Offline. Lisboa espera a prometida rede pública de wi-fi há pelo menos quatro anos

REPORTAGEM
Pedro Arede

Texto

VIDA NA CIDADE

Cidade de Lisboa

12 Abril, 2017




Os lisboetas continuam à espera de ver implementada, em vários pontos da capital, uma rede gratuita de internet sem fios (wi-fi). A proposta, vencedora por duas vezes do Orçamento Participativo, continua por executar. Contactada pelo Corvo, a Câmara Municipal de Lisboa escusa-se a dar explicações e remete para um futuro incerto a sua criação, para a qual dispõe de uma verba total cativa de 300 mil euros.

Se é verdade que, para os habitantes de algumas cidades portuguesas como Coimbra, Braga ou Viseu, aceder a uma rede gratuita de internet sem fios na via pública é já uma realidade, para os lisboetas o caso é bem diferente.

Prometida desde 2012, a implementação de uma rede wi-fi gratuita em vários espaços públicos da capital, como jardins, miradouros, praças, escolas e edifícios municipais, continua por cumprir, apesar da vontade dos cidadãos ir em sentido contrário. Isto porque o tema foi já alvo de duas propostas vencedoras do Orçamento Participativo (OP) de Lisboa (2012-2013 e 2013-2014), mas também da edição de 2016-2017, se bem que de forma restrita em termos territoriais, através do projecto “Rede gratuita wi-fi em Campo de Ourique”.

Ao todo, mesmo sem contar com a proposta vencedora da última edição do OP, são 300 mil euros – 150 mil por cada uma das propostas eleitas no passado – alocados à implementação da dita rede pública de internet que, até ao momento, ainda não cumpriram o destino designado originalmente pela Câmara Municipal de Lisboa.

Mais de quatro anos passados e a situação continua inalterada. Apelidadas no portal do OP como propostas “em estudo”, a única informação disponível relativamente à evolução dos projectos aparece sob a forma de descritivo. E refere que o “Município está a estudar vários cenários para implementação de uma rede wi-fi na cidade de Lisboa num quadro mais global para a definição de uma estratégia e visão relacionados com as Smart Cities”.

Procurando esclarecer junto da Câmara Municipal de Lisboa quais as reais perspectivas de implementação da medida e as razões que têm adiado a sua concretização, o Corvo remeteu por escrito algumas questões sobre o assunto, no passado dia 8 de fevereiro, Até ao momento, porém, não obtiveram resposta.

Ao contrário do que acontece em Lisboa, no entanto, Coimbra é uma das cidades portuguesas que dispõe já de uma rede pública de internet sem fios. Designada por “Coimbra+”, a rede cobre, a partir de 24 pontos de acesso, alguns dos principais locais da cidade, com o objectivo de servir moradores, turistas e visitantes.

Fora de portas, importa ainda lembrar o exemplo de Talinn. A capital da Estónia tem servido de tubo de ensaio para a aplicação no país do chamado “tiigrihüppe“, que é, nada mais, nada menos, do que uma iniciativa do estado, que tem como principal objectivo disponibilizar o acesso à internet a toda a população, de forma gratuita.

Actualmente, em Talinn, cidade berço do Skype, para além de todas as escolas e de a maioria dos espaços públicos estarem ligados à internet, mais de 90% de todas as transacções bancárias são já efectuadas online. E é já possível, por exemplo, votar sem sair de casa, graças ao desenvolvimento digital alcançado.

Para já, enquanto a capital portuguesa continua à espera de ver implementada uma rede pública de internet, resta aos lisboetas dar uso a uma máxima dos novos tempos, que diz que “um copo de água e a password do wi-fi não se negam a ninguém”. Mantém-se assim a muita dependência das redes wireless geralmente disponibilizadas por restaurantes, cafés, lojas e outros espaços da capital.

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