Com a apresentação do “Manifesto contra o desastroso encerramento das livrarias da Cidade  de Lisboa no centenário da Livraria Sá da Costa”, foi ontem concluído o último capítulo de mais uma livraria histórica da zona central da cidade. A declaração da insolvência pelo Tribunal de Comércio de Lisboa, esta semana, ditou o desfecho aparentemente irrevogável do estabelecimento situado no Chiado, fundado em 1913 e que se mudou para as actuais instalações trinta anos depois. Foi o epílogo de um processo aberto há três anos e, em paralelo, também da luta dos cinco livreiros que tentaram manter a livraria aberta. Não conseguiram. Foram eles quem redigiu o manifesto ontem apresentado. Nele, os livreiros afirmam que o fecho da Sá da Costa é um “sinal  dos tempos – bem paradigmáticos desta apagada e vil tristeza em que o país, e nós com ele, nos encontramos mergulhados”. A zona do Chiado e a sua histórica envolvência têm sido “palco de uma razia, de devastação”, dizem.

 

Fotografias: Carla Rosado

 

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  • António Rosa de Carvalho
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    Manuel Salgado elegeu a Baixa, coração estratégico da cidade de Lisboa, como palco globalizado de eventos e animação, e área apenas e exclusivamente de residência temporária através de mais de 100 projectos para Hotéis além dos inúmeros Hostels.
    A ideia de residir, habitar, Identidade Local, assegurada por famílias, foi completamente posta de parte …
    Agora, nos Bairros Históricos essas mesmas famílias, acossadas pela crise disponibilizam as sua casas, que se tornaram inabitáveis a partir de 5a Feira devido à “Animação” de rua, “boteillon” e afins, para aluguer, através de sites como o Airbnb.
    Claro que este fenómeno sem planeamento e sem controle em termos de Hotelaria Paralela está já a concorrer já de forma determinante com a Hotelaria Clássica.
    Adivinha-se neste conjunto de circunstâncias, inevitávelmente o desastre de saturação do mercado com uma oferta que vai largamente ultrapassar a procura.
    Chama-se a isto mau Planeamento Urbanístico, assim como a ausência total de estratégia e planeamento na área do Urbanismo Comercial, tem vindo a provocar o desaparecimento de vários estabelecimentos Tradicionais que garantem a Identidade de Lisboa como Cidade Autêntica e não como palco /Globalizado de eventos e “Happenings”.
    António Sérgio Rosa de Carvalho

  • António Rosa de Carvalho
    Responder

    Os resultados das políticas, estratégias e visão futura de Manuel Salgado para a Baixa:
    “Referindo-se ao espaço ocupado pela Sá da Costa, lê-se no manifesto que é um “lugar cobiçado demais, pelos negócios do dinheiro graúdo” que impossibilita que alguém ou uma entidade, interessados nos “valores imateriais”, a possam resgatar da “ditadura financeira rapace e usurária”.
    “No manifesto, os livreiros afirmam que o fecho da Sá da Costa é um “sinal dos tempos — bem paradigmáticos desta apagada e vil tristeza em que o país, e nós com ele, nos encontramos mergulhados — a zona do Chiado, a sua histórica envolvência, tem sido palco de uma razia, de devastação”.
    Trabalhadores da Sá da Costa responsabilizam “ditadura financeira” pelo fecho da livraria.

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