardim começou há mais de 400 anos, quando a zona era conhecida como Campo de Alvalade. Desde aí, já foi lugar de solares e palacetes, zona de diversão e de restaurantes ou pista para corrida de cavalos. Foi durante o reinado de D. Luís I, em 1869, que arrancou a construção do lago principal. Em 1948, o jardim ganha nova vida, após ser devastado pelo ciclone de Fevereiro de 1941. É nesse ano que surge um ringue de patinagem, dois campos de ténis e também a ampliação do lago, que passa a ter o dobro da superfície (2500 m2.). A reconstrução do jardim, a cargo de Keil do Amaral, incluiu também a recuperação da ponte, onde a pedra é substituída por betão.

 

 

Arquivo Municipal de Lisboa - Ref PT-AMLSB-JBN-001115 - Folha 1

 

A distância entre o Passeio Público e a Avenida da Liberdade

Data: 1912

Autor: Joshua Benoliel (1873-1932)

História: construído após o terramoto de 1755, os lisboetas usaram durante mais de um século o Passeio Público como espaço de lazer envolvido por hortas, quintas ou viveiros. Mas a capital foi crescendo e, nos finais do século XIX, abrir uma nova artéria com o intuito de expandir a cidade para norte passou a ser a prioridade. Após muita controvérsia com a expropriação de terrenos, casas e quintas, a avenida foi construída entre 1879 e 1886, imitando as boulevards de Paris. A Avenida da Liberdade passou a ser um dos lugares mais chiques de Lisboa e frequentada pelas classes abastadas que aí passaram a residir.

 

 

Arquivo Municipal de Lisboa - Ref PT-AMLSB-FMC-000033 - Folha 1

 

Estufa Fria – um oásis fresco, quente e doce

Data:  década de 1950

Autor: Firmino Marques da Costa (1911-1992)

História: onde hoje está localizada a Estufa Fria, numa das laterais do Parque Eduardo VII, existia uma antiga pedreira de basalto, que acabou por ser desactivada quando foi encontrada uma nascente de água. E assim nasceu este jardim projectado pelo arquitecto Raul Carapinha. Inaugurado em 1933, o espaço é constituído por três áreas: Estufa Fria, Estufa Quente e Estufa Doce. No Verão funciona das 10h às 19h e os bilhetes custam entre 3,10 € (entrada simples para adultos) e 2,33€ (crianças e jovens dos 6 aos 18 anos). Aos domingos e feriados a entrada é gratuita até às 14h.

 

 

 

Arquivo Municipal de Lisboa - Ref PT-AMLSB-KPI-000182 - Folha 1

 

O mundo português no Jardim da Praça do Império

Data:  1940

Autor: Kurt Pinto

História: com a “Exposição do Mundo Português” (1940), nascia o Jardim da Praça do Império que, juntamente com o Padrão dos Descobrimentos e o Jardim da Torre de Belém, é um dos vestígios que hoje sobra desta mostra internacional para comemorar 800 anos da Independência de Portugal e 300 anos da Restauração da Independência. No século XVII, no lugar deste jardim, projectado por Cottinelli Telmo, havia uma zona balnear, conhecida como a praia do Restelo. Dali partiram Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e muitos outros navegadores.

 

 

Arquivo Municipal de Lisboa - Ref PT-AMLSB-LIM-001172 - Folha 1

 

De lugar maldito a Jardim do Príncipe Real

Data: década de 1910

Autor: Alberto Carlos Lima, (18??-1949)

História: durante mais de um século, o local onde hoje é o Jardim França Borges, conhecido como Jardim do Príncipe Real, foi um lugar sujo e sombrio. Em 1740, as ruínas de um palacete deram lugar à lixeira do Bairro Alto. Vieram depois os jesuítas e construíram o Colégio das Missões, que acabou destruído pelo terramoto de Lisboa. A nova Sé Patriarcal também ali começou a ser construída, mas não resistiu a um incêndio e o local voltou aos dias de abandono. Em 1789, o visconde de Vila Nova de Cerveira propôs aproveitar as ruínas para construir a Tesouraria Central do Reino, mas as obras revelaram-se tão dispendiosas que os planos nunca avançaram. Mais uma vez, o entulho tomou conta deste espaço até 1853, quando surgiu a Praça do Príncipe Real. Só década e meia mais tarde é que a zona foi iluminada e ajardinada ao gosto do romantismo inglês. O ex-líbris é o secular cedro-do-Buçaco, com mais de 20 metros, mas o jardim guarda outras seis árvores classificadas.

 

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