O sector cultural pode ser uma alavanca importante no desenvolvimento de projetos sociais nas cidades, numa altura em as autarquias se debatem com fortes constrangimentos orçamentais. Esta ideia reuniu o consenso das vereadoras com o pelouro da Cultura de Lisboa, Faro, Évora e Guimarães, num encontro que decorreu quinta-feira, no Teatro Municipal São Luiz.

“A cultura de proximidade pode chegar de forma mais eficaz ao público e ao seu quotidiano social, dando novos horizontes”, referiu Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da autarquia de Lisboa.

A opinião acabou por ser partilhada pelas colegas do debate “Cultura e Cidades – Políticas para a cultura e ideias de território”. Catarina Vaz Pinto lembrou a importância de promover atividades culturais descentralizadas, envolvendo as associações dos bairros da capital.

Um dos meios para aplicar esta política passa pela reorganização da rede das Bibliotecas Municipais. “Não existe em Lisboa uma única biblioteca que respeite as normas internacionais”, disse, lembrando as orientações do Programa Nacional de Bibliotecas Públicas e da Federação Internacional de Associações de Bibliotecas.

Defendendo que as bibliotecas podem ser “um centro cultural de proximidade”, de encontro de gerações e de políticas ativas de combate à iliteracia digital, a vereadora falou do Programa Estratégico Biblioteca XXI, aprovado pela CML e que passa pela construção de novas bibliotecas e a reabilitação de equipamentos degradados.

Em Marvila vão começar em breve as obras de construção da biblioteca/centro cultural, enquanto que Olivais e Benfica vão ter de esperar por falta de verba.

Alexandra Gonçalves, vereadora em Faro, revelou que, como o município deve 40 milhões euros, “não existe orçamento para a cultura”. Por esse motivo, “as práticas culturais” estão viradas sobretudo para as escolas do ensino primário, já que “o tecido empresarial não se envolve nas questões culturais”. Segundo a vereadora algarvia, a autarquia acaba por funcionar como “uma barriga de aluguer” ,cedendo espaços para acolher eventos.

Situação parecida ocorre em Évora. Cláudia Pereira, vice-presidente de autarquia e responsável por esta área, afirma que o sector da Cultura está a viver a pior situação financeira desde abril de 1974.

“Às vezes tenho dificuldade em compreender como do zero se passa a menos zero e se consegue ainda fazer alguma coisa”, desabafou. Apostando igualmente no social e criticando a falta de sensibilidade dos empresários locais, a vereadora ironizou: “Venha verba que o verbo se cumprirá”.

Para a Guimarães, o desafio é como tirar partido do evento Capital Europeia de Cultura 2012 de forma a manter ativos os equipamentos construídos. Francisca Abreu, com o pelouro da Cultura da autarquia de Guimarães, que não poupou nas críticas à política cultural do governo, disse: “Fizemos em pouco tempo o que poderia levar 20 anos ou mais”. Segundo dados preliminares de um estudo sobre o impacto da Capital Europeia da Cultura, Guimarães recebeu mais 106 por cento de turistas que o habitual. Destes, 58 por cento eram estrangeiros e 42 por cento portugueses. Uns 90 por cento dos visitantes registados gastaram mais de 50 euros na cidade e o comércio viu as vendas subir 60 por cento.

 

 

Texto: Mário de Carvalho     Fotografia: Alexandre Neves

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